Publicações com Yeshua

# Acendedor de Lampiões

Conta uma história, que há muitas décadas, um rabino estava em uma cidade da Alemanha e um grupo de judeus piedosos, conhecidos por chassid, veio passar o Shabbat em sua companhia. Como era de seu costume, o rabino orou durante algumas horas, e depois passou à mesa de refeição. Neste momento, um dos presentes lhe perguntou: “Rabi, o que é um chassid?” E ele respondeu: “É um acendedor de lampiões. Ele anda pelas ruas com um bastão munido de uma tocha e assim sai de rua em rua, acendendo as lamparinas. Contudo, ele sabe que a chama não lhe pertence, e, portanto, precisa ser distribuída”.

Eis que surgiu a segunda pergunta, dizendo: “Mas, e se o lampião estiver no deserto?”. Pelo que então, lhe respondeu o rabi: “Deve ir ao deserto e acender a lâmpada; e quando o fizer, a luz revelará a extrema aflição daquele local, trazendo-lhe vergonha”. E o visitante após pensar, afirmou ao rabi: “Eu não vejo as lamparinas”. Pelo que ouviu a seguinte conclusão: “Isto porque você não é um acendedor de lampiões”. E, continuou: “Para tanto, será preciso purificar-se, refinar-se, rejeitando o mal que há em você. Somente depois disso, poderá enxergar a lâmpada que há dentro das pessoas”.

Assim são aqueles que verdadeiramente recebem a Palavra do Eterno; rejeitam o mal e entregam-se a cumprir os mandamentos, tornando-se novas criaturas, sem escamas nos olhos que os impedem de enxergar. Yeshua explicou e esclareceu a Palavra durante o sermão da montanha, e aos que lhe ouviam, disse: “Vós sois a luz do mundo; não se acende uma candeia e se coloca debaixo do alqueire, mas no velador, e dará a luz a todos da casa”. E, continuou, dizendo: “Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as boas obras e glorifiquem ao Pai, que está nos céus”. (Mateus 5)

Mas, afinal, nós somos a luz do mundo? A resposta é positiva, se recebemos a fonte da luz. A Palavra do Eterno com todos os mandamentos. O próprio Messias; o verbo que no início separou a luz das trevas, e disse de sua missão: “Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará em trevas, mas terá a luz da vida”. (João 8). Contudo, ainda que ele tenha resplandecido sobre as trevas, elas não o compreenderam, e assim, ouviram: “A luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz, pois suas obras eram más…e não vêm para a luz para que suas obras não sejam  reprovadas” (João 3).

Na história do acendedor de lampiões, o bastão que sustém a tocha é o Messias desde o início de tudo. A chama é a Palavra. A revelação de que precisamos da luz é o Espírito do Santo, e o Eterno, a fonte da luz. Nós, que à luz recebemos e nos deixamos transformar, somos os acendedores de lampiões. E os lampiões, toda a humanidade que precisa de luz em suas candeias, a fim de esperar a volta do Senhor e assim não lhes ocorrer a desolação, caso não estejam acessas, tal quais algumas das mulheres que esperavam o dono da casa, e por serem negligentes, saíram para buscar o azeite que deixaram faltar à lamparina, e quando voltaram, encontraram a porta fechada, e o Senhor a dizer que não as conhecia e, por isso, não as deixaria entrar.

Que a luz do mundo esteja em nós, para que sejamos um com ele.

Shalom Aleichem!

Sadi – Um Peregrino da Palavra

Sady Folch# Acendedor de Lampiões
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# A dependência que liberta

Hoje eu li um artigo escrito por alguém que, sentado em um restaurante às margens do oceano atlântico, registrou um fato inesperado. Percebeu que gaivotas permaneciam atentas, próximas às mesas à espera de algum alimento. O observador não pensou duas vezes. Deixou um camarão em um prato vazio e aguardou munido de uma câmera fotográfica. Não deu outra. A gaivota se aproximou, tomou o alimento e alçou voo. Minutos depois estava próxima às mesas novamente.

Foi quando passou a refletir: O que faz uma gaivota passar todo o tempo ao lado das mesas em busca de alimento, enquanto tem um oceano à sua disposição? A resposta foi óbvia: comodidade. Sair em busca de comida requer esforço. Voar, observar, preparar-se e mergulhar em direção ao alimento; nem sempre obtendo o sucesso.

