Publicações com Graça

# O tempo é agora

Conta uma história que um rabino voltava para sua casa tarde da noite, quando ao passar pela casa do sapateiro, notou a luz de uma chama ainda queimando. Bateu à porta e ao ser atendido, perguntou: “Por que trabalha ainda tão tarde?”. Eis que o sapateiro lhe respondeu: “Enquanto há chama na vela, é possível reparar”. Aquela resposta despertou no rabino a grande sabedoria espiritual que as palavras continham. Nós, chamas vivas, enquanto vivermos, podemos e devemos reparar nossos erros.

A vida nos foi dada para ser vivida para as boas obras, estendendo-as ao maior número de pessoas possível, contudo, para que elas sejam recebidas pelo mundo espiritual, é preciso que estejam validadas pela transformação de nosso velho homem em um novo, pois só assim o teor mais especial da vida, qual seja o sentido da volta ao Eterno, poderá ocorrer.

Não há um homem justo. Nem um sequer. Todos são talhados no erro desde o nascimento, e por ele seguem, de alguma forma, praticando injustiça, acreditando no engano, sofrendo e fazendo sofrer. Somente o homem que reconhece que entre o seu levantar e o deitar pratica o erro, poderá a tempo, transformar-se. Acima de tudo, deve saber que não pode alcançar tal plenitude se o Eterno não estiver com ele.

Toda revelação nas antigas escrituras permitiu aos homens conhecerem a si mesmos e as sombras das luzes de um porvir que a mensagem refletia. Mediante a entrega de Jesus por ocasião de sua vinda, alguns daquela geração e das posteriores reconheceram nele a luz, afinal, cumpria-se o propósito do sacrifício definitivo, seguido da ressurreição. O que resta daquelas sombras primeiras será vivenciado por ocasião de sua segunda vinda, quando ao fim, tudo será transformado.

Para vivenciar com êxito esse tempo futuro, é preciso conhecer o caminho agora. E para estar nele é necessária a disposição para conhecer a Palavra, pois somente nela aprendemos quão fundamental é a disponibilidade para ser um instrumento na obra; assim como o discernimento para transformar-se segundo a essência; e, por fim, o desprendimento que nos manterá conectados à verdade.

Através da luz dos mandamentos e da lucidez que nos acrescenta a fé em Jesus, compreendemos melhor nosso caminho de volta a Deus. A obra espiritual que está diante de nós, realizando-se para que nosso retorno se efetive, é o que de mais precioso possa ser reconhecido, aceito, buscado e vivido pelo ser humano.

O apóstolo Paulo, consciente da importância da graça em relação a nossa transformação, aconselhou: “…exorto que não recebais a graça de Deus em vão, porque diz: Ouvi-te em tempo aceitável e socorri-te no dia da salvação; eis aqui agora o tempo aceitável, eis aqui agora o dia da salvação” (2 Cor. 6).

Sua citação dirigida a nós estava diretamente ligada à mensagem divina que revelara o senhorio de Cristo ao profeta Isaías: “Assim diz o Senhor: No tempo aceitável te ouvi e no dia da salvação te ajudei” (Isaías 49).

Abra sua bíblia. Leia-a. O tempo é agora para a transformação. Enquanto vivermos, devemos agir, chamas que somos sem saber o momento em que podemos extinguir. O tempo é agora, para conforme a revelação da graça que nos foi dada, buscarmos mediante a fonte da luz, reparar nossos erros.

Shalom!

Sadi – Um Peregrino da Palavra.

Sady Folch# O tempo é agora
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# Compreensão e Agradecimento

Um dia vamos agradecer a Deus as provações que Ele permitiu viessem em nossa vida”. Com esta frase, em uma tarde de sábado um servo pregador da Palavra de Deus dava continuidade à palestra atentamente assistida pela plateia, em uma comunidade adventista na cidade de São Paulo. Sua assertiva é perfeita. Não apenas por estar alinhada às conhecidas razões bíblicas que levam o discípulo a crescer em meio ao caminho, mas por ser também um sinal para o não questionamento de como os fios se entrelaçam na obra do tapeceiro.

