Publicações com Marco Aurélio Brasil

Fé x Ciência

Um dia você abre o jornal na folha de ciência e fica impressionado com descobertas espetaculares. Ou sai daquela aula de química com a cabeça fervendo. Ou se maravilha com o programa sobre microbiologia do Discovery Channel. Depois você abre a sua Bíblia e lê o relato da Criação, vê como Deus criou tudo do nada em seis dias, a forma como Ele criou Adão e Eva. E você fica tentado a seguir o curso materialista de nosso século e apagar Deus do mapa de suas crenças.

Você quer manter sua fé, mas culpa a Deus por não ter feito a Bíblia tão carregada de informações científicas como as matérias da revista Science e por ter escolhido colocar ali uma historinha mais parecida com lendas. Forma-se na sua cabeça um falso conflito entre Ciência e Fé, como se fossem antagônicas só porque os grandes expoentes daquela negam esta.

Bem, vale lembrar que a Bíblia foi escrita para conduzir você à salvação. E, para ser salvo, para viver eternamente e poder aprofundar-se o quanto quiser na ciência, você não precisa ser um
cientista. Você só precisa crer. Se a Bíblia fosse um compêndio de ciência, para ingresso na eternidade seria feita uma prova de múltipla escolha, mas em lugar disso é feito uma única pergunta, com duas opções de resposta apenas: você aceita Jesus como seu Salvador pessoal? Sim ou não?

A Bíblia foi inspirada por Deus para que ela testifique da existência dEle e de Sua descomunal obra para nos tirar da enrascada em que nos enfiamos. Foi inspirada para que, pela influência dela, respondamos sim à pergunta que eu escrevi acima. E, para crer e dizer sim, precisamos, muito mais do que conhecer os detalhes do átomo, saber que o átomo foi criado do nada por um Ser
transcendente. Que para Sua criação Ele não utilizou nenhum material eterno como Ele. Que Sua criação foi pensada para nos levar a adorá-lO. Que Ele merece essa adoração.

Ele não deu ali informações a que poderíamos chegar pelo nosso próprio esforço intelectual. Deu apenas verdades inspiradas, vindas de uma realidade na qual não podemos penetrar por sermos
infinitamente menores do que ela. Deu verdades para podermos posicionar os pés bem acima das incertezas com ares definitivos da ciência desse século.

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Quem poderá nos socorrer?

Não vivenciei as muitas experiências semelhantes anteriores, mas recordo vividamente a gigantesca esperança que foi depositada sobre Tancredo Neves. Depois a que foi jogada sobre Collor, FHC e Lula. Ficava essa expectativa crepitando no ar, de que agora as coisas iam encontrar o trilho que nos levaria a nossa vocação para constituir uma enorme Noruega dos trópicos, um país próspero, justo, seguro.

Se Moisés Naim está certo, qualquer tipo de esperança desse quilate está fadada a ser frustrada. Segundo ele, “o poder está em degradação. […] No século XXI, o poder é mais fácil de obter, mais difícil de utilizar e mais fácil de perder” (em “O fim do poder”, editora Leya). Por outras palavras, os chefes de Estado (assim como os presidentes de empresa, líderes de Sindicato, anciãos de igreja, etc) têm uma possibilidade real de fazer e acontecer cada vez mais limitada. O poder para impor a sua visão e controlar os acontecimentos é cada vez mais fraco. A informação abundante torna os liderados menos dóceis, mais complexos, com interesses cada vez mais difusos e agendas cada vez mais diversas.

Quando Davi escreveu as famosas palavras do Salmo 121, “elevo os olhos para os montes; de onde me virá o socorro?”, estava afirmando que não esperava salvação de onde as pessoas em geral costumavam esperar. Os altos dos montes eram os locais onde se sacrificava aos ídolos. Não. “O meu socorro vem do Senhor, que fez o céu e a terra. Ele não permitirá que os teus pés vacilem; não dormitará aquele que te guarda”.

Nada disso nos isenta do imperativo de lutar pelos caminhos que nos conduzam à justiça e à prosperidade, mas se a maioria parece ter uma outra visão a respeito de qual é esse caminho, não há razão para arrancar os cabelos. É, sem dúvida, mais difícil para os que não conhecem esse Deus ter esperança no futuro. Para nós, contudo, os que cremos, os que vemos nas profecias de Daniel um Deus sereno no comando dos destinos deste mundo que insiste em O rejeitar e expulsar, os que vemos no belo que ainda lateja ao nosso redor as Suas digitais e os ecos de Seu poder intacto e incrivelmente grande… bem, nós não precisamos olhar para os montes. Ou para as urnas. E podemos sorrir.

