Publicações com Yeshua

# Perguntas e respostas

Li na rede social um pai testemunhar uma situação familiar, no mínimo emocionante. A filha de dois anos se aproxima dele e mostra uma borboleta em suas mãos. O animalzinho está morto. Quando então, com aquela sensibilidade que só as crianças têm, ela pede ao pai para consertá-la. “Não posso”, ele responde. E pensa: “Como dizer a uma criança que não podemos consertar a morte?”.

De fato, há coisas que são complicadas explicar às crianças. Não porque elas não entendam uma explicação coerente, com palavras simples, mas, sobretudo porque a resposta dos adultos normalmente é fundamentada em conceitos próprios de um mundo limitado, devendo esperar que elas cresçam para que compreendam.

Agora, imagine uma sociedade em que as crianças cresçam conhecendo as escrituras, e até que envelheçam e morram, para tudo que queiram saber sobre a vida, seja a Palavra do Eterno a fonte da meditação que os levem a respostas que o mundo não pode dar.

Certa ocasião, Jesus afirmou que para entrar no reino, seria preciso ter a humildade das crianças (Mateus 18). Hoje, os homens têm pouca ou nenhuma relação com seu Criador. Se tivessem essa humildade, estariam vivenciando experiências reais através das escrituras, onde vida abundante transcende das palavras que a revelam.

A esse propósito, os homens poderiam agir como o fizeram os meninos que presenciaram Jesus curar aos cegos no templo, sendo sua reação, clamarem: “Hosana ao Filho de Davi!

Em que pese, na ocasião, sacerdotes e escribas presentes se indignarem com o clamor dos meninos, você sabe por que elas ousaram fazê-lo? Porque seus pais lhes ensinavam as escrituras, a sociedade vivia seus preceitos, mas, sobremodo porque estes reconheceram as respostas às suas perguntas no filho de Deus, presenciando, assim, o conserto do que estava morto.

É preciso estudar as escrituras, sim, porém muito mais do que isso será o meditar e orar por meio dela, proporcionando a intimidade que leva à compreensão da vivência a partir de sua realidade. Dessa forma, respostas possíveis como – consertar a morte – podem ser dadas às crianças de forma real, apresentando-lhes de que maneira – O Caminho, a Verdade e a Vida – venceu a morte, para que, enfim, saibam que isso aconteceu pelas borboletas, assim como pelos homens.

A paz esteja com todos.

Sadi – Um Peregrino da Palavra

Sady Folch# Perguntas e respostas
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# Semeando a Palavra

Atualmente o que mais se vê nas exposições midiáticas sobre o evangelho são pregações em nome da verdade, por pessoas que se dizem discípulos ou sacerdotes de Cristo, entretanto ofendendo-se uns aos outros, acusando-se mutuamente por aquilo que entendam serem distorções de interpretação (muitas delas evidentes), ou ainda tratando-se com tal indiferença ou hipocrisia que chega a ser triste, para não se dizer, trágico.

Isto sem citar as ocasiões em que, por supostas defesas do evangelho em face de valores do mundo secular que a ele se apresentem dissonantes, o fazem de maneira agressiva, comportamento este mais desarmônico ainda. O certo é que as escrituras têm sido expostas sem qualquer expressão de sua essência, qual seja amor a Deus e ao próximo, vivenciados mediante a mansidão do coração.

Quanto à diversidade de doutrinas, é sabido, perfeitamente, muitas foram criadas a partir de textos bíblicos retirados de seu contexto e, por atenderem a conveniências humanas, ainda que sejam frutos de enganos a que foram submetidos por não as colocarem à prova diante da Palavra, o certo é que voltar atrás se tornou complicado. Daí em diante a natureza humana, nada espiritual, se convence que o melhor a fazer é continuar, ainda que exponha o evangelho ao ridículo, em meio a brigas e discussões doutrinárias, resultando no afastamento de pessoas que poderiam conhecê-lo em uma experiência real com Deus.