Há algumas posturas do mundo em relação à Palavra do Eterno que soam estranhamente contraditórias. É sabido que trechos bíblicos foram tomados de empréstimo para sustentarem modos de viver. E isso pode-se encontrar em religiões como em hábitos individuais, adequados à necessidade de cada um. Nesse contexto, o restante da Palavra de Deus acabou por ficar de lado, tornando-se na opinião destes, algo ultrapassado, fanático, sem sentido e por aí em diante.

Por outro lado, todo aquele que conhece as escrituras e sabe que delas poderá extrair conhecimento coeso para sua jornada e fortalecimento indissociável de sabedoria que encontra-se costurada a elos, entende que mesmo na busca por uma vida abençoada, consequência na relação com o Eterno, esta que tem como foco principal conhecê-lo, seja preciso, às vezes, colocar-se à disposição de posturas nem um pouco aceitas pelo mundo.

Perdoar aos que nos julgam, amar a quem nos ofende, orar por quem nos odeia, compreender que por vezes, mesmo a adequada escolha do “ser” em detrimento do “ter” deva calar-se, conhecermos a nós mesmos e observarmos nossos atos antes de julgarmos pessoas e suas atitudes em relação a nós, entre tantas outras situações que precisam ser encaradas como um ensinamento, estão entre as melhores e mais difíceis lições que nos fazem aprender a como retirar o melhor da vida, compreendendo sua verdadeira essência e permitindo um crescimento extraordinário, inclusive, no que diz respeito ao caráter.

Mas não é apenas isso que nos move nessa direção de escolha. Há nessa opção de vida, especialmente, o foco na obediência ao conjunto de diretrizes reveladas pelo Eterno. Elas que nos levam em direção ao real conhecimento do caminho da verdade, alcançando vida plena, mesmo diante de adversidades. No entanto, alguém que não conhece a Deus poderia dizer não haver equilíbrio em uma diretriz de silêncio e paz, mesmo em nome de Deus, enquanto o mundo cai sobre nossa cabeça.

A resposta que traz compreensão passa justamente por esse ponto, pois no atual estágio de relação de Deus com o homem, o campo de atuação ainda se dá neste mundo desequilibrado e obscuro, e só mediante a posse de uma paz que esse mesmo mundo não pode dar, é que se alcança o equilíbrio mental para continuar a jornada. Há algo maior, completo e eterno a espera de quem se coloca nesse caminho, e mesmo aqueles que tomam de empréstimo passagens bíblicas para sustentar seu mundo pessoal, deveriam ter consciência que o todo que compõe as escrituras tem o objetivo de uma vida plena que só haverá de ser encontrada depois da vida física. Contudo, cumpre dizer que só o homem que tem uma experiência real com Deus encontra vida em abundância, também em uma situação de adversidades.

Afinal, estamos falando do Criador de todas as coisas e de suas palavras de sabedoria que sustentam uma obra planejada que remonta ao início dos tempos, quando o desequilíbrio alcançou ao homem e por este foi aceito para viver conforme sua vontade, o que acabou por pautar toda sua vida em conceitos limitados. Por isso é que um dia ainda agradeceremos a Deus pelas provações a que Ele nos permitiu passarmos. Não estaremos limitados a ver a vida pela imagem dos fios entrelaçados e confusos, mas conheceremos o lado certo da obra do tapeceiro, percebendo o quanto tais dificuldades acrescentaram bênçãos eternas em nossa existência.

Shalom

Sadi – Um Peregrino da Palavra

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# Reconhecer e Amar

Entre tantos os relatos surpreendentes ocorridos durante as guerras, há aqueles que sobressaem por um gesto simples, no entanto ainda que em meio aos realizados por atos de nobreza e coragem, também têm em si a razão de um coração puro, forte e comprometido com a verdade. Houve um dia na vida de um homem americano, quando algo simples assim, o fez repensar suas atitudes.

Aviador e ex-combatente no Vietnã, ele teve seu avião derrubado. Quando enfim retornou aos Estados Unidos, ainda vaidoso e cheio de orgulho pelas inúmeras baixas de norte-coreanos, começou a palestrar sobre suas experiências. Ao entrar em um restaurante, deparou-se com um rapaz que, ao lhe abordar, chamou-lhe pelo nome indagando se de fato se tratava do aviador que ele havia conhecido, derrubado durante a guerra. Surpreso, perguntou de onde o conhecia. Quando então, o rapaz apresentou-se dizendo ser o soldado que dobrava os paraquedas dos aviadores.

