Publicações com Graça

…a espinha ereta e o coração tranquilo

Aquela mãe de amigos meus se incomodava profundamente com minha postura desleixada na adolescência e achou um jeito bastante interessante de me fazer conscientizar sobre a necessidade de vigiar minha postura: toda vez que me via emulando Quasímodo, com os ombros projetados pra frente e a cabeça entre eles, ela vinha por trás e empurrava com o nó do indicador a base de minha coluna lombar. Num passe de mágica minha postura se emendava.

Por alguma razão lembrei disso lendo Atos 4. Os apóstolos pregavam sobre Jesus, dizendo que Ele havia ressuscitado quando foram chamados perante os líderes judaicos para responder com que autoridade falavam aquelas coisas. Aparentemente, naquele tempo você precisava necessariamente ter autoridade vinda de cima para fazer qualquer coisa. Eles queriam saber qual era a escola rabínica à qual estavam afiliados e que lhes permitia a ousadia de pretender ensinar quem quer que fosse.

confidentPedro responde com poucas palavras, sem rodeios: falamos em nome de Jesus Cristo, aquele que vocês mataram, mas que Deus ressuscitou dos mortos. Não existe outro nome capaz de salvar. Essa resposta me lembra muito alguém com a coluna muito ereta, o peito estufado. Ousadia. Coragem. Confiança. Como está na Bíblia Viva, “Quando os membros do Sinédrio viram a coragem de Pedro e João, e percebendo que eles eram evidentemente homens simples e sem cultura, ficaram admirados e reconheceram o que a convivência com Jesus havia feito neles” (verso 13).

Mas a coluna de Pedro nem sempre esteve assim retinha. No dia do aprisionamento de Jesus, quando perguntado se O conhecia, Pedro se encolheu todo e negou.

Anos atrás a revista Carta Capital publicou uma longa matéria sobre evangélicos no Brasil e chegou a uma curiosa constatação: a elite brasileira não gosta dos evangélicos porque há algo na fé deles que melhora sua autoestima, os faz empinar o peito e exigir seus direitos.

Que lindo paradoxo temos aqui: seguir o humilde galileu, assumir o tipo de humildade que Ele praticou, deveria melhorar, e não piorar nossa autoestima, deveria nos encher de uma santa ousadia e de um destemor sobrenatural.

A graça veio com seu dedo indicador e empurrou nossa coluna pra frente. A graça veio e nos mostrou quem somos e o que somos é muita coisa. Agora estufamos o peito, erguemos o pescoço não por nos sentirmos superiores a quem quer que seja, mas por saber que não somos inferiores a ninguém, nem mesmo aos que o mundo aplaude como vitoriosos. Acertamos nossa postura com a certeza de que somos valiosos porque somos filhos de Deus e que Ele nos viu dignos de enviar Seu próprio Filho para morrer em nosso lugar.

E o fato de estarmos sempre prontos a nos curvar e servir não significa que nos sentimos menores do que efetivamente somos. Antes, bem ao contrário.

Marco Aurélio Brasil…a espinha ereta e o coração tranquilo
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# O reequilíbrio definitivo

jesusNesta semana, conversando com uma amiga advogada que há muito não encontrava, falávamos sobre processos judiciais, até que ela passou a desabafar sobre suas lutas, mencionando o desgaste e o cansaço que a esgotavam devido a uma série de fatores.

Em um dado instante da conversa, ela justificou ainda suportar tanto peso por ser praticante de artes marciais leves e do budismo, que em muito reequilibram o seu vigor físico e mental no dia a dia. Logo ela se voltou para mim e disse que todos deveriam conhecer essas diretrizes. Com o carinho de sempre com que lhe trato, respondi apenas que meu equilíbrio busco no convívio com o Eterno, desde o tempo em que conheci sua palavra.

Ela prontamente respondeu que não deixa de ser também uma fonte de energia e de sabedoria, mas que ela não estava falando de religião. Este normalmente é o xis da questão para as pessoas que desconhecem a busca – pensam logo em religião – especialmente, no sentido mais distorcido que os tempos e os homens providenciaram para conceitua-la.

