Publicações com Marco Aurélio Brasil

Eternidade presente

“Há algo no olhar do homem que pertence à essência das coisas que não perecem”. Esta frase do “Abdias” de Cyro dos Anjos é, na verdade, apenas uma nova versão para Eclesiastes 3:11, que diz que Deus plantou no coração do homem “a ideia de eternidade”. Se tudo e todos morrem, se tudo se desfaz, se a entropia é a ordem do dia, de onde mais teria vindo esse anseio tão antinatural pela eternidade? Só ele explica meu dissabor ao olhar o espelho e detectar as marcas da decrepitude.

Eternidade é mesmo uma coisa intrigante. Por definição ela é mais do que a ausência de fim, é também a ausência de começo. A eternidade é todo-abrangente. Ela trata o tempo como uma criatura, como algo capaz de ser superado e subvertido.

Bem, ela é o meu destino. “E esta é a promessa que Ele nos fez: a vida eterna” (I Jo. 2:25). Mas é impossível tratar algo todo-abrangente como um destino a se alcançar. Se ela é apenas uma promessa a se cumprir no futuro, ela é algo que toma tudo o que foi também. Não, a eternidade já começou. Leio isso no comando do Mestre a orarmos “venha a nós o vosso reino” (Mat. 6:10). Isso significa dizer: que eu já viva aqui a eternidade, que eu seja já aqui um súdito na ordem perfeita do Céu, porque não faz sentido algum deixar para reconhecer o reino e a Quem ele pertence em algum momento no futuro. Não existe futuro. Na eternidade, tudo é agora e é agora que preciso vivê-la.

É que, para mergulhar de forma definitiva na Vida que Ele me comprou com Seu sangue, preciso dar as costas a meu fascínio pela morte. Preciso abdicar a tudo que não é reino, a tudo que o contradiz. Preciso ser coerente com quem se sabe herdeiro da eternidade.

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Eis-me aqui, envia-me a mim

Aquela sexta-feira de algumas semanas atrás foi típica. Eu caminhando de manhãzinha e tentando descobrir sobre o que escreveria aqui. Eu estava fortemente impressionado a falar sobre
depressão, porque tinha vindo ao trabalho lendo no trem o capítulo a esse respeito de Mente, Caráter e Personalidade, de Ellen White, mas a ideia parecia esdrúxula. Afinal de contas, o que um advogado pode ter a falar sobre depressão? Mas a impressão continuou forte. Tamborilei os dedos sobre o computador olhando o cursor piscando sobre o branco da tela para me certificar que não teria uma ideia alternativa qualquer chegando lá de cima. Nada.

Apesar de bastante inseguro, acabei enviando a mensagem. Bem, fui surpreendido com respostas quase imediatas agradecendo e fazendo comentários valiosos sobre o tema. Algumas dessas respostas
engordaram minha listinha de objetos de oração especial, mas a mais surpreendente veio através de um e-mail de uma conta que não abria fazia tempos. Havia lá uma mensagem de um amigo que está
do outro lado mundo. Ele contou que estava vasculhando a internet atrás de material para ajudar sua esposa em atividades da igreja quando encontrou aquele texto sobre depressão hospedado em um site norte-americano voltado para brasileiros. Aquela mensagem, ele dizia, foi importantíssima por uma penca de razões. Será mesmo que aquela mensagem tivesse sido mesmo importante?

Algo parecido aconteceu quando escrevi sobre a escolha do(a) namorado(a) e em inúmeras outras oportunidades. Eu não sei porque estou escrevendo sobre aquilo, mas descubro mais tarde. E há também os dias em que escrevo inseguro e não tenho resposta nenhuma, mas estas respostas nas mensagens mais improváveis me fazem crer que para alguém aquilo pode estar sendo importante, ou quem sabe aquilo vá ser importante algum dia.

Certa vez li sobre uma mulher que vive para ajudar mendigos e desabrigados nos EUA. Ela dizia que nunca sabia o que ia acontecer durante o dia, ela não tinha agenda. Simplesmente se colocava à
disposição de Deus e Ele a conduzia para onde queria. E nunca estava desocupada.

Bem, o fato é que não existe sensação melhor neste mundo do que a de perceber haver sido usado por Deus. Não existe melhor ciência do que a de haver mitigado uma dor, despertado um sorriso, instilado esperança ou partilhado amor. Mas dificilmente isso acontece com planejamento rigoroso e de formas que podemos prever ou controlar. É acordar, ajoelhar-se e pedir para ser usado e inspirado por Deus. Esse pedido nunca falha.