Tomado por gratidão, o aviador disse ao rapaz que lhe devia a vida, pois só estava ali por ter conseguido abrir o equipamento e descido em segurança. Após conversarem, despediram-se e o herói foi para casa. Naquela noite não conseguiu dormir, pensando em quantas vezes havia cruzado com aquele simples soldado no porta-aviões, sem nem ao menos cumprimenta-lo ou agradecê-lo por tantas horas dedicadas por vidas que nem mesmo conhecia. Percebeu o quanto havia deixado de enxergar pessoas que se tornaram responsáveis para que seguisse com segurança, ao longo de sua vida. Recordou, enfim, a cada um daqueles instantes, reconhecendo sua gratidão e seu amor por cada uma delas.

Em nosso dia a dia, muitas são as vezes em que agimos assim com as pessoas simples ao nosso redor, no trabalho, na vizinhança, e até mesmo nos cultos das igrejas; elas que se desdobram para que tenhamos um caminho livre e agradável. Em nossa vida de conversão ao caminho do Eterno, aprendemos a identificar Aquele que entregou seu próprio Filho; este que se fez humilde a fim de dobrar nossos paraquedas, trazendo-nos em segurança ao momento em que, ele mesmo se tornará o chão firme para pisarmos e sermos um com ele e com seu Pai. Contudo, nem todos, plenamente, reconhecem esse compromisso de volta a Deus, ainda que nas igrejas.

Portanto, em nossa vida espiritual, nossa maior gratidão se expressa ao amá-lo de todo nosso coração, de toda nossa alma, de todo nosso entendimento e com todas as nossas forças. Assim cumprimos o primeiro dos dois maiores mandamentos, segundo as palavras de Yeshua, o Messias (Marcos 12). Aos nossos iguais, não os excluindo dos atos com os quais escrevemos nossa jornada espiritual, devemos, não apenas como um gesto de boa educação, mas sim ao olharmos em seus olhos com gratidão, e munidos de um sorriso ainda que singelo, saudá-los, agradecê-los, sobretudo preocupando-nos com seu estado e ajudando-os, pois assim estaremos cumprindo ao segundo maior mandamento, qual seja amar ao próximo como a ti mesmo.

Com gratidão e amor ao Eterno, recebemos o Shabbat. Com gratidão e amor participamos dele, entregando-nos à lapidação pela base dos mandamentos. Deste reconhecimento e seu consequente ato, reiniciaremos nossas atividades em uma nova semana – louvado seja Deus – buscando-O de todo coração, pois só assim o acharemos, ao percebermos que só Ele nos sustenta.

Shabbat Shalom!

Sadi – Um Peregrino da Palavra.

Sady Folch# Reconhecer e Amar
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# A dependência que liberta

Hoje eu li um artigo escrito por alguém que, sentado em um restaurante às margens do oceano atlântico, registrou um fato inesperado. Percebeu que gaivotas permaneciam atentas, próximas às mesas à espera de algum alimento. O observador não pensou duas vezes. Deixou um camarão em um prato vazio e aguardou munido de uma câmera fotográfica. Não deu outra. A gaivota se aproximou, tomou o alimento e alçou voo. Minutos depois estava próxima às mesas novamente.

Foi quando passou a refletir: O que faz uma gaivota passar todo o tempo ao lado das mesas em busca de alimento, enquanto tem um oceano à sua disposição? A resposta foi óbvia: comodidade. Sair em busca de comida requer esforço. Voar, observar, preparar-se e mergulhar em direção ao alimento; nem sempre obtendo o sucesso.

Se olharmos para esta gaivota e ao ser humano em um contexto de dependência, temos a seguinte possibilidade de análise: no caso da ave, sua natureza foi corrompida, levando-a a um estado de dependência artificial que poderá culminar em um problema, caso muito tempo depois o restaurante a impeça de ter acesso à comida. Não se pode afirmar que ela conseguiria sobreviver nessas condições, pois talvez desconheça o ato de colher os frutos que o Criador disponibilizou a ela, ainda que levado em conta o instinto.