Respondi a ela que eu não estava a falar de religião, no sentido de denominação religiosa, e sim de todo um contexto espiritual que ocorre desde a criação até os nossos dias, e que somente mediante o estudo, a meditação e a busca de intimidade com as escrituras judaico-cristãs, se pode chegar à verdadeira compreensão de seu propósito, que é simples, por sinal. Conduzir o homem de volta ao convívio efetivo com o Criador dos mundos.

Disse-lhe que entendo que a sabedoria desses exercícios orientais proporcione benefícios à saúde, até mesmo um reflexo de paz interior, no entanto, que também penso estar limitada a isso, e ao tempo de nossa existência e de nossos esforços, residindo aí, sobretudo, a diferença da proposta essencial do Criador para este tempo físico-existencial, afinal o seu benefício não poderia ser proporcionado ao homem pelo esforço do próprio homem, qual seja o viver a paz verdadeira.

Esclareci que essa paz de que eu falava, o mundo não pode nos dar, e que há uma sabedoria suprema que foi ocultada aos sábios e instruídos, sendo, inclusive, loucura para o mundo, motivo de escárnio, e que fora revelada ao único ser que, de fato, pode revigorar-nos, dando-nos descanso à alma, pois a conheceu antes de estar entre nós. Um ser totalmente real, acreditasse ou não.

Podemos viver bem, reequilibrando-nos do estresse com uma série de práticas saudáveis, mas só a sabedoria do alto pode nos proporcionar uma vida em que o equilíbrio seja uma constante sobrenatural, contudo, para que isso aconteça, é preciso ter uma experiência real com Deus, pois só assim passaremos do estágio de tentativas limitadas de reposição do vigor, para um amadurecimento espiritual que transforma, dando-nos a capacidade de vivenciarmos qualquer situação.

Feliz sábado a todos!

Sadi – Um Peregrino da Palavra

Sady Folch# O reequilíbrio definitivo
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# Voo em formação

Será que podemos relacionar um hábito entre os gansos em voo, com o que se espera aconteça entre os discípulos de Cristo? Ou melhor, por que não dizer, entre a humanidade? Para justificar a comparação, pergunto: o que marca as cartas de Paulo enviadas às localidades onde se encontravam os novos discípulos de Cristo? Por certo, e com razão alguém dirá serem os ensinamentos, as exortações e os esclarecimentos sobre tudo aquilo que se refere o viver o evangelho, ou seja, mediante o sustento do amor incondicional.

Porém, uma essência ressalta dos objetivos daquelas linhas. Solidariedade e sabedoria. Mas, afinal, o que isso tem em comum com os gansos em voo? Simples. Também ensinamentos, mas sobretudo exercício de solidariedade e sabedoria, que sustentam e proporcionam vida a todos rumo ao Eterno.

Um bando de gansos voando por longas distâncias adota a formação em “V”, porque dela se depreende não apenas uma solidariedade instintiva que os ajuda a cumprir o percurso, mas porque desde cedo aprendem as sábias lições de seus pais, utilizando-as em favor de sua vida e do grupo.

Enquanto as aves da frente batem suas asas, diz a ciência, as de trás são beneficiados com pelo menos 71% de força a mais do que se voassem sozinhas. Ao baterem as asas, o ar que se move ajuda a sustentar a ave que esteja logo atrás. Se um desses gansos sai do alinhamento, ele sente o esforço e a resistência para voar sozinho. Não à toa, pela sabedoria da observação que o instinto registra, de imediato retorna ao grupo.

Pelo mesmo ensinamento, o líder quando se cansa, deixa o seu lugar e toma outro na formação, permitindo que o seguinte o substitua, podendo assim se beneficiar do deslocamento de ar. E, em todo o percurso, se algum deles adoece, alguns poucos saem da formação para acompanhá-lo até terra firme, e ali permanecerem até que possam voltar.

Ao escrever aos novos convertidos, Paulo, mediante as explicações do que seja viver o evangelho, buscava realinhar o comportamento dos discípulos, que por ventura estivessem vivendo alguma distorção, de volta às linhas essenciais na formação do cristianismo. Com isso, sua voz e testemunho incentivavam que continuassem o percurso.

Às vezes, para corrigir enganos que pudessem estar sendo cometidos por conta da permanência da antiga natureza humana, às vezes, para defendê-los de teorias que distorciam a essência do viver em Cristo, que é simples por si mesma, sem peso, e que sustenta o convertido rumo à convivência definitiva com o Eterno, razão de toda a obra divina.