Fomos chamados, amados, salvos para isso. Só precisamos estar à disposição.

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Espírito e entendimento

Imagine um jovem que nasceu e cresceu no Himalaia, budista ou hindu, aportando em uma de nossas cidades. Imagine que ele tem uma profunda curiosidade a respeito do cristianismo e aproveita que está num país cristão para saciá-la. Ele começa a andar pela rua e vê uma igreja. Ao entrar, assiste a um culto com muito barulho, pessoas falando ao mesmo tempo, muitas delas dando altos brados, levantando as mãos espalmadas, e tambores, e lágrimas e pessoas de olhos muito fechados batendo no peito. Nosso estrangeiro sai dali e vê uma outra igreja quase em frente. Ao entrar, assiste a um culto muito frio, com pessoas cantando juntas, talvez em vozes, mas sem nenhum acento emocional; depois um pregador se levanta e discorre sobre palavras vertidas do grego antigo e sua real acepção, ou então sobre um encadeamento complexo de textos bíblicos.

Essa pessoa imaginária ficaria confusa sobre qual o tipo de culto que os cristãos dão a Seu Deus. Eu também fico. A minha igreja nasceu no auge do racionalismo do século XIX, é muito apegada a formas estanques de liturgia e detesta demonstrações de emoção. As coisas têm que ser racionais. Deus nos pega pela razão e só depois pela emoção. Pastores que apelam para a emoção são um pouco mal falados e cantores que têm alguma expressão corporal são desincentivados. Como algumas modelos que se tornam atrizes e que empregam o mesmo tom de voz e a mesma expressão facial para qualquer tipo de fala, minha igreja é capaz de cantar uniformemente coisas como “sempre alegre/é o viver do bom cristão” ou “rude cruz se erigiu/dela o dia fugiu/negro manto de trevas e dor…”. Portanto, minha igreja está muito mais para a segunda das igrejas retratadas acima.

Se olho para a igreja que Jesus formava ao redor de Si, vejo uma outra coisa; nem um modelo nem o outro. Se Ele vivia condenando orações que eram vãs repetições, pessoas que O enalteciam sentindo em seus corações um sentimento bem diferente e outras formas vazias de adoração, infladas de uma emotividade ôca, por outro lado Sua pregação apelava à razão, através de parábolas e citações das Escrituras.

Paulo capturou à perfeição o modo de adorar que agrada a Deus: “Orarei com o espírito, mas também orarei com o entendimento; cantarei com o espírito, mas também cantarei com o entendimento” (I
Cor. 14:15). Uma adoração meramente racional é mutilada. Uma adoração de êxtase apenas, também. É preciso que o que cantamos e oramos brote da razão e encontre eco no coração, é preciso crer que estamos nos dirigindo ao Rei do Universo e que não podemos falar palavras vazias diante dEle.

Que nossa adoração seja holocausto a Deus, ou seja, integral, sem reter nem emoção nem razão, tudo colocado aos pés de Quem nos criou, salvou e vem buscar.

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Aperitivo da eternidade

Não conheço algo capaz de provocar uma sensação de plenitude e completude maior do que fazer a vontade de Deus. Você sente que está a serviço dEle, percebe que qualquer sacrifício que tenha feito (de tempo, de energia, de dinheiro, o que seja) foi gigantescamente compensado… Ainda assim, essa sensação costuma ser atropelada e soterrada pelas urgências do dia e pela vontade de sentir aquele tipo inferior de prazer. Nesses momentos, pode ser que Deus, que nos ama loucamente e que nos quer ver completos, tome certas medidas para nos trazer ao trilho certo.

O exemplo da igreja primitiva é bem ilustrativo. Antes de ascender, Jesus havia dito que eles deveriam ser testemunhas Suas “tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria, e até aos confins da terra” (Atos 1:8), mas eles deveriam permanecer em Jerusalém até serem revestidos de poder (Lucas 24:49). Eles obedeceram, permaneceram cerca de cinquenta dias “perserverando unânimes em oração” (Atos 1:14) e então a promessa se cumpriu, veio o Pentecostes, a conversão de milhares de pessoas e a inauguração de uma era de ouro, com a multiplicação dos conversos e um regime de fraternidade coletiva que o homem tentou reproduzir à força muitas outras vezes sem sucesso. Se Jesus com Seus milagres despertou o ódio da elite religiosa, imagine se o mesmo não ocorreria com esse ardor coletivo que estremeceu Jerusalém? E, no entanto, levou algum tempo até que a perseguição começasse.