Pelo lado humano, inicialmente as possibilidades se parecem. Com a corrupção humana mediante sua primeira desobediência, o homem que tinha tudo ao seu dispor, passou a ser dependente de seus próprios esforços para comer. Banido daqueles campos fartos, a natureza que o acolheu era limitada, o que fez dele um nômade. Então percebeu a necessidade de aprender a cultivar a terra, a pescar e a caçar, colhendo os frutos destas atividades provenientes. Todavia, ainda assim se viu diante da fome, pois nem todos detinham tal conhecimento, e para piorar, à medida dos anos seus próprios pares enxergaram nesse contexto uma forma de comodidade e dominação, exigindo algo em troca do alimento.

Passado um tempo, o Eterno que já possuía a obra para redimir o homem da desobediência e independência iniciais, anunciou-a pelos profetas que levantou, ensinando por meio de um povo escolhido que o homem deve ser grato e dependente do único Criador, e que a busca pelo pão através do trabalho era uma prova de sua nova dependência, isenta de murmúrio, e a capacidade de reparti-lo, a prova de sua obediência e amor.

A obra culminou com a vinda do Messias a este povo, no entanto, insistentes em manter o coração endurecido, não o receberam. Mas a dependência e a obediência precisavam ser plenificadas para que resultassem em liberdade. Ocasião em que a boa nova foi entregue a toda humanidade. O Filho, dependente em tudo que era do Pai, tornou clara a plenitude dessa relação.

Por ela, nossa sobrevivência dependeria de um novo posicionamento. Obviamente, por estarmos a caminho do momento em que tudo passará, ainda precisamos trabalhar para subsistir, no entanto recebemos a certeza de que o Pai que nos chamou por meio do Filho, também a nós nos alimenta como às aves do céu, sabendo de tudo o que precisamos.

Assim como a gaivota que deixou sua natureza de caçadora, havíamos deixado ao início, nossa natureza original, porém ao sermos resgatados pela cruz, passando a vivermos, sobretudo pela dependência da graça que ela encerra, restaurando-nos a vida pela ressurreição do cordeiro, voltamos a vislumbrar a real possibilidade de sermos exatamente aquilo para o que fomos criados. Seres dignos de nosso Criador, uma vez que nos fez segundo sua imagem e semelhança; jamais para vivermos à sobrevida de migalhas que, porventura, caiam das mesas.

Shalom Aleichem!

Sadi – Um Peregrino da Palavra

Sady Folch# A dependência que liberta
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# Ao Ano Novo da Eternidade

Das festas de final de ano, por certo a que se mostra mais marcante, envolvendo praticamente toda a humanidade, é a que comemoramos a passagem para o ano novo. Torna-se um tempo de reflexões, ainda que sejamos levados a praticá-las ao longo do ano. No entanto, é confortável pensar que possa haver um tempo limite quando terminamos uma fase e iniciamos outra.

O fato é que todo mundo sempre pensa em realizar coisas no ano que inicia, fazendo diversas promessas, sonhando com mudanças das mais diversas, tais como acabar com hábitos nocivos de toda sorte, buscar um estilo de vida mais saudável, enfim, um sem número de opções. Mas, esses planos, em sua maioria, após os primeiros meses passam a ser submetidos à realidade que começa a impor seu ritmo, e quase sempre isso os faz naufragar.

Nada mais justo, afinal tudo que se inicie, necessita de que o seja em pequenas porções, todavia, constantes e em bases sólidas. Caso contrário, vai tudo por água abaixo, e ai a decepção se torna inevitável. É assim também com a profissão que escolhemos, entretanto pedindo algo mais que a disciplina do plano de estudos, pois não se pode prescindir da ética, por exemplo. E por aí vai.

O que dizer então do mais importante de todos os sonhos, ainda que muitos não o valorizem a esse ponto, qual seja o viver em Cristo e alcançar a vida eterna. A esta nova empreitada também se pede inicialmente pequenas porções, essencialmente constantes. As do conhecimento, normalmente agregado por meio do estudo bíblico e vital para se conhecer a vontade de Deus; assim como as porções de orações, que é o início de nossa caminhada para a intimidade com o Eterno, e nos leva à compreensão da dependência e da obediência.