Ele o fazia com o amor que caracteriza o cristianismo, ensinando-os a se amarem e sustentarem uns aos outros, como ele aprendeu de Cristo a fazê-lo, alertando-os da dependência do Mestre para viverem e ensinarem a obra que objetiva o retorno do homem ao convívio com o Eterno. Se algum deles adoecia, outros se mobilizavam para trazer o conforto que precisasse. Se alguém necessitasse de algo, igualmente deixavam seus afazeres para dar atenção àquelas necessidades.

Isso é o cristianismo. Uns agindo pelos outros e todos voando juntos rumo ao local onde se encontra o calor, a comida farta, a água e a proteção do inverno dos tempos. Assim deveria ser, também, com toda a humanidade, uns pelos outros na vida, buscando o equilíbrio do voo em formação, todos em direção ao Eterno.

Que você, seus amigos, sua família possam formar um voo conjunto durante esta semana, ajudando-se uns aos outros, com o olhar voltado para Deus, pois em lugar algum há de encontrar melhor sustento e proteção.

O Senhor sobre ti levante o rosto e te dê a paz

Ṣadi – Um Peregrino da Palavra

Sady Folch# Voo em formação
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# A Jornada

O que há entre a grande parte dos filmes e romances ficcionais que possa identificar-lhes em comum? A jornada de seus protagonistas. Os roteiros retratam, em sua maioria, o herói vivenciando momentos de superação por alguma situação que os tenha tirado de seu mundo comum. Eles são chamados a se levantarem e lutarem para transpor dificuldades internas ou externas que, possivelmente, não estivessem nem mesmo preparados para superá-las ou combatê-las.

Assim também se dá em meio a nossa história de religação com Deus. Independentemente da ocorrência em que se nos foi apresentado o evangelho, aceitando-o ou não, o fato é que ele nos convida a sairmos do lugar comum, da comodidade a que estamos acostumados, e a aceitarmos esse chamado do mundo especial, onde todas as coisas são completamente diversas das que aprendemos até então. Contudo, para isso será necessário enfrentarmos obstáculos, inimigos e situações das mais diversas que buscarão nos desestimular e fazer-nos desistir de nos mantermos no caminho, antes e durante a jornada.

Em todas as ocasiões, nos diz a Palavra, nosso inimigo não é a carne ou o sangue, ou seja, o homem em si, mas o mal que o influencia. Para combater a fonte, precisamos de ajudantes e armas espirituais. Os primeiros estão no exército do Senhor e, as armas, essencialmente se faz representada pela armadura descrita no livro de efésios (6:11), qual seja a espada representada pela Palavra de Deus, o capacete da salvação, o escudo da fé, o colete da justiça e o cinturão da verdade, sempre calçando os pés com o evangelho da paz.

Sem isso não podemos vencer, afinal, o inimigo transpõe a barreira do visível. Está no mundo espiritual, quando não está dentro de nós mesmos, em nosso interior, representado pelas dificuldades de hábitos que precisamos superar. A ajuda vem do Senhor que por nós intercede se temos um coração puro no sentido do reconhecimento de nossos erros e da necessidade de nosso arrependimento verdadeiro. Deus conhece o nosso coração e, antes que pedimos, Ele próprio sai em nosso favor, dando-nos livramentos que nem sonhamos tê-los precisados.

Somente nos alimentando da Palavra poderemos seguir nesse caminho de lutas e superações a que somos convidados a percorrer, adquirindo poder de Deus, saindo do lugar comum a que estamos acostumados para atingirmos ao momento do grande prêmio a que nos destina todo esse pequeno percurso da vida. Isso ocorrerá com a volta do Messias.

Assim diz o verso do poeta Gonçalves Dias, no poema – Canção do Tamoio – “A vida é combate, que os fracos abate, que os fortes e bravos, só pode exaltar”. Contudo, a essa luta a que nos destinamos, nós que cremos no Messias e em seu Pai, sabemos que neles nos fortalecemos, e por isso mesmo é que podemos dizer, inclusive, que quando somos fracos aí é que somos fortes, pois entra em cena o poder de Deus. Há grande estratégia de sabedoria nesse reconhecimento.

