Publicações com Graça

# Silêncios e respostas

jhEm uma madrugada a voz daquele escritor rompeu o silêncio em direção ao Eterno sem qualquer compromisso, como se soubesse que o silêncio permaneceria: “o que queres que eu escreva Senhor?”. Então, de alguma forma que não conseguiu explicar, de imediato compreendeu a seguinte resposta: “discorra sobre o Meu amor, filho”.

Entre os limites de sua crença, circunscrita aos versos comuns ao conhecimento religioso, e a sugestão racional que a resposta pudesse ter vindo de sua mente, por um instante percebeu que aquela “consciência” o havia tocado fundo, indo à sua condição humana como nunca antes experimentara. Assim, arriscou perguntar – “Senhor, como eu posso testemunhar sobre o Seu amor se sou um pobre e miserável a vagar por este mundo de dores? Quando foi que vivi o Seu amor?”.

“Todas as vezes que retirar os olhos dos acontecimentos que alardeiam a pobreza e a miséria humana e silenciar a sua atenção nos detalhes que constantemente ocorrem dentro de ti e ao teu redor, compreenderá o que é e quando viveu o Meu amor”, respondeu-lhe dentro de um instante que parecia de completo silêncio… até que percebeu que o silêncio de fato se fez.

Aquela situação o deixou confuso… faria algum sentido a situação ou mesmo a resposta, perguntava-se. Vagueou em seus pensamentos, pois sentia que aquela orientação não poderia ter vindo de sua experiência como ser humano, e nem tampouco por seus limitados conhecimentos restritos à união de livros divididos em capítulos e versos.

Se perguntado, não saberia responder sobre o amor de Deus. Algo havia ocorrido. Pensou: “terá sido este momento o próprio detalhe a que a resposta se referiu? Afinal, havia silêncio em meu coração…”.

Recordou a semana que antecedeu àquele silêncio e encontrou algumas situações que naqueles dias pareciam pequenas demais para ser o que daria equilíbrio a tantas situações difíceis. A certeza dos fatos o fez esboçar um sorriso. E então o homem-escritor reescreveu com calma o seu coração, entregando os seus olhos a detalhes que surgiam no dia a dia, sem que praticamente alguém os percebesse.

E desde aquele silêncio a palavra se fez vida em resposta à sua história.

Feliz sábado!

Sadi –Um peregrino da palavra

Sady Folch# Silêncios e respostas
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Para evitar levar uma machadada

Mas o empregado respondeu: “Patrão, deixe a figueira ficar mais este ano. Eu vou afofar a terra em volta dela e pôr bastante adubo.  Se no ano que vem ela der figos, muito bem. Se não der, então mande cortá-la.” (Lucas 13:8 e 9).

figueiraJesus contou essa parábola e certamente não estava falando de figueiras. Estava falando de mim. Ele diz que o dono da vinha veio, me viu plantado no meio dela há três anos e até então não havia comido um único figo. Ele diz que eu estava ocupando um espaço precioso, que eu precisava ser cortado. Aí o vinhateiro diz que vai cuidar de mim com toda diligência, com todos os recursos de que dispõe, por mais um ano, um ano só.

E abril já acabou.

O ano voa.

Um ano passa muito rápido.

Marco Aurélio BrasilPara evitar levar uma machadada
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…a espinha ereta e o coração tranquilo

Aquela mãe de amigos meus se incomodava profundamente com minha postura desleixada na adolescência e achou um jeito bastante interessante de me fazer conscientizar sobre a necessidade de vigiar minha postura: toda vez que me via emulando Quasímodo, com os ombros projetados pra frente e a cabeça entre eles, ela vinha por trás e empurrava com o nó do indicador a base de minha coluna lombar. Num passe de mágica minha postura se emendava.