Contudo, a mais qualificativa de todas elas é, sobretudo a prática que evolui. Na exata proporção vislumbrada pela escritura, haja vista estar ali, inclusive, os preceitos da ética. Talvez isso passe um pouco pelo que diz a Palavra, ser a fé sem obras, algo sem vida. Muitos que adentram às igrejas têm nos ensinamentos bíblicos, uma vaidade satisfeita, que é o de adquirir mais conhecimento, e isso apenas satisfaz o ego. Nada tem de ligação com o processo de salvação ou ser discípulo de Cristo.

É como querer alcançar méritos sem o devido caminho da prática, da transformação, da dependência, assim como da obediência aos mandamentos. A bíblia traduzida por João Ferreira de Almeida, versão corrigida e fiel, diz o seguinte em Apocalipse 22:14: “Bem-aventurados aqueles que guardam os seus mandamentos, para que tenham direito à árvore da vida, e possam entrar na cidade pelas portas.

Guardar os mandamentos não é apenas conhecê-los profundamente. A guarda passa essencialmente pela efetivação dos mesmos em nossa vida. Significa entregarmo-nos à transformação, ainda que realizada de forma gradual. Contudo, assim como nos exercícios do começo do ano que, quando chegam à frente, pedem que sejam aumentados para que surtam melhores efeitos, não é diferente com o corpo e a mente, que precisam da transformação requerida pelos mandamentos.

Conhecer a Cristo, aceitá-lo e, em seu nome ser batizado, é como uma noite de réveillon, em que os últimos segundos começam a serem contados ao tempo em que descemos às águas e dela emergimos nova criatura, contudo, é no caminhar pelos mandamentos, ainda que por longos anos, que de fato nos proporcionaremos, mediante a obra de redenção completada por Jesus, a única possibilidade de adentrarmos ao primeiro dia do tempo da eternidade.

Assim seja na tua vida; assim seja na igreja de Cristo.

Feliz Ano Novo, ao tempo da eternidade, no reino do Eterno.

Sadi – Um Peregrino da Palavra.

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# O ideal que permanece

Neste sábado, escrevi sobre o ideal de paz buscado por grandes homens na história. Contudo, ao meditar sobre um aspecto dos ideais humanos, despertou em mim a seguinte atenção. Depois que os objetivos que os movem são atingidos, eles normalmente se mantêm prósperos apenas em algumas situações. Ao contrário, começam a se dissiparem quando seus idealizadores deixam de existir ou venham a permitir modificações em seus interesses.

Foi assim com inúmeros exemplos históricos. Os descendentes da geração de judeus que se mudou para o Egito ao tempo de José, quando este foi governador daquela região, perderam sua liberdade e prosperidade ao momento em que foram perseguidos pelos novos faraós. Aquele que conhece a história, sabe que as mudanças se dão ao sabor dos poderosos. Igualmente, aquele que conhece o Antigo Testamento sabe que, também em seus diversos contextos, algumas mudanças ocorreram devido às fraquezas humanas envolvidas por desejos.

A saber, por exemplo, quando o povo israelita pede a Deus que institua reis para guiá-los, sendo esta uma época em que as tribos eram comandadas por juízes escolhidos por Deus. Mas, por serem humanos, os israelitas sucumbiram diante de suas fraquezas, ainda que conhecedores da vontade de Deus.

Nesse citado contexto, percebe-se a mudança do ideal que Deus criou para o homem. Aliás, na história testamentária, é nítida a modificação do ideal divino em alguns momentos, tendo em vista a instabilidade humana em face da desobediência aos mandamentos e às alianças. Basta que se atente ao ocorrido no jardim do Éden. Ou que se diga que o próprio Moisés não entrou na terra prometida. Basta, enfim, verificar quantos não receberam o Messias.

Mesmo diante de todas estas situações, sabe-se que somente Deus é capaz de efetivar seu ideal original, ainda que homens e suas divergentes linhas doutrinárias, movidos pelo orgulho e pela vaidade tentem impedi-lo ou ainda deturpar suas orientações.

Ainda se pode arrepender e voltar a Cristo, é claro, contudo, há um tempo limite para isso: O fechamento da porta da graça. E, ninguém sabe o dia em que venha a acontecer. Com ele, se dará a volta de Jesus. É preciso vigiar, estar preparado e em paz, pois fora disso, não haverá mais tempo para o arrependimento. Que este seja o nosso ideal de vida, de paz.