Em determinada ocasião, Paulo ao se dirigir aos cristãos na cidade de Corinto, advertiu-lhes estarem ainda se comportando como crianças, devido a tanta divisão doutrinária a que deixaram submeter-se, sendo impossível dar-lhes alimento espiritual sólido, pois estavam totalmente limitados na compreensão da essência do evangelho. Diziam os coríntios: “Eu sigo a Paulo”; e o outro: “Eu sigo a Apolo”; como se isso fosse credencial para alguma certeza de melhor doutrina. Razão pela qual o apóstolo perguntou a eles quem era Paulo (ele mesmo) ou Apolo, senão cooperadores de Deus. E sentenciou: “Eu plantei, Apolo regou, mas Deus é quem dá o crescimento”.

Oras, se um ser humano que por ventura busque ter comunhão com Cristo e ainda ignore determinadas verdades, quem pode as revelar em caso de incompreensão total senão o espírito de Deus? Ainda que o homem possa fazê-lo mediante estudos comprometidos com a verdade, deve se dirigir com amor, paciência, alegria, paz e bondade, pois estes são frutos do espírito, jamais mediante a agressividade das imposições.

Outro aspecto desta “guerra santa” é a contraposição dos valores humanos aos do evangelho da forma como tem se dado em meio à mídia, nas casas legislativas, tornando-se um ringue aos pés dos opositores, em nada acrescentando ao conhecimento da palavra de Deus, ao contrário, tornando pessoas que não a conhecem, detentoras de um ódio injusto para com o evangelho.

É certo que Cristo afirmou que o mundo odiaria aos que amam e vivem pelo evangelho, contudo, isto se daria em face de um comportamento cristão condizente à sua essência, e não mediante um comportamento humano que procura falar em nome do evangelho. Quando contraposto, Jesus revelava a verdade com sabedoria e retirava-se. A ninguém impunha nada. Buscava alcançar os corações mediante o amor. Apenas aos sacerdotes fariseus, cheios de si que eram, os chamou de hipócritas, contrapondo-os à verdade, mas, neste caso porque aqueles se diziam servos de Deus, justificada assim, a dureza da fala de Cristo.

A semente do evangelho é plantada nos corações pela pregação, e quem a faz crescer no entendimento é Deus, e não o homem discípulo ou sacerdote, por meio de suas imposições doutrinárias e ofensas pessoais; a estes, no máximo, se couber-lhes acrescentar algo, o será pelo bom testemunho, tão somente.

Shabbat Shalom!

Sadi – Um Peregrino da Palavra

 

Sady Folch# Semeando a Palavra
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# O meu redentor vive!

Há algumas relações interessantes entre a páscoa judaica e a cristã.

Pessach em hebraico significa passagem. A festa da páscoa na cultura judaica, como todos sabem, comemora a libertação de Israel da escravidão no Egito. Isso teria acontecido no mês de nissan, que marca também a transição entre o inverno e a primavera no hemisfério norte. Por aí é fácil verificar como inverno e escravidão, primavera e liberdade se relacionem simbolicamente.

A páscoa cristã, por sua vez, comemora a ressurreição de Cristo e representa a vitória da vida sobre a morte, relacionando-se à libertação da sujeição do ser humano ao pecado e, consequentemente, da morte que não nos permitiu vivermos a plenitude com Deus desde a separação.

No entanto, por vivermos, ainda, em corpo corruptível, o pecado permanece em nós, todavia pela realização da promessa de liberdade por ocasião da morte ter sido vencida, recebemos a possibilidade de vivermos pela graça, rejeitando o pecado, até a volta de Jesus.

A ressurreição de Cristo se tornou nossa páscoa, ou seja, nossa passagem: da morte espiritual para a vida e, porque ainda esperamos a sua volta, para enfim vivermos a plenitude dessa vida espiritual, a graça representa um reflexo da vida plena que haveremos de viver, assim como os israelitas que foram libertos da escravidão, continuaram no deserto até que pudessem entrar na terra prometida.

A abundância que vivemos o é por meio da graça, que nos permite suplantar a corrupção de que é feita nosso corpo. Isto, pois, em Cristo depositamos toda a confiança que precisamos para seguir com fé neste deserto. A ele entregamos nossos fardos, impossíveis de carregar por nós mesmos e, recebemos a sua paz que excede ao entendimento humano, justamente para que possamos ter uma postura diferenciada da que tem o mundo diante das adversidades.