Shabbat Shalom!

Ṣadi – Um Peregrino da Palavra

Sady Folch# A Jornada
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# Confia no Senhor

Dois amigos haviam entrado em uma floresta para colher ervas medicinais, quando, de repente, perceberam que estavam diante de um enorme lobo. Um deles, o mais ágil, de imediato e sem nem pensar no companheiro, virou-se e subiu a primeira árvore que o permitiu estar a salvo. O outro que não teve a mesma reação, sustentou-se em Deus, aceitando o resultado que lhe viesse. Então, abaixou-se e se fingiu de morto. O lobo se aproximou, cheirou o rapaz e, por acreditar estar morto, foi embora.

O amigo desceu da árvore e perguntou ao outro se foi uma alucinação o que presenciara do alto, pois tinha acabado de ver o animal sussurrar algo em seu ouvido. Quando então ouviu daquele que sobreviveu no chão, que o lobo o aconselhou escolher melhor os amigos, pois em tempos de dificuldade é que se percebe quais são os que permanecem.

Nesta semana, durante uma entrevista à televisão portuguesa, o ex-presidente ao ser pego de surpresa quando a entrevistadora lhe disse que os condenados foram seus homens de confiança na administração federal, ele, surpreendentemente, mais do que rápido e sem pestanejar negou que o fossem de sua confiança. Ainda que a atitude lhe revele o caráter, é lamentável que tenha de ser assim.

Pois bem, os fatos falam por si mesmo na maioria dos casos semelhantes, assim como os registros nas escrituras são inúmeros quanto ao tema: “Melhor é confiar em Deus do que no homem.” (Sl. 118). “Assim diz o Senhor: Maldito o homem que confia no homem e aparta o seu coração do Senhor! Bendito o homem que confia em Deus!” (Jeremias 17).

No dia em que o Jesus se reuniu com seus discípulos para a última ceia, revelou-lhes que seria preso e condenado à morte, no entanto, que ressuscitaria depois de três dias; nesse instante, o apóstolo Pedro afirmara que jamais deixaria isso acontecer. Todos sabem, não foi o que as escrituras registram ter acontecido. No momento crucial, Pedro abandonou seu amigo, e mais, chegou a até mesmo por três vezes, negar conhecer o condenado.

Durante a ceia, após repreender as frágeis palavras de Pedro, Jesus afirmou que aquele que conhece o evangelho e ainda assim prefira viver preocupando-se com si mesmo, escolhendo “salvar sua vida”, este por certo a irá perder. Apenas quem ame o evangelho a ponto de abrir mão de seu ego, viverá.

Cristo confiou em Deus, por isso, independentemente da opinião dos homens crerem ou não na obra de resgate que o Eterno está realizando, entregou-se para que atribuísse a ela o seu sentido maior que precisou ser vivido, qual seja dar a sua própria vida pela humanidade.

Ele é o exemplo de caráter a ser seguido. O pastor que deu a vida pelo rebanho. E, de fato, pela obra da cruz, ele enfrentou o lobo, tirando de suas garras a possibilidade infinda deste sustentar a morte.

Está chegando ao fim o tempo do homem que deseja salvar a si próprio, ou daquele que se aparta de Deus para confiar no homem. Esse tipo de homem salva sua vida e sente-se satisfeito por isso. Não se arrepende. É orgulhoso e vaidoso. Por certo será tarde demais quando da volta de Jesus. É melhor que pense nisso agora. Confia no Senhor!

Shalom!

Sadi – Um Peregrino da Palavra

Sady Folch# Confia no Senhor
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# O meu redentor vive!

Há algumas relações interessantes entre a páscoa judaica e a cristã.

Pessach em hebraico significa passagem. A festa da páscoa na cultura judaica, como todos sabem, comemora a libertação de Israel da escravidão no Egito. Isso teria acontecido no mês de nissan, que marca também a transição entre o inverno e a primavera no hemisfério norte. Por aí é fácil verificar como inverno e escravidão, primavera e liberdade se relacionem simbolicamente.

A páscoa cristã, por sua vez, comemora a ressurreição de Cristo e representa a vitória da vida sobre a morte, relacionando-se à libertação da sujeição do ser humano ao pecado e, consequentemente, da morte que não nos permitiu vivermos a plenitude com Deus desde a separação.