Salvar-nos, reaproximando-nos dele e de Seu reino é o ideal movido por Seu amor. Portanto, ainda que a história proclame altos e baixos na jornada daquele que se pretende ser o corpo de Cristo, a obra de redenção da humanidade, revelada pela Palavra do Senhor, é o único ideal que permanece intacto, logo, o único a que o homem deva dar plena importância.

Que a semana de todos nós seja por esse mesmo ideal. Sermos dirigidos pelos mandamentos de Deus e pela fé em Jesus.

Shalom!

Sadi – Um Peregrino da Palavra

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# Os Fundamentos da Paz

Nesta semana o mundo se viu privado da existência de Nelson Mandela. Um homem que lutou pelo direito e pela liberdade de seu povo poder decidir os próprios caminhos, sem a intervenção violenta do país invasor que por tanto tempo lhes impôs a política de segregação. Assim como ele o fez depois que saiu da prisão, também agiu de igual maneira Mahatma Gandi, utilizando-se da resistência não-violenta.

A teoria da resistência não-violenta teve início na América por meio do ensaio “Desobediência Civil” de Henry David Thoreau, quando em 1845, recusou-se a pagar seus impostos como uma forma de protesto contra à guerra mexicana. Este ideal de não-violência busca alcançar a liberdade do povo em viver a essência dos direitos humanos por meio pacíficos.

Em nosso país, nomes como Dom Helder Câmara e Dom Paulo Evaristo Arns representando a igreja católica, James Wright pela igreja presbiteriana, lutaram pelo fim dos crimes militares que sufocavam os direitos humanos. A paz ensinada pelo Cristo era, em consonância aos direitos humanos, a essência de seus discursos.

A ONU proclamou ser a década entre 1999 a 2009, a Década da Paz, e o Instituto Palas Athena em São Paulo, esteve à frente do Comitê pela Cultura de Paz, promovendo uma série de conferências sobre o tema da não violência.

Flávio Josefo, historiador judeu à época de Cristo, relata que seu povo, em protesto para não se curvar diante da idolatria romana, representada por símbolos como a figura do imperador e a águia de Júpiter, ao se verem cercados pelos soldados, manifestaram preferirem a morte àquela imposição. Assim como estes, seus antepassados não se curvaram diante do poder perpetrado pelo mundo.

Com relação à paz e à vida em liberdade, Jesus nos afirma algo diferenciado quando diz: “Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como o mundo a dá. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize” (João 14:27). Com isso ele restaura em nós a certeza de um direito nem de perto sonhado pela humanidade, qual seja o de vivermos no tempo vindouro sem o pecado, em um corpo incorruptível, mediante a extensão das verdadeiras paz e liberdade. Para tanto é preciso viver por seus mandamentos, sendo estes a essência da não-violência.

Esta promessa que ele nos oferece está alinhada ao seu amor, posto que transcende ao nosso entendimento, portanto, é preciso viver pela graça e pela fé. Por este dizer, ainda que soframos a violência do mundo, ele afirma que voltará e a tudo restaurará. Precisamos crer e viver esta promessa, pois ao tempo da restauração de todas as coisas, viveremos em um reino de verdadeira paz.

Shabbat Shalom!

Sadi – Um Peregrino da Palavra

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# Batismo

Há exatos quatro anos, eu desci às águas do batismo pelas mãos ordenadas do pastor Kleber, ele que é um servo do Senhor Jesus, também um instrumento da grande comissão instruída pelo Mestre. Jesus, já ressurreto, disse aos onze apóstolos: “É-me dado todo o poder no céu e na terra. Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; Ensinando-os a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos. Amém”. Mateus 28:18-20.

Desde esse dia tenho procurado ouvir as pregações, ler a palavra, orar, fazer a obra mediante os dons concedidos por Deus e, especialmente, manter-me distante do velho homem que fui. Confesso que por mim mesmo, não é nada fácil controlar sentimentos, julgamentos, e aspectos outros que sempre marcaram minha carne, minha mente pensadora e crítica, ainda que justificada por valores morais que, de fato, são importantes em face do mundo. O que me leva a concluir que somente ao aceitar a graça de Jesus, entregando meu fardo a Ele, é que de fato consigo viver modificações consistentes em minha vida.

