janeiro 2018

Senhor, salva-nos!

O pedido acima, feito a Cristo por seus discípulos, ocorreu num momento de muito medo e desesperança quando o braço onde estavam foi atacado por uma terrível tempestade (Mateus 8:24). É interessante notar que o termo utilizado por Mateus se aplica a uma grande catástrofe natural como um terremoto, um tsunami, etc. Ele utiliza o mesmo termo mais duas vezes em seus escritos, quando cita os terremotos que ocorreram por ocasião da morte e da ressurreição de Cristo.

A sequência do relato mostra que, após o pedido desesperado dos discípulos, Cristo se levanta, ordena ao mar que se acalme e tudo se aquieta. O pânico dá lugar ao assombro ao se indagarem: “Quem é este, que até os ventos e mar lhe o obedecem! ”

Duas lições podem ser extraídas desse relato, a primeira é a de que, mesmo com a presença de Cristo no barco de nossa vida podemos ser assaltados por terríveis tempestades. Ser cristão nunca foi, e nunca será, uma apólice de seguro contra todos os males que assolam a humanidade. O próprio Cristo afirmou que nesse mundo teríamos aflições (João 16:33), deste modo não devemos deixar nossa fé esmorecer por coisa alguma que nos suceda.

A segunda lição é que, se Cristo estiver no barco de nossa vida, podemos ter certeza de que a tempestade, por pior que seja, será vencida, pois Ele venceu o mundo (João 16:33c).

O Eterno nem sempre impede que a tempestade venha sobre nós, mas nos dá a certeza de que, não importa o problema pelo qual passemos, mesmo que seja uma tempestade avassaladora, se Cristo estiver ao nosso lado, tudo se resolverá, pois Ele tem poder para tornar a maior tempestade em simples marola. Mas, para que isto seja uma realidade, precisamos, diariamente, convidá-Lo para entrar em nossa vida. Ele já está à porta apenas espera que a abramos e permitamos que entre, se assim fizermos Ele promete participar de tudo em nossa vida (Apocalipse 3:20).

Experimente abrir a “porta do seu coração” e deixar que Ele entre e veja a diferença.

Gelson de Almeida Jr.Senhor, salva-nos!
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Mais coisas que a distância faz com o relacionamento

Os pronomes possessivos na parábola do filho pródigo* são chave para sua compreensão. O pai que age de uma forma inesperada e surpreendente para com o filho que partiu explica sua atitude dizendo: “este meu filho estava morto e reviveu”. Ainda que pródigo, desrespeitoso, cruel, ele o via como seu filho. Bem, na sequência vamos encontrar o filho mais velho, também desrespeitoso, também deixando claro que não dava a mínima para os sentimentos do pai, fazendo um discurso mimizístico de como se sacrificou a vida toda sem ganhar nada em troca e termina assim: “…vindo, porém, este teu filho, que desperdiçou os teus bens com meretrizes, tu mandaste matar para o bezerro cevado” (Lucas 15:30).
Note que o filho mais velho não menciona o seu irmão. Menciona o filho do pai. Na cabeça dele, ao dar uma banana para o pai e para sua casa, com tudo o que ela simboliza, aquele rapaz havia deixado de ser seu irmão. Igualzinho eu faço quando vejo as pessoas que deram uma banana para Deus e Sua casa. Eles vão longe, ficam diferentes, adquirem um cheiro diferente, um sotaque diferente, uma escala de valores que eu simplesmente não entendo e que me escandaliza. Não quero esse tipo de gente na festa do pai. E é curioso, porque irmãos não podem deserdar irmãos, apenas o pai pode deserdar um filho.
Mas na parábola o pai corrige com muito amor o filho mais velho, aquele que acha que tem direito a um tratamento diferenciado pelo fato de ter feito tudo como manda o figurino. “Era justo alegrarmo-nos e festejarmos, porque este teu irmão estava morto e reviveu…” (verso 32).
Assim como o Pai se recusa a deserdar o filho rebelde, Ele reprova com amor quando eu, que não tenho legitimidade para o fazer, faço.
O que mostra claramente que, da perspectiva do Pai, a distância não afeta em nada o relacionamento. E, que sendo objeto de um tal amor, eu sou desafiado a  também não permitir que haja variação no meu julgamento de meus irmãos. Mesmo os esquisitos.
*concordo com Timothy Keller que esse nome é inadequado. Ele sugere “parábola dos dois filhos perdidos”
Marco Aurélio BrasilMais coisas que a distância faz com o relacionamento
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O que a distância faz…