No entanto, por vivermos, ainda, em corpo corruptível, o pecado permanece em nós, todavia pela realização da promessa de liberdade por ocasião da morte ter sido vencida, recebemos a possibilidade de vivermos pela graça, rejeitando o pecado, até a volta de Jesus.

A ressurreição de Cristo se tornou nossa páscoa, ou seja, nossa passagem: da morte espiritual para a vida e, porque ainda esperamos a sua volta, para enfim vivermos a plenitude dessa vida espiritual, a graça representa um reflexo da vida plena que haveremos de viver, assim como os israelitas que foram libertos da escravidão, continuaram no deserto até que pudessem entrar na terra prometida.

A abundância que vivemos o é por meio da graça, que nos permite suplantar a corrupção de que é feita nosso corpo. Isto, pois, em Cristo depositamos toda a confiança que precisamos para seguir com fé neste deserto. A ele entregamos nossos fardos, impossíveis de carregar por nós mesmos e, recebemos a sua paz que excede ao entendimento humano, justamente para que possamos ter uma postura diferenciada da que tem o mundo diante das adversidades.

Dito isto, é importante ressaltar uma forte semelhança entre os fatos que ensejaram ambas as páscoas. Cumpre dizer que a festa de “pessach” tem seu significado – passagem – por conta da passagem do anjo enviado por Deus ao Egito, e não da passagem, essencialmente, da escravidão para a liberdade. Aqui reside a semelhança maior. Foi comunicado a Moisés que as casas dos israelitas deveriam ter seus umbrais marcados pelo sangue de um cordeiro, e assim os escolhidos não seriam atingidos pela morte.

Cristo é esse cordeiro. Dele é o sangue que nos marca, que nos sela para o tempo do juízo, que haverá de ocorrer por ocasião de sua volta. Maranata! E, como afirmou Paulo ter o Eterno ressuscitado a seu filho, o pregação do evangelho e a fé em Cristo não são vãs.

Por tudo isso podemos evocar as palavras de Jó, e dizer felizes: Porque eu sei que o meu redentor vive!

Shalom!

Sadi – Um Peregrino da Palavra

Sady Folch# O meu redentor vive!
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# Perfeição e Perfeccionismo

Revelou o profeta Jeremias: “Eis que dias vêm, diz o Senhor, em que farei uma aliança nova com a casa de Israel e com a casa de Judá”. Esses dias chegaram quando Jesus esteve na terra, quando veio para os Judeus, segundo a promessa, mas eles não o reconheceram. Não o aceitaram. Estavam cheios de si, movidos por tradições e conceitos perfeccionistas, resultado das interpretações humanas aos livros sagrados.

Por acreditar na perfeição de seu próprio entendimento, o homem deixou a convivência com o Eterno. A retomada do relacionamento se deu por meio de Abraão. Ainda assim, um tempo depois, a criatura precisou ser libertada da escravidão a que estava sujeita pelo Egito físico, tanto quanto pelo espiritual.

Nessa ocasião Moisés (humanidade) recebeu pela lei o entendimento do pecado, como também o caminho para o aperfeiçoamento humano que se daria através da observância dos mandamentos. Os sacrifícios, especialmente, serviam para redimir o homem quando da possibilidade de tropeço, característica humana devido a ausência da perfeição. Neles residia não apenas o fator temporário – purificar-se, mas, sobretudo o proporcionar a transformação da psique humana, rumo à perfeição que um dia se tornaria definitiva.

Hoje nos deparamos com as mais diversas interpretações das escrituras, das quais surgiram milhares de denominações cristãs em todo o mundo. Todas estas tentando demonstrar a perfeição que as revelações encerram, contudo segundo o entendimento de seus líderes, como é de se esperar do fruto do perfeccionismo, e, por isso, não incluem ao Senhor nesse contexto. Apenas o dizem fazê-lo. São homens disputando o melhor lugar na promessa, agindo como Abraão e Sara, limitados como convém ao homem que não anda pela fé em Deus.