Por alguma razão lembrei disso lendo Atos 4. Os apóstolos pregavam sobre Jesus, dizendo que Ele havia ressuscitado quando foram chamados perante os líderes judaicos para responder com que autoridade falavam aquelas coisas. Aparentemente, naquele tempo você precisava necessariamente ter autoridade vinda de cima para fazer qualquer coisa. Eles queriam saber qual era a escola rabínica à qual estavam afiliados e que lhes permitia a ousadia de pretender ensinar quem quer que fosse.

confidentPedro responde com poucas palavras, sem rodeios: falamos em nome de Jesus Cristo, aquele que vocês mataram, mas que Deus ressuscitou dos mortos. Não existe outro nome capaz de salvar. Essa resposta me lembra muito alguém com a coluna muito ereta, o peito estufado. Ousadia. Coragem. Confiança. Como está na Bíblia Viva, “Quando os membros do Sinédrio viram a coragem de Pedro e João, e percebendo que eles eram evidentemente homens simples e sem cultura, ficaram admirados e reconheceram o que a convivência com Jesus havia feito neles” (verso 13).

Mas a coluna de Pedro nem sempre esteve assim retinha. No dia do aprisionamento de Jesus, quando perguntado se O conhecia, Pedro se encolheu todo e negou.

Anos atrás a revista Carta Capital publicou uma longa matéria sobre evangélicos no Brasil e chegou a uma curiosa constatação: a elite brasileira não gosta dos evangélicos porque há algo na fé deles que melhora sua autoestima, os faz empinar o peito e exigir seus direitos.

Que lindo paradoxo temos aqui: seguir o humilde galileu, assumir o tipo de humildade que Ele praticou, deveria melhorar, e não piorar nossa autoestima, deveria nos encher de uma santa ousadia e de um destemor sobrenatural.

A graça veio com seu dedo indicador e empurrou nossa coluna pra frente. A graça veio e nos mostrou quem somos e o que somos é muita coisa. Agora estufamos o peito, erguemos o pescoço não por nos sentirmos superiores a quem quer que seja, mas por saber que não somos inferiores a ninguém, nem mesmo aos que o mundo aplaude como vitoriosos. Acertamos nossa postura com a certeza de que somos valiosos porque somos filhos de Deus e que Ele nos viu dignos de enviar Seu próprio Filho para morrer em nosso lugar.

E o fato de estarmos sempre prontos a nos curvar e servir não significa que nos sentimos menores do que efetivamente somos. Antes, bem ao contrário.

Marco Aurélio Brasil…a espinha ereta e o coração tranquilo
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# O reequilíbrio definitivo

jesusNesta semana, conversando com uma amiga advogada que há muito não encontrava, falávamos sobre processos judiciais, até que ela passou a desabafar sobre suas lutas, mencionando o desgaste e o cansaço que a esgotavam devido a uma série de fatores.

Em um dado instante da conversa, ela justificou ainda suportar tanto peso por ser praticante de artes marciais leves e do budismo, que em muito reequilibram o seu vigor físico e mental no dia a dia. Logo ela se voltou para mim e disse que todos deveriam conhecer essas diretrizes. Com o carinho de sempre com que lhe trato, respondi apenas que meu equilíbrio busco no convívio com o Eterno, desde o tempo em que conheci sua palavra.

Ela prontamente respondeu que não deixa de ser também uma fonte de energia e de sabedoria, mas que ela não estava falando de religião. Este normalmente é o xis da questão para as pessoas que desconhecem a busca – pensam logo em religião – especialmente, no sentido mais distorcido que os tempos e os homens providenciaram para conceitua-la.

Respondi a ela que eu não estava a falar de religião, no sentido de denominação religiosa, e sim de todo um contexto espiritual que ocorre desde a criação até os nossos dias, e que somente mediante o estudo, a meditação e a busca de intimidade com as escrituras judaico-cristãs, se pode chegar à verdadeira compreensão de seu propósito, que é simples, por sinal. Conduzir o homem de volta ao convívio efetivo com o Criador dos mundos.

Disse-lhe que entendo que a sabedoria desses exercícios orientais proporcione benefícios à saúde, até mesmo um reflexo de paz interior, no entanto, que também penso estar limitada a isso, e ao tempo de nossa existência e de nossos esforços, residindo aí, sobretudo, a diferença da proposta essencial do Criador para este tempo físico-existencial, afinal o seu benefício não poderia ser proporcionado ao homem pelo esforço do próprio homem, qual seja o viver a paz verdadeira.