Dito isto, é importante ressaltar uma forte semelhança entre os fatos que ensejaram ambas as páscoas. Cumpre dizer que a festa de “pessach” tem seu significado – passagem – por conta da passagem do anjo enviado por Deus ao Egito, e não da passagem, essencialmente, da escravidão para a liberdade. Aqui reside a semelhança maior. Foi comunicado a Moisés que as casas dos israelitas deveriam ter seus umbrais marcados pelo sangue de um cordeiro, e assim os escolhidos não seriam atingidos pela morte.

Cristo é esse cordeiro. Dele é o sangue que nos marca, que nos sela para o tempo do juízo, que haverá de ocorrer por ocasião de sua volta. Maranata! E, como afirmou Paulo ter o Eterno ressuscitado a seu filho, o pregação do evangelho e a fé em Cristo não são vãs.

Por tudo isso podemos evocar as palavras de Jó, e dizer felizes: Porque eu sei que o meu redentor vive!

Shalom!

Sadi – Um Peregrino da Palavra

Sady Folch# O meu redentor vive!
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# Águas de Pedra

As escrituras apresentam fatos interessantes, muitos deles sobrenaturais, mas é importante, sobretudo que possamos entendê-los pela medida daquilo que nos ensinam, percebendo que há nos seus encadeamentos, o elo que os conduz a uma história coerente e verdadeira. Não são apenas registros das experiências que o povo passou, tanto quanto podemos tomá-los por sombras das coisas futuras que prediziam do Messias que viria.

São momentos de uma história que ainda está sendo contada; esta que possibilita ao homem o seu retorno ao Eterno. Para vivê-lo é preciso nascer de novo, tornar-se novo homem, despir-se da velha natureza, vivendo pelos frutos do espírito.

Em Horebe, no deserto, todo o povo sentia sede e se dirigiu a Moisés, seu líder espiritual, para que ele solucionasse o impasse. Orientado pelo Eterno, tomou seu cajado e golpeou a pedra por uma vez, saindo dela água para o povo. E todos saciaram a sede. A esse reflexo, registrou Paulo na primeira carta aos coríntios o seu entendimento: A pedra era o Messias.

Uma rocha espiritual que os seguia. Um testemunho para que o povo vivesse pela fé, como também uma sombra do que caracterizaria o Cristo em seu tempo, pelo que este afirmou ao dizer: “Eu sou a rocha”; “Eu sou a fonte de água viva”. A propósito, a rocha a ser ferida e dela verter a paz, refletia o que ele próprio iria viver, confirmado pela profecia que ele seria golpeado e por suas feridas, nós seríamos curados.

Décadas depois, precisamente no quadragésimo ano após a saída do Egito, o mesmo fato volta a ocorrer. O povo cobrou de Moisés a solução do problema. Da mesma forma ele voltou-se ao Senhor para receber a orientação. Alguns poderiam se perguntar o porquê dele ter feito isso, pois já havia ocorrido fato semelhante, ou seja, bastaria ferir a rocha novamente.

Mas, não é tão simples assim. Um líder espiritual, assim como também é ensinamento para nós, precisa conhecer a vontade do Eterno, pois só o Pai sabe os segredos ocultos em nosso coração e a fase de nosso desenvolvimento espiritual. Mas, enfim, Moisés consultou a Deus e ouviu dele que tomasse o seu bordão e fosse à rocha e com ela falasse. Falar com a rocha? Sim, falar. Era o que deveria fazer.

E então, dirigindo-se ao povo de forma arrogante, como se ele próprio fosse o responsável, e não Deus, pela água que verteria, também de maneira desaforada, em vez de falar à rocha, feriu-a não uma, mas duas vezes, demonstrando a desobediência e a inacreditável (por tudo que até aquele momento já havia ocorrido) falta de fé no Eterno. Ainda que a água tenha vertido, pois o Senhor cumpre seus desígnios, sua descrença e desobediência o impediram entrar na terra prometida.