Se olharmos para esta gaivota e ao ser humano em um contexto de dependência, temos a seguinte possibilidade de análise: no caso da ave, sua natureza foi corrompida, levando-a a um estado de dependência artificial que poderá culminar em um problema, caso muito tempo depois o restaurante a impeça de ter acesso à comida. Não se pode afirmar que ela conseguiria sobreviver nessas condições, pois talvez desconheça o ato de colher os frutos que o Criador disponibilizou a ela, ainda que levado em conta o instinto.

Pelo lado humano, inicialmente as possibilidades se parecem. Com a corrupção humana mediante sua primeira desobediência, o homem que tinha tudo ao seu dispor, passou a ser dependente de seus próprios esforços para comer. Banido daqueles campos fartos, a natureza que o acolheu era limitada, o que fez dele um nômade. Então percebeu a necessidade de aprender a cultivar a terra, a pescar e a caçar, colhendo os frutos destas atividades provenientes. Todavia, ainda assim se viu diante da fome, pois nem todos detinham tal conhecimento, e para piorar, à medida dos anos seus próprios pares enxergaram nesse contexto uma forma de comodidade e dominação, exigindo algo em troca do alimento.

Passado um tempo, o Eterno que já possuía a obra para redimir o homem da desobediência e independência iniciais, anunciou-a pelos profetas que levantou, ensinando por meio de um povo escolhido que o homem deve ser grato e dependente do único Criador, e que a busca pelo pão através do trabalho era uma prova de sua nova dependência, isenta de murmúrio, e a capacidade de reparti-lo, a prova de sua obediência e amor.

A obra culminou com a vinda do Messias a este povo, no entanto, insistentes em manter o coração endurecido, não o receberam. Mas a dependência e a obediência precisavam ser plenificadas para que resultassem em liberdade. Ocasião em que a boa nova foi entregue a toda humanidade. O Filho, dependente em tudo que era do Pai, tornou clara a plenitude dessa relação.

Por ela, nossa sobrevivência dependeria de um novo posicionamento. Obviamente, por estarmos a caminho do momento em que tudo passará, ainda precisamos trabalhar para subsistir, no entanto recebemos a certeza de que o Pai que nos chamou por meio do Filho, também a nós nos alimenta como às aves do céu, sabendo de tudo o que precisamos.

Assim como a gaivota que deixou sua natureza de caçadora, havíamos deixado ao início, nossa natureza original, porém ao sermos resgatados pela cruz, passando a vivermos, sobretudo pela dependência da graça que ela encerra, restaurando-nos a vida pela ressurreição do cordeiro, voltamos a vislumbrar a real possibilidade de sermos exatamente aquilo para o que fomos criados. Seres dignos de nosso Criador, uma vez que nos fez segundo sua imagem e semelhança; jamais para vivermos à sobrevida de migalhas que, porventura, caiam das mesas.

Shalom Aleichem!

Sadi – Um Peregrino da Palavra

Sady Folch# A dependência que liberta
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# Feliz Ano Novo

“Ano novo; vida nova”. Assim diz o ditado popular. E você, acha isso mesmo? No final do ano passado tive a oportunidade de escrever sobre os sonhos que desejamos para o ano novo, contudo sem realizarmos nem mesmo a metade ao longo do ano. Afinal, por que desejamos tantas coisas boas e a maioria delas não acontece? Será por não as buscarmos de todo o coração?

Neste final de ano, houve uma grande manifestação textual na rede social, dizendo o seguinte: “Para que o ano novo seja realmente feliz, novo, ele precisa começar em você”. De fato, há um bom juízo nisto, não fosse pela certeza de que o voto de feliz ano novo dito de uns para outros, traduza o desejo de que isto, certamente aconteça na vida do próximo.

Contudo, ainda assim, creio tenha sido feliz a ideia que iniciou tal manifesto. Afinal, quando desejamos nós mesmos vivermos um novo ano, bom e feliz na nossa própria vida, não há dúvidas que devemos em primeiro lugar modificar velhos hábitos, muito deles, nocivos. Mas, voltando à pergunta: Por que não realizamos as tantas coisas que desejamos para o novo ano que inicia? Será por não as buscarmos de todo o coração? Pode ser que sim. Pode ser que não. Explico.

