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Tem futuro

Segundo leio em Mateus 4:17, o resumo da pregação de Jesus naqueles primeiros dias era “Arrependam-se, pois o Reino dos céus está próximo”. Ele convoca Seus primeiros discípulos e começa a percorrer a Galileia pregando e curando os doentes, um coquetel que se mostra irresistível para as multidões.

 É nesse contexto que Ele se assenta num monte e começa o maior de Seus sermões registrados, um sermão revolucionário e de uma profundidade inigualável, que começa com uma lista de tipos de pessoas consideradas felizes por Ele, e felizes porque havia promessas inefáveis para um futuro que Ele não diz se está longe ou perto.

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 Confesso que até hoje não sei bem como ler as bem aventuranças. Será que Jesus está dizendo que eu tenho que procurar ser pobre de espírito, chorar e ser perseguido? Se Jesus enumera qualidade que todos deveríamos perseguir (algo que funciona melhor com “misericordiosos”, “puros de coração” e “pacificadores”), Ele não estaria estabelecendo assim um tipo diferente de salvação pelas obras?

 Sei que muitos teólogos tentam explicar “o que Ele realmente quis dizer” quando falou de pobres de espírito, chorões e perseguidos. Pobres de espírito seriam pessoas que não maquinam o mal, os que choram seriam os que se arrependem pelo pecado e assim por diante. Mas preciso admitir que fico um pouco desconfortável com essas nossas tentativas de torcer o texto para que ele diga mais ou diferente do que está escrito.

 Talvez Jesus não esteja exatamente enaltecendo qualidades que Ele gosta, mas, além de pontuar que a recompensa final está diferida para um momento no futuro, Jesus parece estar frisando a proximidade do Reino. Segundo Jesus, o Reino é tão presente e tão perto que qualquer pessoa, mesmo aqueles que eram então (e até hoje, claro) vistos como perdedores e fracassados sem futuro, como os ignorantes, os que não se vingavam, os que sofriam terrivelmente, bem, até esses poderiam ingressar no Reino. O Reino estava acessível a todos! Na verdade, esses aí estavam mais perto dele do que os que estavam confortáveis e gozando do sucesso efêmero das pompas deste mundo.

 Se é isso mesmo, eu, que tenho a Bíblia lida e relida, anotada e grifada, eu, que adoto com extrema desenvoltura uma grossa casca de santidade e religiosidade, posso estar mais distante do Reino que Ele instalou neste mundo do que os improváveis. Porque na lista de Jesus, geralmente é bem aventurado quem nem suspeitava disso.

O Reino está perto, @migo. Suas portas estão abertas. O futuro diferido é radiante. O convite foi feito mais uma vez.

Marco Aurélio BrasilTem futuro

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