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Porque me ufano da cruz

Esta manhã um texto bem conhecido me deixou cismado: “Mas longe esteja de mim gloriar-me, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim e eu para o mundo” (Gal. 6:14). Foi remoendo essas palavras que fiz meu caminho matinal até o metrô. Eu tentava entender porque alguém diz que se gloria, que se ufana, num instrumento bárbaro de tortura. Ok, não é uma cruz qualquer, é a cruz onde Jesus foi pregado, mas ainda assim por que razão a tortura específica de um inocente seria a fonte de glória?

O apóstolo poderia dizer que tem na cruz o símbolo de sua salvação, da redenção de Cristo em substituí-lo na morte, mas isso é diferente de dizer que se ele se pavoneia de algo, é da cruz. Por que razão a cruz seria uma fonte de glória?

Cheguei ao metrô, entrei o vagão e a muito custo consegui achar um espacinho para abrir o livro que eu levava. Poucos minutos depois eu lia: “Quando olhamos para a cruz, vemos a justiça, o amor, a sabedoria e o poder de Deus. Não é fácil determinar qual desses aspectos é mais brilhantemente revelado, se a justiça de Deus ao julgar o pecado, se o amor de Deus ao levar o castigo em nosso lugar, se a sabedoria de Deus em combinar com perfeição as duas coisas, ou se o poder de Deus em salvar aqueles que crêem” (John Stott, Cristianismo Autêntico, editora Vida, p. 75).

A ideéia do famoso teólogo inglês pareceu suprir as lacunas de minhas cismas à perfeição. Afinal, eu posso, sim, me ufanar de haver sido justificado perante os olhos de outras pessoas. Eu posso também me gloriar do fato de ser muito amado; na verdade, as fotos de minha família aqui na minha mesa de trabalho são exatamente isso, o que dizer então da maior de todas expressões de amor feitas por Jesus na cruz em meu favor? Eu também posso me gloriar de haver sido beneficiado com justiça e com amor de forma tão sábia.

Mas de todos os aspectos que Stott vê na cruz, acredito que o poder é que fez Paulo escrever aquele texto. A explicação ele mesmo dá: a cruz o crucificou para o mundo e o mundo para ele. Ou seja, a cruz fez com que o mundo – aqui entendido como todos os apelos por condescendência, concupiscência, leniência, orgulho, auto-satisfação a qualquer custo, ou seja, o exato contrário do que pode ser chamado em melhor grau de amor, justiça e sabedoria! – perdesse completamente seu poder sedutor. O poder da cruz é maior do que o do mundo, porque a cruz anula o mundo. A cruz confere a Paulo o poder de não se sujeitar a tudo o que o mundo representa.

Esse poder está longe, muito longe de ser pequeno. Ele é sobrenatural, raro e de impacto inignorável, primeiramente para quem dele se aproveita, e em segundo lugar para quem rodeia essa pessoa. A cruz é fonte de poder. E, superada minha cisma matinal, vivo meus dias porvir me gloriando na cruz de Cristo, cujo poder sinto pulsar dentro de mim.

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Revisionistas

Você sabe o que motivou a guerra do Paraguai? A resposta depende de quando você estudou o assunto. A versão oficial era que Argentina, Uruguai e Brasil reagiram às provocações de Solano López, o ditador paraguaio, que, depois de um monte de bravatas, invadiu o Mato Grosso. Teria sido, portanto, uma iniciativa para frear o expansionismo do paraguaio. Mas uns 40 ou 50 anos depois do conflito, historiadores paraguaios começaram a divulgar a tese de que o estopim da crise teriam sido as iniciativas de López para fechar suas fronteiras aos produtos ingleses, numa ilusão de criar um estado autossuficiente. A tese se alastrou e ganhou ares de verdade, até que nos anos 80 novos estudos demonstraram que a ideia era absurda e sem qualquer fundamento. E isso ilustra aquilo que conhecemos sobre o que passou: tudo depende da agenda de quem nos conta a história.

Vamos pensar na sua história pessoal (você olhando para o espelho). Você não é candidato, não precisa higieniza-la. Você não precisa deletar fatos, transferir culpas, distorcer acontecidos, ressignificar escolhas e opções. Você pode ser honesto sobre quem você é. O problema é determinar nossa real capacidade de fazê-lo.