Nós que estamos familiarizados com a Palavra do Eterno, sabemos que há diversas manifestações nas escrituras a respeito dos sonhos, pedidos e vontades que temos quanto ao novo. Disse Yeshua, o Filho do Eterno Deus: “Se vós estiverdes em mim, e as minhas palavras estiverem em vós, pedireis tudo o que quiserdes, e vos será feito” (João 15:7). E mais, ele disse: “Qualquer coisa que me pedirdes em meu nome, vô-lo farei. Se me amais, guardareis os meus mandamentos” (João 14:14-15).

Percebe? É preciso estar conectado ao reino de Deus. Pergunte-se, portanto se o teu sonho tem alguma relação a uma experiência real com Deus, ou foi simplesmente o velho homem ainda agindo conforme os velhos hábitos? Há em você novo homem renascido em Deus? Afinal, como disse Yeshua, ninguém coloca remendo de pano novo em roupa velha, ou vinho novo em odres velhos, pois certamente romperão.

Além disso, em geral, para que tenhamos novo rumo, com novos hábitos, isto irá requerer um preparo, uma constância e, sobretudo sabermos de que precisamos da dependência do alto, pois, conforme afirma o salmista: “Se o SENHOR não edificar a casa, em vão trabalham os que a edificam” (Salmos 127:1).

Enfim, que toda a nossa vontade esteja ligada à do Pai, pois segundo Paulo: “Deus é quem opera em vós tanto o querer como o efetuar, segundo a sua boa vontade” (Filipenses 2:13), assim como, completa o apóstolo, dizendo: “…entendei qual seja a vontade do Senhor” (Efésios 5:17). E, por fim, quanto aos desejos de renovação, que eles, enfim encontrem respaldo ainda nas palavras deste mesmo autor: “E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus”. (Romanos 12:2).

Ademais, a tudo o que foi dito acima, deixo contigo a inspiração e sabedoria divinas, recebidas e transmitidas pelo profeta Jeremias: “Porque eu bem sei os pensamentos que tenho a vosso respeito, diz o Senhor; pensamentos de paz, e não de mal, para vos dar o fim que esperais. Então me invocareis, e ireis, e orareis a mim, e eu vos ouvirei. E buscar-me-eis, e me achareis, quando me buscardes com todo o vosso coração” (Jeremias 29:11-13).

Assim, conectado cada dia de nossas vidas à Palavra do Eterno, posto que o tempo seja hoje, desejo que nossos pensamentos, sonhos e pedidos para o ano novo possam ter sua fundação nas bases sólidas das escrituras sagradas.

Shabbat Shalom!

Sadi – Um Peregrino da Palavra.

Sady Folch# Feliz Ano Novo
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# Natal

Chega o fim do ano e duas festas marcam a vida de quase o mundo inteiro. Natal e Réveillon. E ambas apresentam algo em comum. Pessoas saudando seus pares e até mesmo a desconhecidos, trocando presentes, desejando-lhes que tenham saúde, paz e alegria.

Convenhamos afinal, isso é muito bom, pois o mundo precisa mesmo que as pessoas preocupem-se umas com as outras, manifestando desejos sinceros de toda a sorte de prosperidade, seja ela em que área possa se manifestar.

Na época do natal em especial, há também o desejo manifesto por parte dos cristãos convictos, que o Senhor possa tanto abençoar todos a sua volta, quanto venha a viver no coração de cada um. E muitos saem às ruas para estender a mão aos mais necessitados, sendo está prática, em alguns casos, uma constante durante o ano.

Nestes dias de festas, assisti uma propaganda em que uma criança bem pequena, ao responder para Papai Noel o seu desejo pelo presente que gostaria de receber, disse querer uma caneta que consertasse letra feia. Quando e como foi o dia em que deixei de acreditar em Papai Noel?