Esclareci que essa paz de que eu falava, o mundo não pode nos dar, e que há uma sabedoria suprema que foi ocultada aos sábios e instruídos, sendo, inclusive, loucura para o mundo, motivo de escárnio, e que fora revelada ao único ser que, de fato, pode revigorar-nos, dando-nos descanso à alma, pois a conheceu antes de estar entre nós. Um ser totalmente real, acreditasse ou não.

Podemos viver bem, reequilibrando-nos do estresse com uma série de práticas saudáveis, mas só a sabedoria do alto pode nos proporcionar uma vida em que o equilíbrio seja uma constante sobrenatural, contudo, para que isso aconteça, é preciso ter uma experiência real com Deus, pois só assim passaremos do estágio de tentativas limitadas de reposição do vigor, para um amadurecimento espiritual que transforma, dando-nos a capacidade de vivenciarmos qualquer situação.

Feliz sábado a todos!

Sadi – Um Peregrino da Palavra

Sady Folch# O reequilíbrio definitivo
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# Voo em formação

Será que podemos relacionar um hábito entre os gansos em voo, com o que se espera aconteça entre os discípulos de Cristo? Ou melhor, por que não dizer, entre a humanidade? Para justificar a comparação, pergunto: o que marca as cartas de Paulo enviadas às localidades onde se encontravam os novos discípulos de Cristo? Por certo, e com razão alguém dirá serem os ensinamentos, as exortações e os esclarecimentos sobre tudo aquilo que se refere o viver o evangelho, ou seja, mediante o sustento do amor incondicional.

Porém, uma essência ressalta dos objetivos daquelas linhas. Solidariedade e sabedoria. Mas, afinal, o que isso tem em comum com os gansos em voo? Simples. Também ensinamentos, mas sobretudo exercício de solidariedade e sabedoria, que sustentam e proporcionam vida a todos rumo ao Eterno.

Um bando de gansos voando por longas distâncias adota a formação em “V”, porque dela se depreende não apenas uma solidariedade instintiva que os ajuda a cumprir o percurso, mas porque desde cedo aprendem as sábias lições de seus pais, utilizando-as em favor de sua vida e do grupo.

Enquanto as aves da frente batem suas asas, diz a ciência, as de trás são beneficiados com pelo menos 71% de força a mais do que se voassem sozinhas. Ao baterem as asas, o ar que se move ajuda a sustentar a ave que esteja logo atrás. Se um desses gansos sai do alinhamento, ele sente o esforço e a resistência para voar sozinho. Não à toa, pela sabedoria da observação que o instinto registra, de imediato retorna ao grupo.

Pelo mesmo ensinamento, o líder quando se cansa, deixa o seu lugar e toma outro na formação, permitindo que o seguinte o substitua, podendo assim se beneficiar do deslocamento de ar. E, em todo o percurso, se algum deles adoece, alguns poucos saem da formação para acompanhá-lo até terra firme, e ali permanecerem até que possam voltar.

Ao escrever aos novos convertidos, Paulo, mediante as explicações do que seja viver o evangelho, buscava realinhar o comportamento dos discípulos, que por ventura estivessem vivendo alguma distorção, de volta às linhas essenciais na formação do cristianismo. Com isso, sua voz e testemunho incentivavam que continuassem o percurso.

Às vezes, para corrigir enganos que pudessem estar sendo cometidos por conta da permanência da antiga natureza humana, às vezes, para defendê-los de teorias que distorciam a essência do viver em Cristo, que é simples por si mesma, sem peso, e que sustenta o convertido rumo à convivência definitiva com o Eterno, razão de toda a obra divina.

Ele o fazia com o amor que caracteriza o cristianismo, ensinando-os a se amarem e sustentarem uns aos outros, como ele aprendeu de Cristo a fazê-lo, alertando-os da dependência do Mestre para viverem e ensinarem a obra que objetiva o retorno do homem ao convívio com o Eterno. Se algum deles adoecia, outros se mobilizavam para trazer o conforto que precisasse. Se alguém necessitasse de algo, igualmente deixavam seus afazeres para dar atenção àquelas necessidades.

Isso é o cristianismo. Uns agindo pelos outros e todos voando juntos rumo ao local onde se encontra o calor, a comida farta, a água e a proteção do inverno dos tempos. Assim deveria ser, também, com toda a humanidade, uns pelos outros na vida, buscando o equilíbrio do voo em formação, todos em direção ao Eterno.

