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Uma palavra aos santos egoístas

É muito comum cristãos associarem a ideia de santificação a estilo de vida.

“No cerne de todas as teorias equivocadas sobre o viver santificado”, escreve George Knight (Eu costumava ser perfeito, Unaspress, p. 49), “está a banalização da santidade, em que a vida justa é pulverizada em inúmeros blocos manejáveis de comportamento… Ela … faz com que alguns itens, como a reforma de saúde e o vestuário, sejam o foco da discussão sobre a vida cristã. Esse tipo de ‘santificação’ tem um excelente pedigree histórico. Ele estava no centro do judaísmo farisaico”.

E se um santo for algo mais parecido com isso do que com um engravatado?

O erro crucial dessa teologia enviesada, que joga a santificação para o futuro e restringe a justificação ao passado, é que ela é uma visão essencialmente egoísta da salvação. Se a santificação é simplesmente uma forma de tornar você uma pessoa melhor, ela é um fenômeno bastante individualista, concorda?

Jesus não permite que pensemos assim.

Como observou John Stott, na narrativa da conversão de Saulo, o até então perseguidor da igreja passa a ser chamado de “discípulo” (Atos 9:26), denotando que ele tinha uma nova relação com Deus, de “irmão” (Atos9:17), mostrando que o encontro com Jesus o conduzira a uma nova relação com a igreja, e “testemunha” (22:15), denotando que sua relação com o mundo também havia sido transformada.

Em Atos 9:15 Deus fala a Ananias que Saulo era “um vaso escolhido”, ou seja, ele havia sido separado para uma obra especial, exatamente o que significa a palavra santo.

O que estou tentando dizer (não sei se estou conseguindo) é que a santificação não é uma coisa que acontece dentro de você e morre aí. Não é um poder para parar de comer entre as refeições, uma dotação espiritual para você não gostar mais de forró, uma unção para você parar de ver pornografia na internet.

Ao contrário: santificação é algo que acontece em você em relação aos outros. A santificação, que começa no momento de sua conversão e, se você permite, se estende por cada dia de sua vida, é um processo operado pelo Espírito que faz com que você olhe para o outro de um jeito radicalmente diferente e cada vez mais diferente. Faz com que você se relacione com o outro de um jeito radicalmente diferente. Faz com que você foque nos interesses e necessidades do outro de um jeito radicalmente diferente.

Segundo I Pedro 1:2, nós somos santificados para a obediência a Jesus. Logo, obediência e santificação não são a mesma coisa, a santificação ajuda no processo de obediência a Jesus, o mesmo que nos mandou amar, perdoar 490 vezes, oferecer a outra face, ir e fazer discípulos. Ah, sim, é dessa obediência que estamos falando primeiro.

A outra, aquelas regrinhas todas, elas no máximo ajudam a completar a tarefa principal.

Cresçamos todos na graça e no conhecimento de Cristo Jesus. Amém!

 

Marco Aurélio BrasilUma palavra aos santos egoístas

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