Realmente não sei. Apenas o que me lembro desse tempo, pouco se falava naquela noite sobre o nascimento do menino Jesus, sobre sua vida, morte e ressurreição; algo como uma noite para se ouvir uma história especial. Alguma oração era feita e então, os jantares e as brincadeiras eram ressaltados. Os presentes, estes eram abertos na manhã seguinte, quando o bom velhinho os teria colocado aos pés da árvore de natal.

Atualmente, percebe-se que até mesmo os presentes são trocados na própria noite que antecede ao dia de natal, assim como, não raras vezes, pouco ou quase nada se fala a respeito de Cristo. A importância está apenas no comer e beber e nada mais. A frase de fim de noite quase sempre é: “Que noite agradável”.

Com todos estes aspectos criados pela sociedade imediatista, de consumo, sem adentrar no sentido simbólico de todos os enfeites de natal, tanto quanto da própria data em si, uma pergunta não se cala ano após ano: E o Messias, em que momento é exaltado em todo esse contexto? Como é que Ele se sente ao presenciar todas estas atitudes?

Realmente não sei, pois, segundo as escrituras, tem um amor por nós que não o compreendemos. Portanto, ainda que não tenhamos comemorado o natal de Cristo como ele mereça, que nossos dias seguintes sejam para a honra e glória de Seu nome, exaltando-o por onde formos.

O importante é vivermos o exemplo desse amor, como a única coisa que nos resta a fazer para nos tornarmos seus discípulos. Se a isto o fizermos, todas as outras situações que o personalizam, serão inevitáveis em nossa vida.

Que o natal de Cristo seja revivido em todos os dias de sua vida.

Shabbat Shalom!

Sadi – Um Peregrino da Palavra

Sady Folch# Natal
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# Escárnio

Nesta sexta-feira à tarde, eu saia de casa para ir até à praça da sé, localização da livraria da OAB SP, onde estive para procurar um livro. Pois bem, ao passar pela Câmara Municipal, me deparei com uma festa enorme no meio da rua. Tratava-se da tradicional, Peruada, festa organizada pelo centro acadêmico da faculdade de direito do Largo de São Francisco.

O slogan de cada ano é pensado para criticar alguma situação ocorrida no país. Este se voltou ao deputado Marco Feliciano (PSC-SP), com o tema “Contra o ódio do pastor, meu peru é mais amor”. A festa tem sua origem nos anos 40, quando estudantes da faculdade de direito furtaram perus de estimação de um professor e, com eles, realizaram um banquete. Ou seja, a coisa já começou errada. Não à toa, a cena que presenciei hoje era de cortar o coração.

Apesar de serem jovens, marcados pela beleza da juventude, o que mais me chamou atenção foi o estado em que se encontravam. Mais da metade deles e, não eram poucos, totalmente embriagados, com os olhares perdidos; muitos ao ponto de ficarem caídos pelo caminho, desmaiados pelo entorpecimento, vomitados em si mesmos. Alguns, inclusive, socorridos por bombeiros e policiais militares que os acompanhavam.

Pensei comigo: Eles são jovens deste e neste mundo e, por isso mesmo a maioria é movida pela imitação dos hábitos passados, afinal, já dizia o rei Salomão, que não há nada de novo debaixo do sol. Eles são a renovação do mundo que insiste tratar aos princípios cristãos com desdém, ainda que muitos dos testemunhos, ditos evangélicos, deem motivo para o escárnio da Palavra de Deus.

E terminei a triste meditação concluindo o óbvio: Estes jovens colocam-se a criticar algo que, de fato, a meu ver mereça repúdio, pois, no mínimo, o assunto deveria ter sido tratado com amor, afinal trata-se da mensagem de Deus que está sendo entregue, ensinada, mas, na verdade, eles aqui estão dispersos pela embriagues deste mundo, como que drogados pelas sensações, falsas em todos os sentidos.

E o que se viu, foi de uma tristeza que muitos dos pais daqueles jovens teriam se entristecido à morte.  Como seria maravilhoso se dessem uma chance a eles mesmos, a analisarem a vida de Jesus Cristo, sem olhar para o testemunho dos homens e, dessa forma, poderem emitir um melhor juízo de valor sobre a mensagem do evangelho, tanto quanto ao que faziam com suas vidas naqueles instantes.

Shabbat Shalom!

Sadi – Um Peregrino da Palavra.