Este fato traduz dois importantes comportamentos para aquele que busca a Deus: a fé em Jesus e a obediência ao mandamento. Hoje vivemos o tempo da graça pela obra ocorrida no madeiro, pois aquele que nos traz a paz está vivo. Não necessitamos mais ferir a rocha para que dela surja a água que sacia. Se andamos com ele, basta pedirmos. Através de seus ensinamentos, entendemos a necessidade da transformação para que habite em nós um novo homem, e assim vivermos experiências sobrenaturais, sendo, sobretudo reais com Deus.

Quem lê, entenda.

Shabbat Shalom!

Sadi – Um Peregrino da Palavra

Sady Folch# Águas de Pedra
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# Plena Comunhão

Certa ocasião, eu ouvi de um palestrante adventista a seguinte afirmação: “Desde o tempo em que entreguei minha vida aos caminhos do evangelho, nunca conheci um homem sequer, que ao guardar o mandamento e andar pela fé em Jesus, mendigasse o pão”. Por certo que dera testemunho verdadeiro, no entanto o diferencial em sua assertiva não reside apenas no fato de alguém que tão somente guarde o mandamento e a fé em Jesus, mas, sobretudo entrega-se a uma busca de repleta transformação.

Paralelo a isso, qualquer um poderia levantar-se e dizer que houve ocasiões em sua vida em que por conta de um desemprego, muitas intempéries tenham ocorrido. Pois bem, parece-me que a estes, antes de lhes dizer palavra, seria oportuno perguntar-lhes se tal infortúnio transcorrera sem fim, ou tenha se revertido com o tempo. Se estiverem em comunhão com o Senhor, certamente a resposta abrangerá para além dos alívios, alcançando o testemunho dos aprendizados.

Cumpre dizer também que situações semelhantes, ainda que acreditemos estar trilhando o caminho proposto pelo evangelho, possam, de fato, apresentarem-se como se estivessem em dissonância à vontade do Eterno. E é possível que estejam. É preciso lembrar aos que buscam a presença do Senhor, que Sua essência é perfeita, sobrepondo-se a tudo o que há. Por isso, ao recebermos o esclarecimento da sã doutrina, é fundamental nos revestirmos pelo novo nascimento no espírito, única forma de vivenciar a luz no caminho em direção ao Eterno, revelando-nos os aprendizados a que estejamos sujeitos.

Em Jerusalém, disse o Senhor por meio do profeta Jeremias aos que estavam em Babilônia: “Então me invocareis, e ireis, e orareis a mim, e eu vos ouvirei. E buscar-me-eis, e me achareis, quando me buscardes com todo o vosso coração.” (Jeremias 29). Disse isto, pois, falsos profetas se levantavam para lhes dizer enganos naquelas terras. E, mesmo os tendo permitido serem levados cativos, havia um tempo para aquele propósito debaixo do céu. Precisavam revestir-se da fé e observar os mandamentos.

Objetivando a comunhão com o povo, O Eterno orientou-os a crescerem e multiplicarem-se, procurando pela paz e pela prosperidade daquele local, pois se assim ocorresse com a cidade, haveria de o ser com eles também. Ele sabia dos planos que tinha para o povo, originados de pensamentos perfeitos de paz, esperança e futuro.

E, por fim, ainda que estejamos conscientes destas diretrizes, é preciso ainda ter a coragem de desejarmos em nós, as palavras ditas pelo rei Davi em oração: “Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração; prova-me, e conhece os meus pensamentos. E vê se há em mim algum caminho mau, e guia-me pelo caminho eterno.” (Salmos 139), pois, normalmente, haverá algo a ser corrigido.

Os que buscam a experiência real dos caminhos do evangelho, guardando o mandamento e a fé em Jesus, sabem que o servir ao Senhor se dá mediante os frutos do espírito, ação que ao ser empreendida, testemunha a paz do entendimento de que não se vive só de pão, ainda que o tenha todos os dias, mas de toda a palavra que vem da boca de Deus.

Shabbat Shalom!

Sadi – O Peregrino da Palavra.

 

 

Sady Folch# Plena Comunhão
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# O encontro da verdade

Conta uma história que a verdade saiu de casa com o fim de compartilhar seu conhecimento entre os homens. O primeiro grupo que encontrou não lhe deu a menor atenção. Achou estranho o tal comportamento, porém não desejou forçar-lhes a nada. Assim seguiu seu caminho, não se desviando nem para a direita, nem para a esquerda, até que encontrou outro grupo de pessoas. O tratamento lhe pareceu semelhante ao anterior. Resoluta, seguiu sem querer incomodar a nenhum daqueles com pergunta que fosse. Outras e outras ocasiões surgiram em meio ao caminho e em nenhuma delas teve uma recepção que diferenciasse das anteriores.