Que você, seus amigos, sua família possam formar um voo conjunto durante esta semana, ajudando-se uns aos outros, com o olhar voltado para Deus, pois em lugar algum há de encontrar melhor sustento e proteção.

O Senhor sobre ti levante o rosto e te dê a paz

Ṣadi – Um Peregrino da Palavra

Sady Folch# Voo em formação
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# A Jornada

O que há entre a grande parte dos filmes e romances ficcionais que possa identificar-lhes em comum? A jornada de seus protagonistas. Os roteiros retratam, em sua maioria, o herói vivenciando momentos de superação por alguma situação que os tenha tirado de seu mundo comum. Eles são chamados a se levantarem e lutarem para transpor dificuldades internas ou externas que, possivelmente, não estivessem nem mesmo preparados para superá-las ou combatê-las.

Assim também se dá em meio a nossa história de religação com Deus. Independentemente da ocorrência em que se nos foi apresentado o evangelho, aceitando-o ou não, o fato é que ele nos convida a sairmos do lugar comum, da comodidade a que estamos acostumados, e a aceitarmos esse chamado do mundo especial, onde todas as coisas são completamente diversas das que aprendemos até então. Contudo, para isso será necessário enfrentarmos obstáculos, inimigos e situações das mais diversas que buscarão nos desestimular e fazer-nos desistir de nos mantermos no caminho, antes e durante a jornada.

Em todas as ocasiões, nos diz a Palavra, nosso inimigo não é a carne ou o sangue, ou seja, o homem em si, mas o mal que o influencia. Para combater a fonte, precisamos de ajudantes e armas espirituais. Os primeiros estão no exército do Senhor e, as armas, essencialmente se faz representada pela armadura descrita no livro de efésios (6:11), qual seja a espada representada pela Palavra de Deus, o capacete da salvação, o escudo da fé, o colete da justiça e o cinturão da verdade, sempre calçando os pés com o evangelho da paz.

Sem isso não podemos vencer, afinal, o inimigo transpõe a barreira do visível. Está no mundo espiritual, quando não está dentro de nós mesmos, em nosso interior, representado pelas dificuldades de hábitos que precisamos superar. A ajuda vem do Senhor que por nós intercede se temos um coração puro no sentido do reconhecimento de nossos erros e da necessidade de nosso arrependimento verdadeiro. Deus conhece o nosso coração e, antes que pedimos, Ele próprio sai em nosso favor, dando-nos livramentos que nem sonhamos tê-los precisados.

Somente nos alimentando da Palavra poderemos seguir nesse caminho de lutas e superações a que somos convidados a percorrer, adquirindo poder de Deus, saindo do lugar comum a que estamos acostumados para atingirmos ao momento do grande prêmio a que nos destina todo esse pequeno percurso da vida. Isso ocorrerá com a volta do Messias.

Assim diz o verso do poeta Gonçalves Dias, no poema – Canção do Tamoio – “A vida é combate, que os fracos abate, que os fortes e bravos, só pode exaltar”. Contudo, a essa luta a que nos destinamos, nós que cremos no Messias e em seu Pai, sabemos que neles nos fortalecemos, e por isso mesmo é que podemos dizer, inclusive, que quando somos fracos aí é que somos fortes, pois entra em cena o poder de Deus. Há grande estratégia de sabedoria nesse reconhecimento.

Shabbat Shalom!

Ṣadi – Um Peregrino da Palavra

Sady Folch# A Jornada
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# Confia no Senhor

Dois amigos haviam entrado em uma floresta para colher ervas medicinais, quando, de repente, perceberam que estavam diante de um enorme lobo. Um deles, o mais ágil, de imediato e sem nem pensar no companheiro, virou-se e subiu a primeira árvore que o permitiu estar a salvo. O outro que não teve a mesma reação, sustentou-se em Deus, aceitando o resultado que lhe viesse. Então, abaixou-se e se fingiu de morto. O lobo se aproximou, cheirou o rapaz e, por acreditar estar morto, foi embora.