Sady Folch# Escárnio
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# Demonstrações de amor

Há um tempo, a mais famosa rede social da internet teve um post bastante compartilhado e curtido. Tratava-se de uma crônica que relatava o comportamento de uma igreja cristã nos Estados Unidos que, em uma linda manhã, aguardava repleta por um pregador muito querido, convidado a se tornar o seu pastor principal.

Acontece que o homem, combinado com alguns poucos, vestiu-se de mendigo, e, portanto, muito sujo e mal vestido, adentrou a igreja sem que ninguém soubesse que era ele o ilustre aguardado. Após toda rejeição vivenciada de diversas formas, qual não foi a surpresa de todos quando ele subiu ao púlpito. Lágrimas sinceras, sentimentos de vergonha, arrependimentos verdadeiros tomaram conta da igreja.

Há muitas igrejas cristãs no Brasil e no mundo e, apenas por esse motivo, poderíamos acreditar que expressivas mudanças de comportamento haveriam de surgir no convívio entre as pessoas. Será esta uma verdade questionável?

A carta que o apóstolo Paulo escreveu aos gálatas (5:22) afirma que aquele que vive pelo espírito de Deus, produz frutos como amor, paz, longanimidade, benignidade, bondade. Mas, se é assim, por que tanta indiferença com aquele que em nada difere de mim ou de você? Por que ainda atitudes tais até entre membros de uma mesma igreja, como é muito comum vermos?

Por que, afinal, não nos amamos com a plenitude do que nos ensina a palavra? A propósito, não é o amor o vínculo da perfeição? Certamente que sim. Paulo lembrou isto aos colossenses, pedindo que dele se revestissem, e por ele, seguissem também revestidos de compaixão, humildade e mansidão. (3:12-17)

Alguém diria que a justificativa é porque a igreja é feita de homens. Sim! Mas, afinal, não são eles os homens que se dizem discípulos de Jesus? Esqueceram-se do que ensinou o apóstolo João? “Aquele que não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor”. (1 Jo 4)

O que parece faltar ao coração do homem é coragem para estender a mão; procurar extirpar diferenças; todas, demonstrações de amor. Mas, a escritura diagnostica: Corações cheios de orgulho e vaidade.

Contudo, aos justos que deram conforto ao que estava doente, de comer a quem tinha fome, de beber a quem tinha sede, vestes ao que estava nu, sejam literais ou abrangentes os sentidos que estas atitudes possam alcançar, Cristo dirá no dia do julgamento final: “Vinde, benditos de meu Pai, possuí por herança o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo”. (Mateus 25:34).

Shabbat Shalom!

Ṣadi – Um Peregrino da Palavra. 

Sady Folch# Demonstrações de amor
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# O Tempo do Verbo

Com a famosa frase – “Era uma vez…” – começam as estórias que ouvimos quando crianças, contando-nos as aventuras vividas pelos personagens que se tornaram inesquecíveis, quando não, nossos próprios heróis. No momento em que era pronunciada, alçávamos voo que nos levaria a viajar pela imaginação. Naquele instante vivenciávamos a descrição de um lugar comum, tanto quanto surpreendia-nos o chamado à aventura, carregando-nos de expectativas marcadas pela expressão inicial; assim, a ela se designou abertura das portas da imaginação através dos contos, reflexo, em sua maioria, da realidade do comportamento humano que buscam reproduzir.

Ao observarmos o tempo verbal da frase, ele nos remete ao passado, longínquo ou em um tempo imaginário, e ainda assim, à época, imersos na intimidade do herói, não raro éramos transportados para o presente, emprestando-nos uma carga real tamanha que tínhamos a certeza de estar acontecendo naquele instante ou em alguma ocasião congelada na linha do tempo. Diante de nossos olhos, reagíamos emocionalmente de diversas maneiras, tornando-se aquelas ações, referência na qual meditávamos, influenciando nossos atos racionais.

“Agora eu era o herói…” – Assim o personagem João, criado pelo compositor Chico Buarque, inicia seu caminho lírico. Ali, distorcendo o sentido do tempo, João, a criança que empresta a voz à narrativa, se entrega à vivência de um tempo verbal que Chico chamou de passado-onírico, contrapondo ao sentido adulto que permite ao agora, apenas o poder sê-lo, enquanto, parece-nos, a criança transporta para o momento presente a sua realidade que permanece. Como algo que existe fora do mundo físico, vivo dentro dela.