Entristecida com todo aquele desprezo, ela voltou ao seu lugar de origem e ali permaneceu recolhida até que um dia alguém bateu à porta. Ao abrir, deparou-se com a parábola. A parábola foi logo perguntando o porquê daquele semblante tão triste, ao que de pronto ouviu a verdade dizer que havia tido uma péssima experiência com os humanos. A parábola, por sua vez abraçou-a e adentrando à casa, ofereceu-se para fazer um chá, assim conversariam um pouco.

Sentadas à mesa, a parábola passou a lhe explicar o motivo pelo qual havia sido tratada com tanto desprezo.

Os humanos não gostam de encarar os fatos, disse ela à verdade. Preferem, muitas vezes, a companhia até mesmo do engano e da mentira, pois estes lhes são bajuladores e, sem que eles saibam, normalmente lhes entregam uma confiança fruto de sofismas, criados por meio de conceitos antigos encontrados fora do caminho. Mistura-os a algum incentivo que poderia ser tomado como verídico, é assim fisgam definitivamente a confiança dos homens.

E a parábola continuou a lhe falar sobre os homens, até que a verdade, horrorizada com a explicação, e quase sem esperança de obter algum relacionamento com eles, perguntou se havia algo que pudesse fazer para obter a atenção dos humanos. Foi então que ouviu as seguintes palavras.

Veja bem, a maioria deles age da maneira como eu te afirmei; mas, também é certo que, assim como outros mais acessíveis, eles a entenderão melhor se a receberem vestida de forma que os faça pensar e percebam que estão diante dos fatos. Portanto, vou lhe dar algumas de minhas roupas, presenteadas pela sabedoria real, e assim com certeza poderá ganhar-lhes a confiança, abrindo-lhes, inclusive, os olhos para as más companhias a que se acostumaram.

A verdade pensou um pouco e questionou se aquela não seria também uma forma de disfarçar-se como o fazem o engano e a mentira. Nesse momento, com toda tranquilidade, a parábola mostrou à verdade que havia um enorme abismo entre eles, pois aqueles se valiam de artifícios para iludir aos homens, enquanto ela, conseguindo o acesso aos humanos, só haveria de beneficia-los com sua companhia.

Pense bem, concluiu a parábola, você não irá se esconder como se quisesse perverter a cabeça dos homens, mas irá tão somente vestir-se de maneira que eles aceitem ouvi-la e possam enxergá-la.

E assim fez a verdade, sendo, enfim, ouvida e aceita por muitos homens.

Que as palavras que Jesus ouviu do Pai e transmitiu à humanidade, Ele que é a Verdade que pode libertar, inclusive dos sofismas, transformem nosso entendimento.

Bendito seja o nome do Eterno!

Sadi – Um Peregrino da Palavra

Sady Folch# O encontro da verdade
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# Um coração transformado

Há uma lenda árabe que conta que dois grandes amigos seguiam pelo deserto quando um deles manifestou pensamentos depressivos e iniciou uma discussão. O amigo que o ouvia logo intercedeu pelo outro, tentando tranquiliza-lo. O indivíduo que estava desgostoso passou então a relatar os motivos de sua tristeza e começou a relembrar coisas que o outro o dissera e que o levaram àquela depressão.

Sem conseguir ser dissuadido de que as coisas que ouvira no passado haviam sido ditas para seu próprio bem, o indivíduo que estava profundamente entristecido sacou da adaga que carregava e tentou tirar a própria vida. Neste instante, durante uma rápida distração, teve a arma retirada de suas mãos e de pronto recebeu um tapa no rosto. Assim os ânimos acalmaram-se, e ficaram ali, aguardando em silêncio. Passado um tempo, o que foi ferido escreveu na areia sobre o tapa que havia recebido de seu amigo naquele dia.