O amigo desceu da árvore e perguntou ao outro se foi uma alucinação o que presenciara do alto, pois tinha acabado de ver o animal sussurrar algo em seu ouvido. Quando então ouviu daquele que sobreviveu no chão, que o lobo o aconselhou escolher melhor os amigos, pois em tempos de dificuldade é que se percebe quais são os que permanecem.

Nesta semana, durante uma entrevista à televisão portuguesa, o ex-presidente ao ser pego de surpresa quando a entrevistadora lhe disse que os condenados foram seus homens de confiança na administração federal, ele, surpreendentemente, mais do que rápido e sem pestanejar negou que o fossem de sua confiança. Ainda que a atitude lhe revele o caráter, é lamentável que tenha de ser assim.

Pois bem, os fatos falam por si mesmo na maioria dos casos semelhantes, assim como os registros nas escrituras são inúmeros quanto ao tema: “Melhor é confiar em Deus do que no homem.” (Sl. 118). “Assim diz o Senhor: Maldito o homem que confia no homem e aparta o seu coração do Senhor! Bendito o homem que confia em Deus!” (Jeremias 17).

No dia em que o Jesus se reuniu com seus discípulos para a última ceia, revelou-lhes que seria preso e condenado à morte, no entanto, que ressuscitaria depois de três dias; nesse instante, o apóstolo Pedro afirmara que jamais deixaria isso acontecer. Todos sabem, não foi o que as escrituras registram ter acontecido. No momento crucial, Pedro abandonou seu amigo, e mais, chegou a até mesmo por três vezes, negar conhecer o condenado.

Durante a ceia, após repreender as frágeis palavras de Pedro, Jesus afirmou que aquele que conhece o evangelho e ainda assim prefira viver preocupando-se com si mesmo, escolhendo “salvar sua vida”, este por certo a irá perder. Apenas quem ame o evangelho a ponto de abrir mão de seu ego, viverá.

Cristo confiou em Deus, por isso, independentemente da opinião dos homens crerem ou não na obra de resgate que o Eterno está realizando, entregou-se para que atribuísse a ela o seu sentido maior que precisou ser vivido, qual seja dar a sua própria vida pela humanidade.

Ele é o exemplo de caráter a ser seguido. O pastor que deu a vida pelo rebanho. E, de fato, pela obra da cruz, ele enfrentou o lobo, tirando de suas garras a possibilidade infinda deste sustentar a morte.

Está chegando ao fim o tempo do homem que deseja salvar a si próprio, ou daquele que se aparta de Deus para confiar no homem. Esse tipo de homem salva sua vida e sente-se satisfeito por isso. Não se arrepende. É orgulhoso e vaidoso. Por certo será tarde demais quando da volta de Jesus. É melhor que pense nisso agora. Confia no Senhor!

Shalom!

Sadi – Um Peregrino da Palavra

Sady Folch# Confia no Senhor
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# O meu redentor vive!

Há algumas relações interessantes entre a páscoa judaica e a cristã.

Pessach em hebraico significa passagem. A festa da páscoa na cultura judaica, como todos sabem, comemora a libertação de Israel da escravidão no Egito. Isso teria acontecido no mês de nissan, que marca também a transição entre o inverno e a primavera no hemisfério norte. Por aí é fácil verificar como inverno e escravidão, primavera e liberdade se relacionem simbolicamente.

A páscoa cristã, por sua vez, comemora a ressurreição de Cristo e representa a vitória da vida sobre a morte, relacionando-se à libertação da sujeição do ser humano ao pecado e, consequentemente, da morte que não nos permitiu vivermos a plenitude com Deus desde a separação.

No entanto, por vivermos, ainda, em corpo corruptível, o pecado permanece em nós, todavia pela realização da promessa de liberdade por ocasião da morte ter sido vencida, recebemos a possibilidade de vivermos pela graça, rejeitando o pecado, até a volta de Jesus.

A ressurreição de Cristo se tornou nossa páscoa, ou seja, nossa passagem: da morte espiritual para a vida e, porque ainda esperamos a sua volta, para enfim vivermos a plenitude dessa vida espiritual, a graça representa um reflexo da vida plena que haveremos de viver, assim como os israelitas que foram libertos da escravidão, continuaram no deserto até que pudessem entrar na terra prometida.