A Bíblia diz que temos essa estranha tendência de, sendo pobres, cegos, miseráveis e nus, olhar no espelho e ver a opulência encarnada. “De nada tenho falta”. “Uma coisa te falta”, contudo, é o vaticínio daquele que olha fundo nos olhos e extrai a verdade.

Se vamos revisar nossa história, que seja para enfim casa-la com a verdade, já que estivemos com Aquele que é a verdade, e que prova que ela de fato existe. Para reconhecer que não sabemos nada. Para confessar nossa miopia. Para admitir nossa miserabilidade. Para depender como só quem se sabe um verme egoísta quer quer desesperadamente deixar de sê-lo consegue fazer.

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O essencial é

Minha Bíblia narra eventos ocorridos na vida de duas pessoas fundamentalmente diferentes uma da outra. Enquanto a primeira é caricatural, bonachona, explosiva capaz de fazer as promessas mais
estapafúrdias que depois não cumprirá, capaz de às vezes sacar uma espada e arrancar umas orelhas, sempre o primeiro a falar e metido a líder, a outra é uma pessoa sensata, corajosa, mais apta a agir do que a falar que vai agir, capaz de correr enormes riscos para defender a causa em que acredita e de proclamá-la mesmo em face de castigos físicos extremamente dolorosos e até da própria morte, enfim, um dos maiores líderes de igreja de que há registro. Sim, ambas as pessoas atendem pelo nome de Pedro.

O primeiro Pedro dá a impressão de estar profundamente satisfeito consigo mesmo e com sua vida espiritual. Ele não era mais um simples pescador, era um dos milhares de seguidores daquele líder
extraordinário que surgiu na Galiléia. Ele estava feliz com a causa que abraçava, fazia parte de uma comunidade interessante, participava mesmo da cúpula dessa comunidade. Sua vida tinha
sentido, ele sentia suas necessidades de aprovação, de direcionamento e de aceitação satisfeitas e tinha suas ambiçõezinhas, já: planejava agora dar voos muito mais altos do que seus sonhos de pescador permitiriam.

Pedro acompanhou Jesus por aproximadamente três anos e meio, mas por que razão ele continuava tão distante do Pedro que aparece mais à frente, no livro de Atos, aquele líder religioso realmente confiável, um mártir e do qual só se tem notícia de um único deslize? Não preciso tergiversar, Jesus tem a resposta a essa pergunta. Está em Lucas 22:32: “mas eu roguei por ti, para que tua fé não desfaleça; e tu, quando te converteres, fortalece teus irmãos”. Simples: embora Pedro fosse comprometido com a causa, embora tivesse sido guindado a um posto de destaque nela (Jesus sempre o chamava quando queria um grupo diminuto de pessoas para testemunhar coisas como a ressurreição da filha de Jairo ou Sua transfiguração), embora Pedro houvesse testemunhado dezenas de milagres, ouvido centenas de sermões eloquentes de Jesus, embora ele estivesse literalmente muito próximo da pessoa de Cristo, ele ainda não era convertido. Jesus estava orando para que aquilo acontecesse.

Isso me ensina que é plenamente possível ser um rato de igreja, ser mesmo um líder nela, defendê-la renhidamente, conhecer todo mínimo detalhe teológico-bíblico, sentir-se bem em sua igreja, sentir que sua vida tem sentido e que a comunidade da igreja satisfaz suas carências sociais e lhe dá ambições boas e nobres e no entanto não ser uma pessoa convertida. E, no entanto, o diferencial entre os dois Pedros é a conversão, o Pedro a ser imitado é o segundo. Jesus não deixa margem a dúvidas: o essencial é ser convertido.

Parafraseando Morris Venden, a gente pode até não saber quando e como se converteu, mas dificilmente consegue se enganar quanto a isso haver acontecido ou não. E embora a gente não possa operar a nossa própria conversão, pode pavimentar o caminho ou preparar o ambiente para que isso aconteça.

Para Pedro, preparar o ambiente para a conversão envolveu um grande fracasso – quando ele negou a Jesus, mas depois disso ele simplesmente parou de raciocinar nas palavras de Jesus como sendo
passíveis de submeterem-se a suas próprias noções de certo e errado, de bom e mau. Ele passou a admitir o que Jesus falava como verdade e o que Ele ordenava como precisando ser obedecido. A lembrança do triste olhar do Jesus espancado mas cheio de amor sobre ele derrubou as ambições mesquinhas de Pedor e colocou no lugar o desejo de servi-lo. A partir daí, e só então, em algum momento naquele período de cinqüenta dias entre a morte de Jesus e o Pentecostes, foi que Pedro converteu-se e passou a confirmar seus irmãos.