Pode-se testemunhar na internet, nos templos, nos debates (inclusive, ofensivos), nas doutrinas e na própria vida de muitos cristãos, uma disparidade enorme em relação à essência do evangelho. Em nome da perfeição, o perfeccionismo cria homens “espirituais” cheios de neurose emocional, claramente afastados do amor de Deus e das interpretações definitivas registradas pelos livros e cartas dos apóstolos.

A perfeição é objetivo de toda a vida. É fruto da comunhão com o Espírito Santo que a tudo revela e esclarece. O sentimento dessa busca se materializa em uma vida de entrega aos preceitos do evangelho, e leva o homem a viver com alegria, em paz, decorrência da fé que é o motor de todo esse mecanismo de retorno ao Eterno.

Perfeccionismo é o resultado de distorções e de sentimentos que acredita-se possam ser vividos antes da eternidade. Ledo engano. É resultado de cargas pesadas lançadas sobre os ombros, impossíveis de se carregar. É nada mais do que um caminho para o esgotamento espiritual, quando não faz cair antes aqueles que detectam o engano produzido por líderes desequilibrados e em desarmonia com a essência do evangelho.

Servo do Senhor, segue o teu caminho em direção ao alvo que é Cristo. Leia a palavra. Viva-a em tua vida sabendo que neste mundo não há a menor chance de ser perfeito, mas tão somente viver o reflexo da perfeição pela dependência de Cristo. Então um dia viverá a recompensa por tua escolha pela obediência e pelo reconhecimento da tua dependência.

Shabbat Shalom!

Sadi – Um Peregrino da Palavra

Sady Folch# Perfeição e Perfeccionismo
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# Águas de Pedra

As escrituras apresentam fatos interessantes, muitos deles sobrenaturais, mas é importante, sobretudo que possamos entendê-los pela medida daquilo que nos ensinam, percebendo que há nos seus encadeamentos, o elo que os conduz a uma história coerente e verdadeira. Não são apenas registros das experiências que o povo passou, tanto quanto podemos tomá-los por sombras das coisas futuras que prediziam do Messias que viria.

São momentos de uma história que ainda está sendo contada; esta que possibilita ao homem o seu retorno ao Eterno. Para vivê-lo é preciso nascer de novo, tornar-se novo homem, despir-se da velha natureza, vivendo pelos frutos do espírito.

Em Horebe, no deserto, todo o povo sentia sede e se dirigiu a Moisés, seu líder espiritual, para que ele solucionasse o impasse. Orientado pelo Eterno, tomou seu cajado e golpeou a pedra por uma vez, saindo dela água para o povo. E todos saciaram a sede. A esse reflexo, registrou Paulo na primeira carta aos coríntios o seu entendimento: A pedra era o Messias.

Uma rocha espiritual que os seguia. Um testemunho para que o povo vivesse pela fé, como também uma sombra do que caracterizaria o Cristo em seu tempo, pelo que este afirmou ao dizer: “Eu sou a rocha”; “Eu sou a fonte de água viva”. A propósito, a rocha a ser ferida e dela verter a paz, refletia o que ele próprio iria viver, confirmado pela profecia que ele seria golpeado e por suas feridas, nós seríamos curados.

Décadas depois, precisamente no quadragésimo ano após a saída do Egito, o mesmo fato volta a ocorrer. O povo cobrou de Moisés a solução do problema. Da mesma forma ele voltou-se ao Senhor para receber a orientação. Alguns poderiam se perguntar o porquê dele ter feito isso, pois já havia ocorrido fato semelhante, ou seja, bastaria ferir a rocha novamente.

Mas, não é tão simples assim. Um líder espiritual, assim como também é ensinamento para nós, precisa conhecer a vontade do Eterno, pois só o Pai sabe os segredos ocultos em nosso coração e a fase de nosso desenvolvimento espiritual. Mas, enfim, Moisés consultou a Deus e ouviu dele que tomasse o seu bordão e fosse à rocha e com ela falasse. Falar com a rocha? Sim, falar. Era o que deveria fazer.

E então, dirigindo-se ao povo de forma arrogante, como se ele próprio fosse o responsável, e não Deus, pela água que verteria, também de maneira desaforada, em vez de falar à rocha, feriu-a não uma, mas duas vezes, demonstrando a desobediência e a inacreditável (por tudo que até aquele momento já havia ocorrido) falta de fé no Eterno. Ainda que a água tenha vertido, pois o Senhor cumpre seus desígnios, sua descrença e desobediência o impediram entrar na terra prometida.