A abundância que vivemos o é por meio da graça, que nos permite suplantar a corrupção de que é feita nosso corpo. Isto, pois, em Cristo depositamos toda a confiança que precisamos para seguir com fé neste deserto. A ele entregamos nossos fardos, impossíveis de carregar por nós mesmos e, recebemos a sua paz que excede ao entendimento humano, justamente para que possamos ter uma postura diferenciada da que tem o mundo diante das adversidades.

Dito isto, é importante ressaltar uma forte semelhança entre os fatos que ensejaram ambas as páscoas. Cumpre dizer que a festa de “pessach” tem seu significado – passagem – por conta da passagem do anjo enviado por Deus ao Egito, e não da passagem, essencialmente, da escravidão para a liberdade. Aqui reside a semelhança maior. Foi comunicado a Moisés que as casas dos israelitas deveriam ter seus umbrais marcados pelo sangue de um cordeiro, e assim os escolhidos não seriam atingidos pela morte.

Cristo é esse cordeiro. Dele é o sangue que nos marca, que nos sela para o tempo do juízo, que haverá de ocorrer por ocasião de sua volta. Maranata! E, como afirmou Paulo ter o Eterno ressuscitado a seu filho, o pregação do evangelho e a fé em Cristo não são vãs.

Por tudo isso podemos evocar as palavras de Jó, e dizer felizes: Porque eu sei que o meu redentor vive!

Shalom!

Sadi – Um Peregrino da Palavra

Sady Folch# O meu redentor vive!
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# Perfeição e Perfeccionismo

Revelou o profeta Jeremias: “Eis que dias vêm, diz o Senhor, em que farei uma aliança nova com a casa de Israel e com a casa de Judá”. Esses dias chegaram quando Jesus esteve na terra, quando veio para os Judeus, segundo a promessa, mas eles não o reconheceram. Não o aceitaram. Estavam cheios de si, movidos por tradições e conceitos perfeccionistas, resultado das interpretações humanas aos livros sagrados.

Por acreditar na perfeição de seu próprio entendimento, o homem deixou a convivência com o Eterno. A retomada do relacionamento se deu por meio de Abraão. Ainda assim, um tempo depois, a criatura precisou ser libertada da escravidão a que estava sujeita pelo Egito físico, tanto quanto pelo espiritual.

Nessa ocasião Moisés (humanidade) recebeu pela lei o entendimento do pecado, como também o caminho para o aperfeiçoamento humano que se daria através da observância dos mandamentos. Os sacrifícios, especialmente, serviam para redimir o homem quando da possibilidade de tropeço, característica humana devido a ausência da perfeição. Neles residia não apenas o fator temporário – purificar-se, mas, sobretudo o proporcionar a transformação da psique humana, rumo à perfeição que um dia se tornaria definitiva.

Hoje nos deparamos com as mais diversas interpretações das escrituras, das quais surgiram milhares de denominações cristãs em todo o mundo. Todas estas tentando demonstrar a perfeição que as revelações encerram, contudo segundo o entendimento de seus líderes, como é de se esperar do fruto do perfeccionismo, e, por isso, não incluem ao Senhor nesse contexto. Apenas o dizem fazê-lo. São homens disputando o melhor lugar na promessa, agindo como Abraão e Sara, limitados como convém ao homem que não anda pela fé em Deus.

Pode-se testemunhar na internet, nos templos, nos debates (inclusive, ofensivos), nas doutrinas e na própria vida de muitos cristãos, uma disparidade enorme em relação à essência do evangelho. Em nome da perfeição, o perfeccionismo cria homens “espirituais” cheios de neurose emocional, claramente afastados do amor de Deus e das interpretações definitivas registradas pelos livros e cartas dos apóstolos.

A perfeição é objetivo de toda a vida. É fruto da comunhão com o Espírito Santo que a tudo revela e esclarece. O sentimento dessa busca se materializa em uma vida de entrega aos preceitos do evangelho, e leva o homem a viver com alegria, em paz, decorrência da fé que é o motor de todo esse mecanismo de retorno ao Eterno.

Perfeccionismo é o resultado de distorções e de sentimentos que acredita-se possam ser vividos antes da eternidade. Ledo engano. É resultado de cargas pesadas lançadas sobre os ombros, impossíveis de se carregar. É nada mais do que um caminho para o esgotamento espiritual, quando não faz cair antes aqueles que detectam o engano produzido por líderes desequilibrados e em desarmonia com a essência do evangelho.