Ainda que seja essa linguagem temporal, a realidade da ludicidade mental de uma criança, traz consigo uma carga de verdade inconteste ao seu mundo, através da existência da essência daquilo que de fato esteja incorporado ao seu universo; e, isso pode ganhar transformações através de desdobramentos em outras histórias, por outras possibilidades, aumentando, inclusive, a ramificação neuronal da criança e a sua capacidade de viver e pensar, tanto que João, o protagonista, permite à personagem que habita sua realidade onírica, a transformação dele, de rei, bedel ou juiz, em um brinquedo, talvez um pião ou um bicho preferido, pois do contrário, o que a vida vai fazer de mim.

O livro de Eclesiastes diz assim: “Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu”. Referindo-se a tal fragmento, um professor da língua portuguesa, natural da bela e literária cidade de Parati, afirmou: Talvez seja “a mais exata epígrafe para as várias possibilidades do uso semântico dos tempos verbais e os seus propósitos explícitos e implícitos”. E, continua o professor, “alguns tempos podem indicar valores e noções bem diversas das expressas nos tempos reais, permitindo-nos atingir com mais eficiência o propósito daquilo que anunciamos”.

Utilizando da mesma linha de exemplo empregada pelo professor, pegue, por exemplo, o dito no decálogo bíblico: “Seis dias trabalharás, e farás toda a tua obra. Mas o sétimo dia é o sábado do Senhor teu Deus; não farás nenhuma obra”. (Êxodo 20:9-10). Ele como especialista, nos relembra ser o tempo verbal, futuro do presente do indicativo, empregado para indicar uma ação em um tempo ainda não ocorrido, no entanto revela-nos que a sua utilização na frase tem um valor equivalente ao imperativo (modo verbal que expressa mandamento).

Aponta-nos, também, que o emprego desse tempo verbal, com essa nuance, se mostra mais definitivo que o modo imperativo por si mesmo, ao que exemplifico pela hipótese que acompanha o pensamento original: “Trabalhes seis dias, e faças toda a tua obra, mas o sétimo dia é o sábado do Senhor teu Deus; não faças nenhuma obra”. Desta forma, sua lição nos leva a pensar pela percepção de o quanto a mensagem tenha perdido sua força, tivesse sido escrita desta forma.

Tomamos o mandamento como eterno, ainda que por um lado ele terá seu fim, no entanto, quando este acontecer, não deixará de existir simplesmente, mas completará o próprio início que lhe deu ensejo, dando vida ao todo. Há uma particularidade na mente hebraica que compreende a ação como algo que, mesmo concluída, poderá estender-se no futuro. O exemplo a seguir ilustra o entendimento. Se um judeu diz –”meu pai me ensinou sobre a vida” – sabe-se, a frase está escrita no pretérito, no entanto, ainda que aquilo o que o pai tenha lhe ensinado cristalizou-se no tempo como ação concluída, esta existe tanto no passado quanto no presente e no futuro. Ele aprende com o pai à medida que relembra tudo o que lhe fora ensinado, permitindo-o, inclusive, no desenrolar da vida, continuar a aprender ainda que o pai já não mais exista.

O termo – “Agora eu era o herói…” – pode encontrar seu lugar no contexto bíblico, não como uma situação onírica que simplesmente ainda deseja apresentar-se no presente, como o faz João no poema; não se trata disso, mas através da compreensão de como o contexto físico vivencia a realidade narrativa do protagonista messiânico, existente desde sempre na dimensão atemporal. Algo que tenha sido e terminado, antes mesmo que se materializasse no mundo físico. A jornada do nosso herói existiu completa antes mesmo de ter sido escrita a primeira palavra de Gênesis, ponto este inicial que esclareceu e conduziu a história até seu primeiro ponto de virada, vivenciado por ele há dois mil anos no plano físico.

A história, no entanto continua e, por essa existência da narrativa ser e estar devidamente resolvida na eternidade dos tempos, é que a frase inaugural da história foi – “No princípio…”, e não – “Era uma vez”.