Levantaram-se e seguiram o caminho pelo deserto. Ao encontrarem um grande oásis resolveram banhar-se. Aquele que levou o tapa no rosto avançou para a região aonde havia certa profundidade. Nesse momento começou a se afogar, o que fez com que o amigo que mesmo sem saber nadar, saltasse em sua direção, salvando-lhe a vida. Após recuperar-se, o que foi salvo escreveu em uma pedra o que acabara de acontecer.

Nesse momento, aquele que no mesmo dia o repreendeu e também o salvou do afogamento perguntou-lhe por que horas atrás escrevera na areia e ali registrava o ocorrido por sobre a pedra. Quando então, o que foi salvo respondeu: “Você é meu melhor amigo e eu não entendia os seus motivos de repreensão, tomando-os como uma agressão a minha vida. Mas, foram nos momentos seguintes, em que ficamos ali sentados em silêncio, que pude refletir o quanto tudo que fizera tenha sido para o meu bem. Por isso fui tomado pelo ato de registrar todos os ocorridos na areia, para que o tempo se encarregasse, através do vento, de apagar aquelas palavras arraigadas em minha mente“.

E continuou, dizendo: “Quando chegamos a este oásis, agora então com o espírito transformado, presenciei o ato maior de seu amor por mim, objetivando minha alegria, minha paz e salvação. Consciente disto e ao testemunhar aqui a medida real deste laço, senti a necessidade de escrever na pedra para que nada e nem ninguém pudesse apagar“.

Esta lenda nos leva a refletir sobre os testemunhos quando Jesus esteve na terra, dando a medida da compreensão sobre as coisas que Ele disse e tenha magoado pessoas em face das orgulhosas convicções de cada uma delas. Aqueles que não o aceitaram, por manterem vivo seu orgulho, em detrimento de sua paz, escreveram palavras duras em seus velhos corações, eternizando assim seus passos no deserto das trevas da ignorância.

No entanto, aqueles que perceberam que Ele era o Messias, e que mesmo sem pecado, dera sua vida pela humanidade perdida, estes deixaram transformar-se, permitindo a substituição do velho coração por um novo em seu lugar, aonde escreveram para a eternidade, o testemunho da compreensão do milagre do amor que os transformara, tornando-se luz e refrigério em seu caminho.

Shabbat Shalom!

Sadi – Um Peregrino da Palavra

Sady Folch# Um coração transformado
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# Selados pelo Eterno

Aquele que leu o livro – Por quem os sinos dobram – de Ernest Hemingway, ou somente tenha assistido ao filme, testemunhou o relato apaixonado do autor ao construir personagens que traduzem a condição humana diante da guerra. O título do livro faz referência a um poema do pastor inglês, John Donne, que viveu no século XVI.

“Por quem os sinos dobram?” – é a pergunta na parte final do filme, extraída do poema que também fornece a resposta, dizendo: “Nenhum homem é uma ilha, sozinho em si mesmo; cada homem é parte do continente, parte do todo …a morte de qualquer homem me diminui, porque eu sou parte da humanidade; e por isso, nunca procure saber por quem os sinos dobram, eles dobram por ti”

O poeta renascentista, que também era um pastor, afirma com isso que todos somos ligados uns aos outros, e que a perda egoísta de um ser humano é a nossa própria morte. Assim, a cada vez que os sinos dobram, a humanidade perde uma vida, e com ela, a chance de uma linda história. Os sinos são os sinais dessa mortalidade, por isso dobram por cada um de nós.

O que dizer quando nos deparamos com tantas almas que se perdem nesta jornada repleta de teologias em nome do Messias, e que mais se parece com uma guerra, enquanto as submete àqueles que, ao se dizerem possuidores do selo do Rei, distorcem a Palavra, o sentido real da vinda de Cristo, o motivo das bênçãos do Eterno testemunhadas pelo Antigo Testamento, criando sofismas que aniquilam.

Qualquer pessoa pode ter conhecimento e passa-lo como se conhecedor da autoridade divina o fosse, contudo apenas aquele que tem o selo real, pode de fato fazê-lo. Suas obras o revelarão. Tome o exemplo de Pedro em suas cartas. É outro homem quando comparado ao Pedro que tenta dissuadir o Messias, ao momento em que este está relatando o que lhe aconteceria. Ali Pedro é repreendido por Cristo, e até ao momento da ressurreição do Mestre, ele ainda não havia se deixado quebrantar, permitido a necessária morte interna.

