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Um botão

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Muitas cidades deste vasto Brasil dispõem daqueles semáforos com botões que, apertados pelos pedestres, prometem lhes proporcionar a vez de atravessar a rua. O nome cientifico do equipamento é “botoeira”, segundo se lê nos textos dos órgãos de trânsito (onde achei tal esquisitice).

Há pessoas que não acreditam neles. Seriam tão eficazes quanto uma caixa de papelão riscada com carvão, com o dizer: quero atravessar a rua! Há razões para isso… Não poucas vezes aperta-se o botão e nada. Os mais afoitos então apertam e reapertam, seguidamente, como se quisessem despertar o duende lá dentro que fará o mecanismo funcionar. Também ocorre de o pedestre aproximar o dedo e não encontrar o botão. Por desgaste ou vandalismo foi tirado de onde deveria estar, do que resta é um buraco, qual desgraçado olho vazado. Na cidade de São Paulo, minha morada nos fins de semana, já percebi que há vários nessa situação. Quando serão concertados? É melhor esquecer. A cultura do conserto e da manutenção é alheia ao modo de ser do brasileiro.

Continuando meu passeio pelas ruas de São Paulo… o que é verdade para as botoeiras será também para as calçadas, com buracos, afundamentos, calombos, corrosões e outras irregularidades que vierem a se instalar nessa selva de pedras. E quanto aos buracos no meio da rua? São velhos conhecidos, indissociáveis da paisagem nas grandes cidades. Em alguns, tão profundos que capazes de ocasionar graves acidentes, almas caridosas fincam pedaços de pau para alertar os motoristas, ou os cobrem com pedra. Tal qual nas pobres botoeiras sem botão ou nos buracos miseravelmente mal tapados, também nas pontes e nos viadutos, nos hospitais e nas escolas, a falta de fiscalização e a falta de manutenção os males do Brasil são…daí que depois de observar toda esta situação do paulistano, percebi que esta é também a situação de muitos cristãos…vivem com botoeiras da fé que não funcionam, com buracos em seus corações, corroídos por culpa, medo, ressentimento, dor. E fiscalizar e fazer boa manutenção da vida cristã, também parece um hábito não conhecido pelos ditos cristão de hoje…

Quantas vezes estes, pra não dizer nós, colocamos a culpa no governo? (Se ele diminuísse os impostos, cumprisse o que promete e consertasse tudo isso, eu estaria melhor). Quantas vezes colocamos a culpa em nossa família, em nossos amigos, em nosso trabalho por falhas, por buracos e sujeiras na estrada da nossa vida? É, mas a mudança real é algo que acontece dentro de nós. Podemos alterar coisas durante um ou dois dias com dinheiro e sistemas, numa operação tapa buracos, mas a questão está lá, e sempre estará lá, na questão do coração…

A limpeza não é uma promessa para o futuro, mas uma realidade no presente. Deixe que um pouco de poeira caia sobre a alma do santo, e ela será varrida. Deixe que um pouco de terra suja caia sobre o coração do filho de Deus, e toda a sujeira será varrida… nosso Salvador se ajoelha e olha sobre os atos mais sombrios da nossa vida, os buracos mais imundos. Mas, em vez de retroceder com horror, ele nos estende a mão gentilmente e diz : “Posso limpar isso se você quiser.”

“E o sangue de Jesus, seu Filho, nos purifica de todo pecado.”1 João 1:7

Adriano VargasUm botão

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