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#Adeus, mamãe…

“Não foi porque ela não quis mais, nem porque ela desistiu… Ela nunca desistiu de nada! “É que dentro de cada um de nós tem uma velinha acesa, e hoje Deus assoprou a velinha dela”, disse o seu médico.

3h da manhã, meu pai, “Lu, a mamãe não está bem. Ela está estranha”. Me levantei, suas mãozinhas estavam geladas, suas pernas, ela não abria os olhos. Chamamos o Samu e a enfermeira confirmou o nosso medo, a nossa expectativa, o momento que sabíamos que ia chegar, mas que verdadeiramente nunca esperamos que chegasse.

A velinha da mamãe se apagou.

Amanheceu, um dia lindo de domingo ensolarado. Deus nos dá presentes lindos até nos momentos mais difíceis. A dor parece algo que não vamos conseguir suportar. Mas Ele está ali. E ela continua ali.
Na nossa memória. O que ela deixou, foram só coisas boas. As dificuldades e os momentos ruins que vivemos deixam de existir, dando lugar a tudo o que ela nos ensinou.
Houve alguém tão especial como ela? Sim, meu pai. Mas este é outro capítulo, importantíssimo, mas outro capítulo da história. Hoje este capítulo é dela. Ela sorriu, chorou, ajudou, ensinou, acolheu, se desdobrou por ela mesma e por todos. Passeou, dançou, amou, festejou, foi amiga e confidente de tanta gente. Ela viveu. No sentido mais profundou da palavra. Ela viveu.
Ela ensinou com tudo o que tinha: paciência, resignação, dignidade, persistência, insistência, sabedoria. Sonhadora, amante da vida, uma mulher realizada pelo trabalho que fazia, pela família que edificara, pelo casamento que construíra.Nunca deixou de ser ela mesma. Às vezes tentava falar e não conseguia. Segurava tudo pelo bem de seu lar, pelo bem de seus relacionamentos, isso era o mais importante. Se calava. Silenciava. Às vezes chorava. Mas sempre, sempre, sempre sorria.Suas mãos fizeram verdadeira arquitetura nas roupas. Não era só uma costureira. Era modista. Era estilista. Noivas e madrinhas, senhoras e meninas, moças e crianças, homens e mulheres. Todos desfrutaram do trabalho amoroso de suas mãos. Todos desfrutaram, pouco que tenha sido, de sua companhia amiga e fiel.

O dia inteiro foi regado pelos raios de um sol forte e pelo calor. Mas no momento final, o céu chorou com a gente. A chuva trouxe o alívio pra sua dor, o alívio pra nossa dor. A despedida.

Minha mãezinha deixou sua marca em mim, no meu pai, no meu irmão, em suas irmãs, em seus irmãos, e em todos que um dia passaram diante dos seus olhos. Sua presença permanece através das histórias de amizade e solidariedade que permearam toda a sua vida. Permanece através das atitudes que repetimos, porque aprendemos serem boas.

Não existem super-heróis com poderes especiais. Mas existem pessoas especiais que são heróis e heroínas. Nessa história, meu pai é o herói, e minha mãe, a heroína.

Adeus, mamãe”.

Texto de Luciana Tavares em homenagem a Sueli Tavares, sua mãezinha…

“Ele enxugará de seus olhos toda lágrima; e não haverá mais morte, nem haverá mais pranto, nem lamento, nem dor; porque já as primeiras coisas são passadas.” Apocalipse 24:4

Adriano Vargas#Adeus, mamãe…

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