Servo do Senhor, segue o teu caminho em direção ao alvo que é Cristo. Leia a palavra. Viva-a em tua vida sabendo que neste mundo não há a menor chance de ser perfeito, mas tão somente viver o reflexo da perfeição pela dependência de Cristo. Então um dia viverá a recompensa por tua escolha pela obediência e pelo reconhecimento da tua dependência.

Shabbat Shalom!

Sadi – Um Peregrino da Palavra

Sady Folch# Perfeição e Perfeccionismo
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# Águas de Pedra

As escrituras apresentam fatos interessantes, muitos deles sobrenaturais, mas é importante, sobretudo que possamos entendê-los pela medida daquilo que nos ensinam, percebendo que há nos seus encadeamentos, o elo que os conduz a uma história coerente e verdadeira. Não são apenas registros das experiências que o povo passou, tanto quanto podemos tomá-los por sombras das coisas futuras que prediziam do Messias que viria.

São momentos de uma história que ainda está sendo contada; esta que possibilita ao homem o seu retorno ao Eterno. Para vivê-lo é preciso nascer de novo, tornar-se novo homem, despir-se da velha natureza, vivendo pelos frutos do espírito.

Em Horebe, no deserto, todo o povo sentia sede e se dirigiu a Moisés, seu líder espiritual, para que ele solucionasse o impasse. Orientado pelo Eterno, tomou seu cajado e golpeou a pedra por uma vez, saindo dela água para o povo. E todos saciaram a sede. A esse reflexo, registrou Paulo na primeira carta aos coríntios o seu entendimento: A pedra era o Messias.

Uma rocha espiritual que os seguia. Um testemunho para que o povo vivesse pela fé, como também uma sombra do que caracterizaria o Cristo em seu tempo, pelo que este afirmou ao dizer: “Eu sou a rocha”; “Eu sou a fonte de água viva”. A propósito, a rocha a ser ferida e dela verter a paz, refletia o que ele próprio iria viver, confirmado pela profecia que ele seria golpeado e por suas feridas, nós seríamos curados.

Décadas depois, precisamente no quadragésimo ano após a saída do Egito, o mesmo fato volta a ocorrer. O povo cobrou de Moisés a solução do problema. Da mesma forma ele voltou-se ao Senhor para receber a orientação. Alguns poderiam se perguntar o porquê dele ter feito isso, pois já havia ocorrido fato semelhante, ou seja, bastaria ferir a rocha novamente.

Mas, não é tão simples assim. Um líder espiritual, assim como também é ensinamento para nós, precisa conhecer a vontade do Eterno, pois só o Pai sabe os segredos ocultos em nosso coração e a fase de nosso desenvolvimento espiritual. Mas, enfim, Moisés consultou a Deus e ouviu dele que tomasse o seu bordão e fosse à rocha e com ela falasse. Falar com a rocha? Sim, falar. Era o que deveria fazer.

E então, dirigindo-se ao povo de forma arrogante, como se ele próprio fosse o responsável, e não Deus, pela água que verteria, também de maneira desaforada, em vez de falar à rocha, feriu-a não uma, mas duas vezes, demonstrando a desobediência e a inacreditável (por tudo que até aquele momento já havia ocorrido) falta de fé no Eterno. Ainda que a água tenha vertido, pois o Senhor cumpre seus desígnios, sua descrença e desobediência o impediram entrar na terra prometida.

Este fato traduz dois importantes comportamentos para aquele que busca a Deus: a fé em Jesus e a obediência ao mandamento. Hoje vivemos o tempo da graça pela obra ocorrida no madeiro, pois aquele que nos traz a paz está vivo. Não necessitamos mais ferir a rocha para que dela surja a água que sacia. Se andamos com ele, basta pedirmos. Através de seus ensinamentos, entendemos a necessidade da transformação para que habite em nós um novo homem, e assim vivermos experiências sobrenaturais, sendo, sobretudo reais com Deus.

Quem lê, entenda.

Shabbat Shalom!

Sadi – Um Peregrino da Palavra

Sady Folch# Águas de Pedra
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