Após repreendê-lo, Yeshua conclui dizendo que se alguém quisesse ir com ele, renunciasse a si mesmo, tomando sua cruz e o seguindo, pois aquele que desejasse salvar a sua vida – e aqui entenda apenas pelo prazer de viver – por certo a iria perder, pois não amaram a verdade, e portanto, não entrariam no reino, pois na sua volta receberiam segundo as obras. (Mateus 16).

Quantos sinos têm dobrado por almas perdidas sem viver essa verdade? Muitos, por aqueles que ouvem as teologias espalhadas a critério dos interesses pessoais, e as aceitam por também atenderem aos seus próprios interesses. Assim, o rebanho acaba por seguir pelo que recebe e não pelo que precisa ser transformado. Cristo mesmo afirmou que muitos o seguiam apenas pelo que comeram e os saciou, e não pelo alimento espiritual que só ele poderia dar, pois, para tanto, havia sido selado pelo Pai (João 6).

Paulo, que tinha o selo de seu apostolado na conversão dos fiéis, afirmou que fomos selados com o Espírito Santo da promessa. Portanto, que o nosso testemunho de conversão esteja alinhado com as palavras de Yeshua, tornando-nos odres novos, recebendo assim o selo, pois, do contrário o vinho novo que é a Palavra do Eterno, não poderá se conservar em nós e logo arrebentará o odre, e assim, os sinos continuarão a dobrar.

Bendito seja o nome do Senhor

Sadi – Um Peregrino da Palavra

Sady Folch# Selados pelo Eterno
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# Para viver a unção

Ao tempo da antiguidade, o azeite extraído do fruto das oliveiras tinha dois destinos básicos: alimentação e iluminação. O primeiro a sair da prensa, mais puro, servia para a alimentação, e o produto final tinha seu destino aos candeeiros, a fim de que queimassem e fornecessem luz.

Ao atentarmos para o livro de Êxodo (27), o Eterno no momento em que instrui sobre os cuidados para com o candelabro (menorah) que deveria ficar acesso o tempo todo dentro do templo, no lugar santo, requereu que se usasse o melhor azeite. Aquele da primeira prensa. O azeite, como se sabe, representa a unção. O candelabro acesso, o Messias, aquele em quem a luz não para de brilhar.

Ele mesmo disse a respeito da luz em diversas ocasiões. Mediante o sermão das bem-aventuranças, por exemplo, sua luz brilha até os nossos dias, porquanto revelou ali algumas verdades que se entendidas e aceitas, nos conduzirão ao reino dos céus; portanto, ao abrir nossos olhos pôde afirmar sermos a luz do mundo, e  que, então, resplandecêssemos diante dos homens, para que estes vissem as boas obras e glorificassem ao Pai. (Mateus 5).

Mas, por que seríamos a luz do mundo? Sobre si mesmo, a luz verdadeira que veio ao mundo e que ilumina a todo o homem, afirmou que aquele que o segue não andará em trevas, tampouco receberá a condenação por tê-las amado mais do que a luz. Por isso, abriu-nos mais uma vez aos olhos, como fez ao cego, colocando em nós, a luz.

O azeite que provê a iluminação é a unção excelente, esta proveniente do Eterno, fonte da luz que é o Messias. Mas, por que muitos não aceitam a melhor unção e nem ao seu resultado que é a luz? A resposta pode ser dada por, no mínimo, dois motivos: pela omissão da verdade, muitas vezes exercida por quem a ela deveria revelar; ou ainda, se pronunciada claramente, pelo incômodo que pode provocar diante dos interesses pelo mundo.

Muitos querem a unção, todavia não aceitam quebrantar-se diante do Eterno. Yeshua, o Messias, assim procedeu para que vivesse toda a unção que foi preparada a ele. Só assim pôde revelar as obras das trevas mediante sua luz. O Senhor quer trabalhar em nossas vidas, tornando-nos um vaso novo, exatamente como faz o oleiro; enquanto nos entregarmos parcialmente às Suas mãos, Ele nos quebrará e quebrará, tantas vezes for necessário. Há um preço para sermos feito novas criaturas, para recebermos e sermos luz no mundo.