É que, não fosse por ela, possivelmente os apóstolos teriam permanecido lá em Jerusalém para sempre, acomodados, refestelados, construindo igrejas com bancos confortáveis para verem Pedro pregar toda semana. Distantes da vontade de Deus e da missão que Ele havia dado. Segundo Ellen G. White, “a perseguição que sobreveio à igreja de Jerusalém resultou em grande impulso para a obra do evangelho… havia o perigo de que os discípulos ali se demorassem por muito tempo, despreocupados em relação à comissão que haviam recebido do Salvador de ir a todo o mundo”.

Uma perseguição pode ser boa? Um fracasso pode ser positivo? Uma crise pode ser edificante? Desde que nos traga ao trilho, certamente. A sensação de completude que daí decorre, amigo, é apenas um aperitivo da eternidade.

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Burkas

Em 2002 os EUA enviaram tropas para o Afeganistão, na busca por Osama Bin Laden e então o mundo conheceu melhor o regime dos talebans, a forma mais radical de islamismo. A condição da mulher
talvez fosse o ponto mais chocante para os ocidentais. Elas são obrigadas a usar as pesadas burkas, mantas negras que só deixam os olhos aparecerem. Ficamos sabendo que uma mulher deixar entrever a ponta do nariz em público poderia ensejar linchamento. Mulheres que trabalham devem usar o computador de luvas e, como essa, milhões de outras regras que traduzem um mesmo sentimento: mulheres são objeto de tentação, instrumentos do demônio, portanto. Devem ficar ocultas.

Durante muito tempo, um sentimento parecido permeou a cristandade. Aqueles mais preocupados com sua salvação eterna desligavam-se da sociedade, iam para mosteiros no meio do nada ou buscavam a solidão de santuários esquecidos do resto do mundo (recomendo o belo filme Noites com Sol, dos irmãos Taviani, que conta uma história bem elucidativa a esse respeito). A ideia era que se eles se entregassem somente à oração e não pudessem ver as coisas que representam tentações para eles, deixariam de pecar e com isso seriam salvos.

Esse sentimento é muito raro entre nós hoje. Ninguém foge da tentação, mas não porque está preocupado com sua salvação eterna. É que os discursos libertários que tomaram força nos anos 60 do século passado nos ensinaram que tentação não se resiste. Temos que ceder a elas, temos que satisfazer nossos desejos, porque de outra forma não estamos vivendo.

A Bíblia me diz que de uma forma ou de outra estamos dizendo não a Deus. O asceta e o que cobre as mulheres de panos pretos estão esquecendo que nosso trabalho não é deixar de pecar, ou seja, não é abster-se de fazer o mal. Aliás, isso não adianta, Jesus deixou claro que precisamos mais que não fazer o mal, fazer o bem e para isso precisamos estar no meio das pessoas e também respeitar a liberdade delas, como Ele fez. Deixar de pecar é assunto para Deus, pois Ele é quem opera o querer e o efetuar. Nosso trabalho é permitir ser revestido de uma nova natureza, com uma nova disposição para agir como Cristo agiria nas situações em que nos encontrarmos. É isso o que o batismo simboliza.

E quem nega que exista pecado e acredita que não há como resistir à tentação está negligenciando o mesmo ponto, porque está dizendo que não existe um Deus, ou pelo menos que Ele não tem uma lei ou ainda ao menos que Ele não pode dar poder para fazer o bem.

Não devemos ficar contemplando a tentação mas também não devemos tentar criar um mundo onde ela não exista. Devemos focar os olhos em Cristo e deixar o resto com Ele.

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Quem irá por nós?

O meu candidato presidencial é o líder nas pesquisas. É o tal de “indecisos/brancos/nulos”. O porcentual de jovens com vontade de deixar o país atinge suas marcas mais expressivas na História. A situação é tão desanimadora que ansiamos por um salvador da pátria, o que torna as perspectivas ainda mais sombrias, já que a maior parte dos eleitores pode acreditar que algum dos postulantes efetivamente se encaixa nesse perfil. Nesse cenário, ler Isaías 6 esta manhã foi iluiminador.

É um capítulo curtinho, mas notável. Ele começa dizendo que Isaías teve uma visão no ano da porte do rei Uzias. Uzias governou por 52 anos sobre Judá. A arqueologia demonstrou que ele foi a grande pedra na sandália de Tiglate-Pileser, o feroz rei assírio, que dominou Babilônia e boa parte da Mesopotâmia. Uzias, contudo, o escorraçou em todas as suas investidas, mas agora ele estava morto e o povo estava aflito. A subjugação assíria parecia inexorável. Em suma, o sentimento geral deles era parecido com o meu assistindo ao jornal matinal e a cobertura das eleições deste ano.