O sentido de – “No princípio” – é de tal forma real, que o início e o fim da narrativa estão perfeitamente ajustados. Essas primeiras palavras escolhidas pelo autor se conectam à última sentença que encerra o último capítulo, quando o autor a confirma pelo selo que entrega ao narrador quando diz: “Aquele que testifica estas coisas (Messias) diz: Amém”, ou seja, “Ele é fiel para cumprir” a história.

A narrativa bíblica, por todo seu propósito e passando pelas nuances a que se viu submetida, justamente pela vontade do autor em interagir com o leitor para revelar-lhe a essência de sua vontade, alarga as estacas à medida que a compreensão do leitor se expande. A verdade como ela é, existente além deste plano físico-temporal, se prontifica, convida-nos, a repensarmos a realidade como a imaginamos, independente de um tempo verbal acabado, sobretudo para que possamos vivenciar e compreender a linha existencial atemporal em que se apoia tudo aquilo que houve, que há e ainda que está por vir.

Shalom!

Ṣadi – Um Peregrino da Palavra

 

Sady Folch# O Tempo do Verbo
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# O amor. A única verdade.

E nisto sabemos que o conhecemos: se guardarmos os seus mandamentos. Qualquer que guarda a sua palavra, o amor de Deus está nele verdadeiramente aperfeiçoado; nisto conhecemos que estamos nele. Aquele que diz que está nele, também deve andar como ele andou”. (1 João 2:3-6).

Como devemos viver, senão revestidos e transformados por palavras como estas que compõem a nova aliança? Nelas há vida e, vida em abundância, especialmente para nos fortalecer diante dos momentos difíceis em que enfrentamos o desequilíbrio instalado no mundo. Não só no mundo, mas em nós mesmos que ainda fazemos parte de mundo.

Não há um homem sequer que, ao tomar conhecimento de forma correta da obra que está sendo realizada por Deus, efetivada em Cristo por meio da cruz e, sustentada pelo poder do Espírito Santo até que Jesus volte para completa-la, que possa ficar indiferente à verdade que há na verdade revelada, nos mandamentos.

Esta é a verdadeira transformação de que precisamos. Devemos deixar que o mandamento de amor tome conta de todas as situações de nossa vida. Difícil? Certamente não é fácil, contudo apenas no início, enquanto aprendemos a entregar-nos, pois conscientes da obra de redenção que está sendo realizada, não restará nada para nos manter ligados à antiga forma de viver e conhecer os fatos.

A vida que reveste o mundo não é perfeita. Nós não somos perfeitos. Contudo, somos todos sustentados pelo poder de Deus, pois Sua vontade é soberana, boa, perfeita e agradável. Ela está revelada por meio das escrituras. Se vivemos por ela, pela graça que nos alcançou por meio da cruz, alimentados pela revelação da palavra, pela oração e pela prática do exemplo de Cristo que nos foi ensinado, seremos transformados diariamente e, nossa vida haverá de alcançar um corpo incorruptível, onde dor e tristeza cessarão; egoísmo e orgulho não mais existirão; e, só haverá o amor.

Acredite, sua vida será outra no momento em que se entregar à verdade. A verdade o libertará. Do mundo e de si mesmo. A palavra de Deus é a verdade. Medite nela, ame incondicionalmente e, seja feliz.

Shabbat Shalom

Ṣadi – Um Peregrino da Palavra.

 

Sady Folch# O amor. A única verdade.
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# Vidas em Transformação

Conta-nos a história de nossa família que um dia vivíamos em um jardim, cheio de árvores frutíferas, pássaros, animais de todos os tipos, peixes e insetos. E nesse lugar, por meio das árvores e dos seres viventes as sementes eram lançadas ao longo do campo, frutificando como nunca visto.

Eramos todos equilibrados com o ambiente, mas algo aconteceu no jardim que desequilibrou nosso comportamento em relação a toda a harmonia do lugar e, por isso, desde então precisamos deixar aquele jardim.

O Jardineiro Eterno, por amor de seu jardim, por nós e por toda a obra que colocou sobre ele, deu-nos a possibilidade de sermos transformados, a fim de que em um determinado momento, voltássemos ao equilíbrio e assim retornássemos àquele local.