A menorah (candelabro do templo) era um sinal do que haveria de vir, a luz para as nações. Esta, a unção excelente. A todo aquele que guarda o mandamento e tem a fé no Messias, ela permanece viva. Bendito seja o nome do Eterno.

Shabbat Shalom!

Sadi – Um Peregrino da Palavra

Sady Folch# Para viver a unção
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# Reconhecer e Amar

Entre tantos os relatos surpreendentes ocorridos durante as guerras, há aqueles que sobressaem por um gesto simples, no entanto ainda que em meio aos realizados por atos de nobreza e coragem, também têm em si a razão de um coração puro, forte e comprometido com a verdade. Houve um dia na vida de um homem americano, quando algo simples assim, o fez repensar suas atitudes.

Aviador e ex-combatente no Vietnã, ele teve seu avião derrubado. Quando enfim retornou aos Estados Unidos, ainda vaidoso e cheio de orgulho pelas inúmeras baixas de norte-coreanos, começou a palestrar sobre suas experiências. Ao entrar em um restaurante, deparou-se com um rapaz que, ao lhe abordar, chamou-lhe pelo nome indagando se de fato se tratava do aviador que ele havia conhecido, derrubado durante a guerra. Surpreso, perguntou de onde o conhecia. Quando então, o rapaz apresentou-se dizendo ser o soldado que dobrava os paraquedas dos aviadores.

Tomado por gratidão, o aviador disse ao rapaz que lhe devia a vida, pois só estava ali por ter conseguido abrir o equipamento e descido em segurança. Após conversarem, despediram-se e o herói foi para casa. Naquela noite não conseguiu dormir, pensando em quantas vezes havia cruzado com aquele simples soldado no porta-aviões, sem nem ao menos cumprimenta-lo ou agradecê-lo por tantas horas dedicadas por vidas que nem mesmo conhecia. Percebeu o quanto havia deixado de enxergar pessoas que se tornaram responsáveis para que seguisse com segurança, ao longo de sua vida. Recordou, enfim, a cada um daqueles instantes, reconhecendo sua gratidão e seu amor por cada uma delas.

Em nosso dia a dia, muitas são as vezes em que agimos assim com as pessoas simples ao nosso redor, no trabalho, na vizinhança, e até mesmo nos cultos das igrejas; elas que se desdobram para que tenhamos um caminho livre e agradável. Em nossa vida de conversão ao caminho do Eterno, aprendemos a identificar Aquele que entregou seu próprio Filho; este que se fez humilde a fim de dobrar nossos paraquedas, trazendo-nos em segurança ao momento em que, ele mesmo se tornará o chão firme para pisarmos e sermos um com ele e com seu Pai. Contudo, nem todos, plenamente, reconhecem esse compromisso de volta a Deus, ainda que nas igrejas.

Portanto, em nossa vida espiritual, nossa maior gratidão se expressa ao amá-lo de todo nosso coração, de toda nossa alma, de todo nosso entendimento e com todas as nossas forças. Assim cumprimos o primeiro dos dois maiores mandamentos, segundo as palavras de Yeshua, o Messias (Marcos 12). Aos nossos iguais, não os excluindo dos atos com os quais escrevemos nossa jornada espiritual, devemos, não apenas como um gesto de boa educação, mas sim ao olharmos em seus olhos com gratidão, e munidos de um sorriso ainda que singelo, saudá-los, agradecê-los, sobretudo preocupando-nos com seu estado e ajudando-os, pois assim estaremos cumprindo ao segundo maior mandamento, qual seja amar ao próximo como a ti mesmo.

Com gratidão e amor ao Eterno, recebemos o Shabbat. Com gratidão e amor participamos dele, entregando-nos à lapidação pela base dos mandamentos. Deste reconhecimento e seu consequente ato, reiniciaremos nossas atividades em uma nova semana – louvado seja Deus – buscando-O de todo coração, pois só assim o acharemos, ao percebermos que só Ele nos sustenta.

Shabbat Shalom!

Sadi – Um Peregrino da Palavra.

Sady Folch# Reconhecer e Amar
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