É importante deixar para trás o velho homem, para que o novo renasça em seu lugar. E, tenho buscado vivê-lo dessa forma, ainda que muitas vezes, a exemplo do apóstolo Paulo, acabo por fazer o que não quero, e o que quero, isto não faço. Contudo, de fé em fé tenho andado em direção ao alvo que é Cristo, e assim minha vida tem mudado. Nada de melhor que havia em meu velho homem, supera o que tenho aprendido nos dias posteriores ao meu batismo. Valores justos para o mundo, é preciso que se saiba, podem não valer nada na seara cristã. Nela, o novo homem que saiu das águas, sempre irá se deparar com situações em que mais vale se calar, que propriamente defender-se. Mais vale aceitar com humildade as provações, eivado de sentimentos nobres desconhecidos pelo mundo, do que lutar com as próprias forças para modificá-las ou lamentar-se por sua ocorrência.

O mundo de Cristo é bastante diferente. Tudo que o formata é perfeito, ainda que estranho aos olhos do mundo. Por isso a contestação de tantas mentes ditas inteligentes como de Sartre, Nietzsche, entre outros sejam limitadas, pois se recusam a estarem abertas ao comportamento que vive e espera, segundo os valores do Filho de Deus. Não se trata simplesmente em aceitá-los pelo sim ou pelo não. Ao contrário, o mundo de Cristo quando buscado, é revelado ao nosso coração pelo Espírito Santo, ainda que tropecemos aqui ou acolá. O fato é que quando a ele somos apresentados e recebemos seu sinal, nunca mais somos os mesmos.

Naquele 30 de novembro de quatro anos atrás, disse-me o pastor Kleber no momento em que me retirou das águas do batismo, segurando meu rosto e olhando nos meus olhos: “Sady, mantenha os olhos firmes em Jesus“. Eu sou profundamente grato a Deus por ter arquitetado toda essa obra de redenção e, por ter constituído servos por meio da grande comissão. Também sou grato ao pastor Kleber que ouviu ao chamado de Deus e hoje batiza e prega a palavra por todo o mundo, sendo eu, uma das ovelhas que ele entregou a Cristo.

Shabbat Shalom

Sadi – Um Peregrino da Palavra

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# Aspectos do chamado

Em nossa relação com Deus, oramos expondo nossas preocupações, desejos e agradecimentos para que em consonância com a Sua vontade, revele-se a nós a verdade. Pelo menos esta é a essência de como devemos agir, segundo as escrituras. No entanto, no aguardo destas respostas, podemos recebê-las, se atentos àqueles ensinamentos, simplesmente nos levantando aos chamados de Deus.

As orações de muitos estão sendo atendidas em diversas partes do mundo. A oração e a fé são, por certo, aspectos atenciosos ao Seu chamado; é, sobretudo, um viver pela graça, obediente pelo que confia e espera. Contudo, mesmo àquele que espera, é importante que possa discernir o chamado registrado por Jesus, ao revelar: “Grande é a seara e poucos os obreiros”. (Mateus 9 e Lucas 10).

Mesmo à espera, é assaz edificado aquele que saí a semear a verdade do reino. No mínimo, testemunha a sua fé àquele que não conhece as particularidades da promessa. O trabalho missionário, por exemplo, é a resposta ao chamado que deseja constituir discípulos que aprendam e entendam os aspectos essenciais de sua relação com a dependência de Deus. E, nessas experiências, pode-se ouvir a resposta perfeita aos anseios, descartando assim, inclusive, a que, pelo sim, pelo não, se espera ouvir.

Os missionários, voluntários ou ao serviço pastoral, preparados pela Palavra, buscam alargar as estacas de Deus por meio do exercício cristão, vivificado na essência das comissões de Jesus, tanto da grande, em Mateus 28: 16-20, quanto da menor, encontrada no capítulo 10: 5-12 do mesmo livro.