É nesse contexto que Isaías vê o Senhor “num alto e sublime trono”. Sua voz faz as paredes do templo estremecerem, há querubins cantando “Santo, santo, santo”, Sua glória preenche tudo. É que quando o cenário geopolítico se mostra soturno, Deus reafirma Sua soberania sobre os reinos deste mundo. Não exatamente para nos confortar, mas para nos fazer ver as coisas pela perspectiva correta. Deus é Santo e está acima de tudo isso. Independente dos caminhos que seguirmos, os planos dEle não serão frustrados.

Ele conclama Isaías a falar em Seu nome, mas na sequência prevê que esse esforço será vão. Ainda assim, Ele faz a sua parte, anunciando, falando, convidando, apelando.

Reafirmei hoje, então, a decisão de ouvir a voz dEle acima do noticiário agourento, e de ser um porta-voz do Reino dEle, mais do que de qualquer visão política humana. Ainda que poucos o façam, que eu esteja entre eles.

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Quem me tem

“O boi conhece o seu possuidor, e o jumento, o dono da sua manjedoura; mas Israel não tem conhecimento, o Meu povo não entende” (Isa. 1:3). Isaías 1 segue ressoando para mim, cerca de 2.750 anos depois de haver sido escrito. E ele começa dizendo que eu posso ser pior do que um boi ou um jumento.

A primeira visão de Isaías descreve uma nação oprimida por nações estrangeiras. “A vossa terra está assolada, as vossas cidades, consumidas pelo fogo; a vossa lavoura os estranhos devoram em vossa presença; e a terra se acha devastada como numa subversão de estranhos” (7). Em seguida, Deus pergunta: “De que me serve a Mim a multidão de vossos sacrifícios?… Estou farto dos holocaustos de carneiros e da gordura de animais cevados e não Me agrado do sangue de novilhos, nem de cordeiros, nem de bodes.” (11). Em outras palavras, ao sentirem o gosto da bota dos seus inimigos, ao terem suas filhas estupradas, suas colheitas saqueadas e ao terem de viver sob o signo do medo, Israel aumentou seus rituais religiosos. Ofereceu mais sacrifícios. Tentou comprar a proteção divina com mais cultos.

O caminho, contudo, não era esse. “Lavai-vos, purificai-vos, tirai a maldade de vossos atos de diante dos Meus olhos; cessai de fazer o mal. Aprendei a fazer o bem; atendei à justiça, repreendei ao opressor; defendei o direito do órfão, pleiteai a causa das viúvas” (16 e 17). Venham conversar comigo, apela o Senhor. Se me ouvirem, “comereis o melhor desta terra” (19).

Quando as coisas ruem, preciso resistir à tentação de parecer religioso e piedoso, porque o meu culto será ofensivo a Deus. Preciso ir conversar com Deus. Preciso deixar que Ele me ensine a olhar a viúva e o órfão mesmo antes de as coisas melhorarem, mesmo porque, a verdade é que quando as coisas estavam melhores, eu não os notava.

No fim das contas, Isaías está me dizendo hoje: lembre-se de a Quem você pertence e as implicações práticas disso. Nunca se esqueça Quem é seu dono.

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Fugindo da depressão

Os dois exemplos de personagens bíblicos que sofreram de depressão citados na semana passada têm como causas da enfermidade um fato assemelhado. Elias viveu um pico emocional e espiritual no monte Carmelo, foi usado por Deus de forma espetacular perante todo o povo reunido. Decerto ele esperava que aquele evento fosse o despertar de um grande reavivamento nacional, um grande movimento de retorno ao culto a Deus, mas em lugar disso o povo voltou para suas casas e a rainha mandou dizer que ia matá-lo. Elias pulou do pico do monte para uma depressão profunda (a propósito, as depressões logo após grandes ápices espirituais são mais comuns do que se diz por aí).

Jonas, por sua vez, tinha idéias muito rigorosas de justiça e quando viu Nínive ser salva, embora houvesse de certo modo trabalhado para isso, pregado na cidade por três dias chamando-a ao arrependimento, caiu também ele na depressão profunda. Talvez estivesse preocupado com sua reputação, porque havia pregado que a cidade seria destruída. De qualquer forma, assim como foi com Elias, a depressão de Jonas nasceu da contrariedade. Eles esperavam que as coisas andassem num sentido, mas viram ela dar um pinote em direção diferente.

