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# Vidas Perfeitas

Houve um tempo em que desejar ser o melhor era a tônica de meu comportamento. Isto surgiu de uma criação em que o perfeccionismo me foi ensinado como sendo o que faria a diferença entre ser um vencedor e um perdedor. Por si só tal ensinamento já era um engano, pois, na vida é preciso aprender a participar, a perder algumas vezes, a lutar, sim, a dar o melhor de si, contudo, com respeito aos adversários, reconhecendo neles e mesmo em nós os limites a serem superados ou não, dependendo do caso. Isto sem falar que vencer ou perder está mais ligado a desistir do que propriamente não ter alcançado determinado objetivo.

No entanto, só mesmo décadas à frente cheguei a aprender coisas tão importantes para viver bem. Até então, no caminho fui deixando pedaços de mim a cada momento que não reconhecia ter me esforçado o bastante. A cada turno, fui me esvaindo como pessoa justamente por não entender que o perfeccionismo estava me levando ao caminho do orgulho, da vaidade e da arrogância, marcas que até hoje preciso entregar a Cristo a fim de me libertar.

Por um conjunto natural de perdas que a vida apresenta, fui acreditando ser um perdedor, e desta forma, aos poucos deixei de realizar trabalhos, alcançar objetivos, conviver amavelmente com pessoas, enfim, deixei de ter fé na vida e na alegria de viver. Assim, surgiu nesse vazio uma depressão profunda, e por não haver em mim a palavra revelada em seu contexto mais puro e verdadeiro, quando percebi ela havia tomado conta de meus atos. Nesse instante surgem paliativos que pareciam me levantar e me levar a um lugar melhor. Seu nome – as drogas. Ledo engano. Fizeram de mim um escravo a viver trevas que não desejo a ninguém.

Havia se passado pelo menos dez anos, quando em Abril de 2002 aceitei o convite de um amigo para voltar a São Paulo, a fim de me tratar em um grupo de apoio a dependentes químicos dentro de uma igreja evangélica. Isto depois de passar por vários tratamentos com psicólogos e psiquiatras, sem qualquer êxito. Naquela época conheci também o louvor de João Alexandre, a quem para minha surpresa encontrei sábado passado nesta igreja, e pude testemunhar a ele o quanto as letras de seus louvores fizeram toda a diferença em minha restauração. Foi especialmente mediante o louvor que passei a entender as palavras de João Batista – “É preciso que Ele cresça e eu diminua”. Já não olhava mais para mim com vaidade ou tristeza, mas, agia com os olhos em Jesus, como me aconselhou as mesmas palavras anos depois, o pastor Kleber Gonçalves, no momento em que emergi das águas do batismo.  

Testemunho hoje que foi pelo poder de Deus que minha vida emocional, física e psíquica foi restaurada naqueles dias, assim como pelo mesmo poder, o caminho da minha formação espiritual estava sendo pavimentado, para culminar junto à verdade ensinada pela igreja adventista do sétimo dia, a que busco viver não por ser esta melhor que outras igrejas, mas, por ela aceitar somente a escritura sagrada, esta que é lâmpada para os nossos pés e luz para o nosso caminho, e que nos ensina a guardar o mandamento e ter a fé em Jesus.

Naqueles primeiros anos de conversão eu soube que meu caminho não teria volta. Precisava daquelas palavras sólidas do evangelho, e especialmente do ensinamento que não me exigia ser melhor do que ninguém, mas, sobretudo, aprender que existe o cair e o levantar. E para isso eu contaria com o amor e o sobrenatural do Criador. Se há algo para se apontar como reflexo da perfeição nesta vida, que de perfeita até agora somente teve a primeira vinda de Cristo, é esta experiência real com Deus onde encontro o verdadeiro diferencial entre ser um vencedor ou um perdedor.  

Shabbat Shalom !

Sadi – Um Peregrino na Palavra.

Sady Folch# Vidas Perfeitas

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