Pela primeira, Jesus orienta aos discípulos a fazerem novos discípulos, batizando e ensinando a guardarem todas as coisas reveladas por Ele, certos de Sua presença até o final dos dias; na segunda, ainda que para a casa de Israel daquele tempo, sua essência guarda ainda hoje enorme importância, especialmente quando dirigida aos que não conhecem as promessas do reino de Deus, posto que, diz: “Pregai, dizendo: É chegado o reino de Deus”.

Enfim, respondendo ativamente ao chamado de Deus, importa que, alimentando-se da Palavra e crendo, possam todos perceber que a relação com Deus se solidifica e muito mediante ao atendimento do chamado feito por Ele, sobretudo quando o permitem ressoar ao coração, ouvido pela atenção que aprenderam a discernir pela Palavra de Deus.

Sadi – Um Peregrino da Palavra

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# Um anjo no caminho

Na quinta-feira passada, minha esposa e eu comemoramos nossas bodas. Um dia feliz, a ser prontamente relembrado em oração de gratidão, pois, cremos, foi Deus quem nos uniu. Após o cair da tarde, fomos caminhando a um conhecido restaurante, próximo de nossa casa, o que nos permitiu deixar o carro na garagem.

Lá íamos nós quando, no meio do caminho, nos deparamos com uma senhora que atende pelo nome de Suely. Ela, uma moradora de rua, nos abordou para pedir algum dinheiro. Tendo apenas os cartões, desculpamo-nos, no entanto, resolvemos dar-lhe alguns minutos de nossa atenção. Eis que para nossa surpresa ela, de imediato, começou a nos falar de seu casamento e quanto havia sido feliz por longos anos. Exatamente assim, como se soubesse o que se passava conosco.

Olhamos um ao outro, surpreendidos e felizes pelo tema abordado por ela, afinal estávamos em plena comemoração pelo dia que resolvemos nos unir. Seus olhos e seu sorriso brilhavam enquanto nos relatava sua experiência de vida, sem nem mesmo saber de nossa razão de estarmos ali. Falamos a ela o motivo que nos fez sair de casa e nos encontrarmos naquele local. Ao sabê-lo, sua alegria saltou aos olhos. Uma mulher simples, hoje já sem o marido, mas feliz pelo que havia vivido, segundo ela, com muito amor e, pela graça de Deus.

Conter nossa surpresa foi fácil, pois a tomamos como uma oportunidade dada por Deus para que pudéssemos refletir o quanto a riqueza do amor e a felicidade que o reconhecimento a ela proporciona, possam ser vividas mesmo em meio à situações precárias. Contudo, difícil foi conter a emoção do momento que vivíamos naquele instante, pois, como cremos, o era pela graça de Deus.

Digo isto, pois, não fosse pela beleza do fato que vivíamos, é o segundo ano consecutivo que o mesmo ocorre conosco, em idêntica situação e data, ao deparar-nos com alguém em meio ao caminho. Ano passado foi um senhor que da mesma forma, em outro local, sem que falássemos nada, nos abordasse para igual pedido e, ao darmos atenção a ele, do nada começou a nos falar da alegria de seu casamento. Assim, pensamos juntos que Deus envia “anjos” para sua obra, desejando falar, constituir e abençoar; envia recados providenciais que se tornam impossíveis serem vistos como coincidência. E, por essa possibilidade, afirma o relato de Paulo: “Não vos esqueçais da hospitalidade, porque por ela alguns, não o sabendo, hospedaram anjos“. (Hebreus 13:2).

Esta frase do apóstolo não apenas certifica ocorridos verídicos do Antigo Testamento, mas, sobretudo nos leva a ter uma postura amável, atenta, pois qualquer situação poderá estar sendo dirigida por Deus a nos falar. No final de nossa rápida conversa, certos do recado que recebíamos da parte de Deus, minha esposa, esta por quem orei ao Senhor que a me concedesse, de pronto afirmou àquela doce mulher que tudo o que vivemos vem pela graça de Deus, e pelas mãos de nosso redentor, Jesus Cristo. Ela concordou, de pleno. De fato, uma mulher simples, no entanto, que alcançou tamanha riqueza que nos deixou repletos de alegria. De fato, mais um abençoado anjo em nosso caminho.

Shabbat Shalom!

Sadi – Um Peregrino da Palavra

Sady Folch# Um anjo no caminho
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