Nem preciso dizer que estamos todos sujeitos a contrariedades. Mesmo em coisas que são vitais para nós, não temos qualquer garantia de que elas vão acontecer e do jeito que sonhamos. O quê, então, precisamos fazer para quando esse dia chegar não cairmos numa caverna qualquer e pedir a morte a Deus, espalhando tristeza e desesperança também ao nosso redor?

É preciso confiar. “Entrega teu caminho ao Senhor, confia nEle e o mais Ele fará” (Salmo 37:5). Precisamos desenvolver agora, antes dos momentos de contrariedade, um espírito de confiança. Isso é o tipo de coisa que não aparece do nada e nem com relação a estranhos. Você só confia em quem conhece, por isso é preciso soltar nas mãos dEle hoje as coisas pequenas, depois as médias, para estarmos aptos a soltar as grandes quando elas não saírem do jeito que sonhávamos. É preciso ser capaz de falar com a boca cheia que temos um pastor e que nada nos faltará, nem que atravessemos vales sombrios. É preciso alimentar a mente de coisas positivas e luminosas.

Mas hoje em dia um gatilho muito comum da depressão é o stress. É de vital importância respeitarmos os limites do corpo. Dar-lhe descanso. E para vencer a tentação de se encher de atividades e
obrigações, de trabalhar excessivamente ou de relaxar assistindo um pouco de TV altas horas da noite ao invés de descansar é preciso colocar seu corpo como prioridade. Outra coisa interessante que as pesquisas apontam: apenas uma minoria das pessoas que sofrem de depressão tinham hábitos de exercícios físicos. Atividades físicas liberam endorfinas e mantém as defesas do organismo contra a depressão bem altas. Se essas atividades forem realizadas ao ar livre, muito melhor, o efeito será duplo.

O bem estar de amanhã depende de escolhas que precisam ser feitas hoje. Pense nisso.

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Depressão

Num momento Elias está sobre o monte Carmelo ridicularizando os 400 profetas de Baal e conduzindo seu morticínio. No instante seguinte nós o vemos fugindo desesperadamente, entrando dentro de um deserto e atirando-se embaixo de um zimbro, pedindo a morte a Deus. Foi preciso que um anjo o chacoalhasse duas vezes e o fizesse comer e continuar andando (I Reis 19).

Num momento Jonas está compondo um lindo salmo de louvor a Deus pela salvação operada através do peixe que o engoliu. “Eu te oferecei sacrifícios com a voz de ação de graças. O que votei, pagarei”, diz ele (Jon. 2:9), mas no instante seguinte ele está assentado do lado de fora de Nínive, pedindo a morte a Deus. “Desejou com toda sua alma morrer” (3:8)… Então Deus aparece e tenta fazê-lo ver como era irrazoável que ele estivesse naquele estado de espírito.

Quando promovíamos lá na igreja oficinas sobre estudos bíblicos, aparecia meia dúzia de gatos pingados. Quando, entretanto, promovemos uma palestra sobre depressão, tivemos que, às pressas, mudar para um auditório maior porque apareceu uma pequena multidão. Ali aprendi que a depressão tem uma causa física, a baixa de serotonina, mas geralmente tem um gatilho emocional. No caso dos exemplos bíblicos, Elias e Jonas desanimaram da vida e suplicaram a morte porque as coisas não saíram da forma como eles gostariam, como eles achariam mais correta. Elias esperava que após o incidente do Carmelo o povo o carregasse nos ombros e promovesse uma reforma profunda em Israel, defenestrando a ímpia rainha Jezabel. Quando ele viu que todos voltaram para suas casas como se nada houvesse acontecido e que a tal rainha queria o pescoço dele, desabou. Jonas queria que Nínive, a cruel capital da Assíria, fosse consumida pelo fogo. A misericórdia divina lhe parecia injusta. Ao testemunhá-la, desabou.

Hoje em dia uma das causas mais freqüentes da depressão é a estafa, o excesso de trabalho e atividades, mas também é comum ver pessoas em depressão após que os filhos deixam a casa, quando se perde alguém querido, quando sonhos são desfeitos e por aí afora. A experiência de Jonas e de Elias, contudo, me mostram que Deus não gosta nada disso. Ele manda anjos nos chacoalharem e arrazoa conosco nos chamando à razão.

Sendo a Vida, Ele quer que nós amemos viver. Na verdade, Ele morreu para garantir isso. Na próxima semana vou tentar falar sobre atitudes que podem nos ajudar a fugir da depressão.

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