Contudo, é bom que, aqueles ainda que não conheçam a história de nossa família, saibam que mesmo sob a proteção do jardineiro, se assim O aceitarem como seu cuidador, saibam que estamos sobre terra onde o jardim agora é feito de terra corrupta, repleta de espinheiros, ervas daninhas, plantas venenosas, todas prontas a sufocar o crescimento daquele que deseja crescer em direção ao alto, onde está a luz verdadeira.

Você, leitor, entenda, sua transformação, tal qual uma lagarta que aguarda em um casulo o tempo para se transformar em uma bela borboleta, você só garantirá a verdadeira transformação quando se colocar no galho da oliveira real, ou seja, o Filho do Eterno. Ele é a sua única garantia. Outra árvore que se levantar não deve ser ouvida, por mais perfume que tenha, por mais bela que seja.

Medite nisso e, melhor, assista a pregação desta manhã anunciada pelo pastor Kleber da Nova Semente que fala maravilhosamente sobre a transformação. Eu de minha parte, confesso, preciso dessa transformação por algo muito sério que vivi durante essa semana e, não sei como lidar com isso. Inicialmente estou entregando o sentimento ao Messias.

Espero poder, mediante essa transformação, me tornar ao menos o menor dentre os que retornarão ao jardim que um dia será reaberto.

Shabbat Shalom

Sady – Um Peregrino da Palavra

Sady Folch# Vidas em Transformação
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# A cada Pôr de Sol

Os passos de um homem bom são confirmados pelo SENHOR, e deleita-se no seu caminho. Ainda que caia, não ficará prostrado, pois o SENHOR o sustém com a sua mão. (Salmo 37).

Imagine que o Eterno, perfeito como não podemos imaginar, pois sua perfeição passa pelo amor, característica esta também difícil de alcançarmos o entendimento, pois somos criaturas egoístas, imperfeitas e pecadoras, mas, enfim, este Ser que um dia nos criou perfeitos, ainda consiga nos amar mesmo diante de nossa pequenez.

Por que isso acontece? Porque Ele nos deu seus mandamentos, suas leis e, depois o Messias que viria a selar toda a promessa de que falavam a lei, os profetas e os salmistas, para que guardássemos os mandamentos e a fé no Messias, pois desde o início havia um plano de resgatar-nos do chão de onde nos encontrávamos. Agora vivemos o tempo do fim. Resta-nos aguardar com fé a volta de seu Filho que virá a resgatar os justos que viveram pela fé.

O homem, o fiel, o cristão, o discípulo, seja o nome que tome, que aprendeu a seguir o Caminho mediante a lei, os evangelhos, as cartas do apóstolo Paulo, Pedro, Tiago, Judas, João e, o Livro da Revelação de Yeshua, mais conhecido por Livro do Apocalipse e guarda os mandamentos e a fé em no Filho de D’us e aprendeu ser um bom homem, corrigindo-se todos os dias de sua herança pecaminosa, esse é por quem deleita-se o SENHOR e a quem Ele estende Sua mão, independente se o homem a peça por ela.

O fato é que O Eterno, por um amor que ainda não entendemos, estendeu Sua mão a sua criatura para levantá-la do chão, um pouco depois do início da criação de tudo, quando a humanidade se viu corrompida pela mal; e o fez para que a redimisse do erro cometido pela desobediência, quando sua criatura preferiu dar ouvidos às curiosidades da imperfeição, representada pelos argumentos mundanos daquele que luta para destruir tudo o que é de D’us.

Este amor é um fato profundo e misterioso que merece muita meditação, leitura e oração que levará o homem a conhecer um pouco deste mistério, sendo sua consequência, se este estiver de coração aberto, sua entrega total aos caminhos do SENHOR, contudo só mesmo no final dos tempos, quando o SENHOR do chão levantar os Seus pela última vez, entenda-se aqueles que O aceitaram e, os levar consigo, a esses revelará a essência de Seu amor.

Que a paz e graça de Yeshua, o Messias, e o Amor de D’us estejam com todos.

Shabbat Shalom

Ṣady – Um Peregrino da Palavra

 

Sady Folch# A cada Pôr de Sol
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