Jesus está rogando pela sua conversão hoje, porque ainda é tempo. Porque o essencial é ser mais que meramente comprometido, é ser convertido.

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Mestres

Nesses tempos de incerteza, em que chegamos a invejar secretamente os convictos (ainda que sua convicção esteja impregnada de ingenuidade), costumo lembrar da promessa grafada em Isaías 30:21: “Quanto te desviares para a direita e quando te desviares para a esquerda, os teus ouvidos ouvirão atrás de ti uma palavra, dizendo: Este é o caminho, andai por ele.” Gosto desse verso há muito tempo. Costumava pensar nele como uma coisa meio sobrenatural, tipo a força de Star Wars (“desligue o computador, Luke…”), uma voz do além me dizendo claramente o que fazer nas encruzilhadas da vida.

Ai topei com Jeremias 17:9, com sua veemente advertência contra se apoiar na intuição e nos desejos: “Enganoso é o coração, mais que todas as coisas, e perverso; quem o poderá conhecer?” E os dois versos ficavam brigando um com o outro. A crença na “força” contra a razão fria, uma briga feia. Aí esses dias notei o verso que vem bem antes de Isaías 30:21: “Embora o Senhor vos dê pão de angústia e água de aflição, contudo, não se esconderão mais os teus mestres; os teus olhos verão os teus mestres”. Logo, a tal voz que fala atrás de mim é a voz dos mestres, que, conforme a promessa feita por Deus a Israel, é a voz dos mestres, e não a de um Obi Wan Kenobi esverdeado e translúcido. Apelar para a razão ativa nossa necessidade de confiar em um semelhante e confiança é o objetivo maior de Deus. Ele quer que identifiquemos os mestres, que manejam com sabedoria e honestidade intelectual Sua palavra e vivem de acordo com seu discurso.

Fico pensando se essa promessa era específica para a Judá do Velho Testamento ou se ainda está de pé. Em tempos de informação em excesso, a oferta de “mestres” está superabundante. E assim como informação de mais é informação nenhuma, mestres demais são mestres nenhuns. Desconfiamos dos acadêmicos, porque a academia produz muita bobagem. Preferimos crer nas palavras de ordem, nos clichês confortáveis e nas fake news nossas de cada dia e as passamos adiante.

Talvez, portanto, a oração para este tempo, a verdade presente, é rogar que Ele nos abra os olhos para ver. Para ver os mestres. A quem ouvir. Antes de se desviar para a direita ou para a esquerda.

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Maranata

Você caiu num buraco fundo, escuro e úmido. Lá fora, só silêncio, sonidos distantes de cigarras e outros típicos da floresta. Tente imaginar o seu estado de espírito nessa situação, acho que não seria muito difícil. Mas atenção! Apareceu alguém lá em cima, deu um belo sorriso e disse que vai tirá-lo dali. Só precisa pegar uma corda. É alguém que inspira muita confiança. O seu estado de espírito continua o mesmo? Você vai viver aqueles últimos momentos de expectativa da mesma forma e com as mesmas perspectivas de até então ou vai parar de arrancar os cabelos e de se angustiar?

Agora tente imaginar outra situação hipotética. Você está no trânsito de São Paulo, dirigindo pelas marginais, quando sintoniza no rádio um alerta: está chegando à cidade uma enorme tempestade. Em poucos instantes vai cair um dilúvio, com perigos de transbordamento dos rios e córregos da cidade, enfim, caos à vista. O que você faz? Continua dirigindo serôdiamente, assobiando e fazendo o caminho que havia planejado ou tasca o automóvel no primeiro hipermercado ou shopping que aparecer?

