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# Voo em formação

Será que podemos relacionar um hábito entre os gansos em voo, com o que se espera aconteça entre os discípulos de Cristo? Ou melhor, por que não dizer, entre a humanidade? Para justificar a comparação, pergunto: o que marca as cartas de Paulo enviadas às localidades onde se encontravam os novos discípulos de Cristo? Por certo, e com razão alguém dirá serem os ensinamentos, as exortações e os esclarecimentos sobre tudo aquilo que se refere o viver o evangelho, ou seja, mediante o sustento do amor incondicional.

Porém, uma essência ressalta dos objetivos daquelas linhas. Solidariedade e sabedoria. Mas, afinal, o que isso tem em comum com os gansos em voo? Simples. Também ensinamentos, mas sobretudo exercício de solidariedade e sabedoria, que sustentam e proporcionam vida a todos rumo ao Eterno.

Um bando de gansos voando por longas distâncias adota a formação em “V”, porque dela se depreende não apenas uma solidariedade instintiva que os ajuda a cumprir o percurso, mas porque desde cedo aprendem as sábias lições de seus pais, utilizando-as em favor de sua vida e do grupo.

Enquanto as aves da frente batem suas asas, diz a ciência, as de trás são beneficiados com pelo menos 71% de força a mais do que se voassem sozinhas. Ao baterem as asas, o ar que se move ajuda a sustentar a ave que esteja logo atrás. Se um desses gansos sai do alinhamento, ele sente o esforço e a resistência para voar sozinho. Não à toa, pela sabedoria da observação que o instinto registra, de imediato retorna ao grupo.

Pelo mesmo ensinamento, o líder quando se cansa, deixa o seu lugar e toma outro na formação, permitindo que o seguinte o substitua, podendo assim se beneficiar do deslocamento de ar. E, em todo o percurso, se algum deles adoece, alguns poucos saem da formação para acompanhá-lo até terra firme, e ali permanecerem até que possam voltar.

Ao escrever aos novos convertidos, Paulo, mediante as explicações do que seja viver o evangelho, buscava realinhar o comportamento dos discípulos, que por ventura estivessem vivendo alguma distorção, de volta às linhas essenciais na formação do cristianismo. Com isso, sua voz e testemunho incentivavam que continuassem o percurso.

Às vezes, para corrigir enganos que pudessem estar sendo cometidos por conta da permanência da antiga natureza humana, às vezes, para defendê-los de teorias que distorciam a essência do viver em Cristo, que é simples por si mesma, sem peso, e que sustenta o convertido rumo à convivência definitiva com o Eterno, razão de toda a obra divina.

Ele o fazia com o amor que caracteriza o cristianismo, ensinando-os a se amarem e sustentarem uns aos outros, como ele aprendeu de Cristo a fazê-lo, alertando-os da dependência do Mestre para viverem e ensinarem a obra que objetiva o retorno do homem ao convívio com o Eterno. Se algum deles adoecia, outros se mobilizavam para trazer o conforto que precisasse. Se alguém necessitasse de algo, igualmente deixavam seus afazeres para dar atenção àquelas necessidades.

Isso é o cristianismo. Uns agindo pelos outros e todos voando juntos rumo ao local onde se encontra o calor, a comida farta, a água e a proteção do inverno dos tempos. Assim deveria ser, também, com toda a humanidade, uns pelos outros na vida, buscando o equilíbrio do voo em formação, todos em direção ao Eterno.

Que você, seus amigos, sua família possam formar um voo conjunto durante esta semana, ajudando-se uns aos outros, com o olhar voltado para Deus, pois em lugar algum há de encontrar melhor sustento e proteção.

O Senhor sobre ti levante o rosto e te dê a paz

Ṣadi – Um Peregrino da Palavra

Sady Folch# Voo em formação

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