Este fato traduz dois importantes comportamentos para aquele que busca a Deus: a fé em Jesus e a obediência ao mandamento. Hoje vivemos o tempo da graça pela obra ocorrida no madeiro, pois aquele que nos traz a paz está vivo. Não necessitamos mais ferir a rocha para que dela surja a água que sacia. Se andamos com ele, basta pedirmos. Através de seus ensinamentos, entendemos a necessidade da transformação para que habite em nós um novo homem, e assim vivermos experiências sobrenaturais, sendo, sobretudo reais com Deus.

Quem lê, entenda.

Shabbat Shalom!

Sadi – Um Peregrino da Palavra

Sady Folch# Águas de Pedra
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# O tempo é agora

Conta uma história que um rabino voltava para sua casa tarde da noite, quando ao passar pela casa do sapateiro, notou a luz de uma chama ainda queimando. Bateu à porta e ao ser atendido, perguntou: “Por que trabalha ainda tão tarde?”. Eis que o sapateiro lhe respondeu: “Enquanto há chama na vela, é possível reparar”. Aquela resposta despertou no rabino a grande sabedoria espiritual que as palavras continham. Nós, chamas vivas, enquanto vivermos, podemos e devemos reparar nossos erros.

A vida nos foi dada para ser vivida para as boas obras, estendendo-as ao maior número de pessoas possível, contudo, para que elas sejam recebidas pelo mundo espiritual, é preciso que estejam validadas pela transformação de nosso velho homem em um novo, pois só assim o teor mais especial da vida, qual seja o sentido da volta ao Eterno, poderá ocorrer.

Não há um homem justo. Nem um sequer. Todos são talhados no erro desde o nascimento, e por ele seguem, de alguma forma, praticando injustiça, acreditando no engano, sofrendo e fazendo sofrer. Somente o homem que reconhece que entre o seu levantar e o deitar pratica o erro, poderá a tempo, transformar-se. Acima de tudo, deve saber que não pode alcançar tal plenitude se o Eterno não estiver com ele.

Toda revelação nas antigas escrituras permitiu aos homens conhecerem a si mesmos e as sombras das luzes de um porvir que a mensagem refletia. Mediante a entrega de Jesus por ocasião de sua vinda, alguns daquela geração e das posteriores reconheceram nele a luz, afinal, cumpria-se o propósito do sacrifício definitivo, seguido da ressurreição. O que resta daquelas sombras primeiras será vivenciado por ocasião de sua segunda vinda, quando ao fim, tudo será transformado.

Para vivenciar com êxito esse tempo futuro, é preciso conhecer o caminho agora. E para estar nele é necessária a disposição para conhecer a Palavra, pois somente nela aprendemos quão fundamental é a disponibilidade para ser um instrumento na obra; assim como o discernimento para transformar-se segundo a essência; e, por fim, o desprendimento que nos manterá conectados à verdade.

Através da luz dos mandamentos e da lucidez que nos acrescenta a fé em Jesus, compreendemos melhor nosso caminho de volta a Deus. A obra espiritual que está diante de nós, realizando-se para que nosso retorno se efetive, é o que de mais precioso possa ser reconhecido, aceito, buscado e vivido pelo ser humano.

O apóstolo Paulo, consciente da importância da graça em relação a nossa transformação, aconselhou: “…exorto que não recebais a graça de Deus em vão, porque diz: Ouvi-te em tempo aceitável e socorri-te no dia da salvação; eis aqui agora o tempo aceitável, eis aqui agora o dia da salvação” (2 Cor. 6).

Sua citação dirigida a nós estava diretamente ligada à mensagem divina que revelara o senhorio de Cristo ao profeta Isaías: “Assim diz o Senhor: No tempo aceitável te ouvi e no dia da salvação te ajudei” (Isaías 49).

Abra sua bíblia. Leia-a. O tempo é agora para a transformação. Enquanto vivermos, devemos agir, chamas que somos sem saber o momento em que podemos extinguir. O tempo é agora, para conforme a revelação da graça que nos foi dada, buscarmos mediante a fonte da luz, reparar nossos erros.