Pois bem, a Bíblia diz que Jesus Cristo está voltando. Ela não faz rodeios para falar disso, ao contrário, a mensagem a respeito desse evento está repetida cerca de 1.500 vezes. Para cada verso com uma profecia a respeito do primeiro aparecimento de Cristo, há oito falando do segundo aparecimento dEle e o mais lembrado é o que está em João 14:1-3: “Não se turbe o coração. Credes em Deus, creiam também em mim. Na casa de meu Pai há muitas moradas… vou preparar-vos lugar, e se eu for, voltarei e os buscarei, para que onde eu estiver vocês estejam vós também”. A última profecia da Bíblia é esta (“Certamente cedo venho”, Apoc, 22:20).A Bíblia é clara ao dizer como isso acontecerá: será de forma inequívoca, “todo olho o verá” (Apoc 1:7), será um evento
literal (At 1:11), audível (I Tess. 4:16 e 17) e universal (Mat 24:27). Quando isso acontecer, haverá apenas dois grupos de pessoas na Terra: aqueles que esperavam isso acontecer e se prepararam para isso, saudando Jesus, para quem aquele será o dia mais glorioso de todos, e os outros, que, segundo Apocalipse 6:16, pedirão às rochas e aos montes que caiam sobre eles para os esconder de Jesus, num misto de vergonha e medo.

A volta de Jesus é um fato bíblico, dito e repetido como nenhum outro. Tudo o que a Bíblia previu para acontecer até agora aconteceu à risca, daí a confiabilidade do rosto que apareceu lá em cima, no buraco em que caímos. Podemos confiar nele! E, se confiamos que alguém está vindo com a corda para nos tirar do buraco de dor, separação, solidão, angústia e culpa em que caímos, já vivemos diferente da forma como vivemos até ouvir essa mensagem. Você expressa essa alegria no rosto?

Ou vai continuar vivendo como sempre, rumando para a tempestade que foi anunciada porque não quer desviar do seu conveniente caminho?

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Declaração de dependência

Um tempo houve nesta terra em que as leis eram feitas por pessoas que não nasceram aqui. Pior, pessoas que jamais haviam pisado aqui. Nesse tempo, as leis visavam quase que exclusivamente proteger os interesses deles, os de lá, d’além mar. Os barcos chegavam, entupiam-se do melhor que por aqui havia, e rumavam de volta para lá. Por caprichos do destino os tais legisladores locupletadores vieram dar aqui, terra de muita luz, mosquito e calor, mas nada mudou, o sumo da terra continuava a ser canalizado para eles e os que protegiam. Assim foi até o dia em que declaramos nossa independência.

É a data mais importante de nosso calendário cívico, feriado nacional, cantada em vetustos e imponentes versos logo no começo do hino nacional, merecedora até de um hino próprio, onde se canta a plenos pulmões que “já raiou a liberdade no horizonte do Brasil”.

Agora estamos livres. Livres para não ser mais espoliados por outros. Agora podemos nos espoliar nós mesmos. Agora os que se locupletam são filhos desse solo, não temos mais a vergonha de
entregar o ouro ao estrangeiro. E os filhos da terra se mostram exímios nessa arte, não devemos nada a ninguém. A liberdade deste mundo é sempre precária.

Ainda assim, independência é algo que nos soa positivamente, ao passo que dependência tem sempre um aspecto negativo. Ser dependente de alguém é ser fraco, é não ter personalidade.

E, no entanto, é o único caminho para salvação e para vida eterna. “Sem mim nada podeis fazer”, diz Jesus Cristo (Jo.15:5). A diferença para a dependência ruim que estamos acostumados a
encontrar é que Jesus não nos espolia. Temos um “colonizador” que quer efetivamente nosso melhor, quer que nosso ouro, o ouro que Ele mesmo planta em nós, reverta para nossa vida e dos que nos rodeiam. Mais que isso, Ele quer que retenhamos o ouro que vale a pena reter.

A ilusão da liberdade é que ela nos faz usá-la para coisas altamente perecíveis. Submetendo-a a Jesus, somos verdadeiramente independentes da morte e de seus sub-produtos. Nesse caso, amigo, é
dependência ou morte.

Esta é minha declaração de dependência. Confesso ante todos que sem Cristo eu não sou nada e que O seguirei por onde pedir, porque experimentei a Vida e me apaixonei por ela.

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Esse povo dos direitos humanos

Uma parcela substancial de nossa angústia e frustração advém da confusão sobre quem é nosso inimigo. Paulo, em um de seus mais inspirados insights, não deixou margem para dúvidas: “Porque não temos que lutar contra a carne e o sangue, mas, sim, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais” (Efe. 6:12). E, no entanto, posicionamos o alvo na cabeça de gente e de coisas de gente. Tratamos o cônjuge, o filho, o pai, o chefe, o empregado, os outros motoristas, o marxismo, o evolucionismo, a ideologia de gênero, a corrupção, etc. e etc., como O Inimigo.

Equivocar-se contra quem ou o que é o real inimigo nos leva a distorcer tudo. Veja, por exemplo, a questão dos direitos humanos. Eles só existem por causa do cristianismo. Foi a mensagem de Cristo, especialmente através da luz que a Reforma Protestante jogou sobre ela, que fez germinar a ideia de que seres humanos detém direitos inatos (à vida, à saúde, ao livre desenvolvimento da personalidade, à honra, à integridade física, à educação, etc.). Mas, como geralmente quem levanta a bandeira dos direitos humanos são ativistas de esquerda e como os cristãos geralmente se alinham mais à direita, e como elegemos o marxismo como o maior inimigo a ser combatido, passamos a odiar os direitos humanos de um jeito que, se eles foram inventados pelo cristianismo, possivelmente serão soterrados pelo mesmo cristianismo. O mesmo acontece com o respeito aos homossexuais, a ecologia, políticas assistenciais e tantas outras coisas.

Note que, fazendo isso, nos tornamos contradições ambulantes. Nos dizemos seguidores de Cristo e odiamos quem prega ajuda aos mais pobres. Seguimos Aquele que foi preso, torturado e morto injustamente e ainda assim pediu perdão para Seus algozes e que nos conclamou a amar indiscriminadamente, mas aplaudimos o político cristão que defende abertamente a tortura e a execução sumária de bandidos. Dizemos seguir Aquele que tratou as mulheres com uma dignidade que beirava o escândalo e, no entanto, nos escandalizamos quando aqueles que confudimos com o inimigo pregam igualdade salarial entre os sexos. E por isso destilamos ódio contra o alvo errado, enquanto o alvo certo, as potestades e principados, dão risada desse toda essa energia aplicada em espancar aquilo pelo que Jesus Cristo morreu.

Não nos iludamos. Ainda temos muito que aprender.

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A resposta

Embora não precisem antagonizar-se, fato é que a fé e a razão parecem habitar universos diferentes, ou pelo menos partilhar de naturezas diferentes. A fé deu as cartas durante muito tempo. Aí, ali pelo Iluminismo, os caras olharam para trás e viram que o reinado da fé não tinha sido bom. A sociedade era dividida em estamentos estanques, no qual os menores deles oprimiam a imensa maioria dos estamentos inferiores, havia um monte de guerras, havia hipocrisia e todo tipo de abuso. Pegaram a fé, amassaram e jogaram no lixo. Era a época das luzes. Chega de obscurantismo. Agora a razão imperaria. Passados 300 anos, embora a razão não tenha reinado absoluta como a fé o fez, as pessoas olham pra trás e não gostam do que vêem. Há uma enorme insatisfação pelo fato de a razão não haver inaugurado o tempo de felicidade plena e abundante que prometeu. Falta o espiritual nesse mundo em que a matéria não satisfaz.

Ora todos têm aqueles momentos de epifania, de catarse, aqueles momentos em que a beleza extrema os atinge no peito e eles sentem que a razão não dá conta disso. Todos têm aqueles momentos em que sentem um mundo maior que eles pulsando dentro deles. Uma paisagem estonteante. O momento imediatamente anterior ao primeiro passo no salão em que acontecerá o seu casamento. O nascimento do filho. A paz inoculada na tormenta pela simples presença de amigos. O lembrete deixado pela morte repentina de alguém importante. E então as pessoas buscam o espiritual, mas de preferência sem Deus. Mindfullness, yoga, meditação, alguns tipos de terapias, a devoção a um artista, a relação de dependência com um coach, mil obsessões (com a saúde, com o dinheiro, com a política, etc). São tentativas de suprir o que a razão e a matéria sós, está provado, não podem fazer pela humanidade.

C. S. Lewis precisou lutar contra o seu confortável ateísmo para concluir que alguma coisa estava errada nisso tudo e aqui está sua conclusão: “Se eu encontro em mim um desejo que nenhuma experiência desse mundo possa satisfazer, a explicação mais provável é que eu fui feito para um outro mundo”. Feito à imagem e semelhança de Alguém maior. E então percebemos que o problema nunca foi a fé, mas a fé sem o seu autor e consumador. NEle e por Ele, tudo que é incompleto encontra a completude, tudo que é insatisfatório encontra a plena satisfação, tudo que é limitado encontra o que é eterno. O nome da resposta, senhores, segue sendo Jesus Cristo.

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