Shalom!

Sadi – Um Peregrino da Palavra.

Sady Folch# O tempo é agora
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# Compreensão e Agradecimento

Um dia vamos agradecer a Deus as provações que Ele permitiu viessem em nossa vida”. Com esta frase, em uma tarde de sábado um servo pregador da Palavra de Deus dava continuidade à palestra atentamente assistida pela plateia, em uma comunidade adventista na cidade de São Paulo. Sua assertiva é perfeita. Não apenas por estar alinhada às conhecidas razões bíblicas que levam o discípulo a crescer em meio ao caminho, mas por ser também um sinal para o não questionamento de como os fios se entrelaçam na obra do tapeceiro.

Há algumas posturas do mundo em relação à Palavra do Eterno que soam estranhamente contraditórias. É sabido que trechos bíblicos foram tomados de empréstimo para sustentarem modos de viver. E isso pode-se encontrar em religiões como em hábitos individuais, adequados à necessidade de cada um. Nesse contexto, o restante da Palavra de Deus acabou por ficar de lado, tornando-se na opinião destes, algo ultrapassado, fanático, sem sentido e por aí em diante.

Por outro lado, todo aquele que conhece as escrituras e sabe que delas poderá extrair conhecimento coeso para sua jornada e fortalecimento indissociável de sabedoria que encontra-se costurada a elos, entende que mesmo na busca por uma vida abençoada, consequência na relação com o Eterno, esta que tem como foco principal conhecê-lo, seja preciso, às vezes, colocar-se à disposição de posturas nem um pouco aceitas pelo mundo.

Perdoar aos que nos julgam, amar a quem nos ofende, orar por quem nos odeia, compreender que por vezes, mesmo a adequada escolha do “ser” em detrimento do “ter” deva calar-se, conhecermos a nós mesmos e observarmos nossos atos antes de julgarmos pessoas e suas atitudes em relação a nós, entre tantas outras situações que precisam ser encaradas como um ensinamento, estão entre as melhores e mais difíceis lições que nos fazem aprender a como retirar o melhor da vida, compreendendo sua verdadeira essência e permitindo um crescimento extraordinário, inclusive, no que diz respeito ao caráter.

Mas não é apenas isso que nos move nessa direção de escolha. Há nessa opção de vida, especialmente, o foco na obediência ao conjunto de diretrizes reveladas pelo Eterno. Elas que nos levam em direção ao real conhecimento do caminho da verdade, alcançando vida plena, mesmo diante de adversidades. No entanto, alguém que não conhece a Deus poderia dizer não haver equilíbrio em uma diretriz de silêncio e paz, mesmo em nome de Deus, enquanto o mundo cai sobre nossa cabeça.

A resposta que traz compreensão passa justamente por esse ponto, pois no atual estágio de relação de Deus com o homem, o campo de atuação ainda se dá neste mundo desequilibrado e obscuro, e só mediante a posse de uma paz que esse mesmo mundo não pode dar, é que se alcança o equilíbrio mental para continuar a jornada. Há algo maior, completo e eterno a espera de quem se coloca nesse caminho, e mesmo aqueles que tomam de empréstimo passagens bíblicas para sustentar seu mundo pessoal, deveriam ter consciência que o todo que compõe as escrituras tem o objetivo de uma vida plena que só haverá de ser encontrada depois da vida física. Contudo, cumpre dizer que só o homem que tem uma experiência real com Deus encontra vida em abundância, também em uma situação de adversidades.

Afinal, estamos falando do Criador de todas as coisas e de suas palavras de sabedoria que sustentam uma obra planejada que remonta ao início dos tempos, quando o desequilíbrio alcançou ao homem e por este foi aceito para viver conforme sua vontade, o que acabou por pautar toda sua vida em conceitos limitados. Por isso é que um dia ainda agradeceremos a Deus pelas provações a que Ele nos permitiu passarmos. Não estaremos limitados a ver a vida pela imagem dos fios entrelaçados e confusos, mas conheceremos o lado certo da obra do tapeceiro, percebendo o quanto tais dificuldades acrescentaram bênçãos eternas em nossa existência.

Shalom

Sadi – Um Peregrino da Palavra

Sady Folch# Compreensão e Agradecimento
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