Aquilo não lhe parecia vida. A vida de verdade parecia estar sempre distante. E uma coisa se interpunha entre ele e a vida: o fato de o pai ainda respirar. Como irmão mais novo, ele teria direito a um terço da herança de seu pai, mas pedir que ela lhe fosse transmitida estando ele ainda vivo era o mesmo que dizer “eu preferiria que você estivesse morto!” A atitude do pai é sempre surpreendente. Em lugar de dar aquilo que o filho merece, ele respeita sua liberdade; a liberdade de acalentar o desejo de que ele próprio estivesse morto, inclusive.

O filho mais novo cuspiu no rosto de seu pai. Sua atitude foi ofensiva, desrespeitosa, típica de quem já não liga a mínima para o relacionamento com o pai ou o que as pessoas daquela terra vão pensar dele, típica de quem vai com a firme intenção de jamais voltar. Mas ele volta. Humilhado, maltrapilho. Em seus farrapos e havendo sofrido a fome, aquele rapaz já nem se parece mais filho daquele homem. Ele cheira diferente. Ele tem um sotaque diferente. Ele exala uma ética distinta da do pai. Toda aquela figura ostenta uma escala de valores que não se encaixa à do pai. Ainda assim, o pai segue surpreendendo. Ele puxa as vestes para cima desnudando suas pernas em público para conseguir correr. E ele corre na direção do rapaz. Encurtar o caminho, apressar o beijo e o abraço, apertar firme aquela figura para todos os demais repugnante, tudo isso era mais importante do que seu status de senhor de terras, do que o respeito ou o que as pessoas podiam pensar dele.
Ele interrompe o discurso ensaiado do rapaz. Não quer perder tempo com isso. Dá ordens para uma festa. Manda vestirem-no com a melhor roupa (ou seja, a sua!). E há uma razão para isso: Porque este meu filho estava morto, e reviveu; tinha-se perdido, e foi achado (Lucas 15:24).
A palavra chave dessa frase é “meu”. Desfigurado, degradado, voluntariamente distanciado de tudo o que o pai é e representa, ainda assim ele segue sendo dele. O que o pai sente pelo filho independe de suas escolhas lamentáveis.
O filho é você. Não importa o que passou. Não importa os muitos e muitos quilômetros que você colocou entre si e o pai em busca daquilo que lhe parecia vida. Não importa nem mesmo se você não se sente tão longe quanto o filho da parábola, acalentando a ideia boba de que refazer o caminho até o pai será mais fácil já que não está propriamente jogado aos porcos, e com isso postergando a volta ano após ano.
Você é dele. Você é dele.
Marco Aurélio BrasilO que a distância faz…
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Correr Atrás do Vento

Anos atrás um repórter do New York News fez uma pesquisa sobre qual seria a coisa mais importante na vida cotidiana das pessoas, as respostas foram as seguintes:

– Encontrar pessoas, de todas as espécies.

– Minha namorada, Teresa.

– Dirigir um caminhão pelas ruas sem ter acidente algum.

– Dar comida a todos os que tem fome.

– Estar com minha família depois de um dia de trabalho

Respostas bem variadas, porém ninguém relacionou algo ligado ao plano espiritual.

Se lhe perguntassem o mesmo, qual seria sua resposta? Ou seja: Qual é seu primeiro pensamento ao acordar? Se tivesse que escolher ficar com apenas uma coisa em sua vida, o que seria?

Num mundo materialista como o nosso as “coisas” são mais importantes que as pessoas, as relações se tornam cada vez mais superficiais e rápidas. O Eterno e Sua vontade são deixados de lado e a desculpa é sempre a mesma: “Não tenho tempo”. Passamos a vida correndo de um lado para outro e deixamos o Eterno de lado, esquecendo do conselho de Cristo para buscar, em primeiro lugar, o Seu reino e a Sua Justiça, pois tudo o mais nos será acrescentado (Mateus 6:33).

Em idade madura, fazendo um balanço de tudo quanto fizera, Salomão disse que buscara o prazer, entre outras coisas, em diversões, no vinho, em realizar grandes obras e em comprar toda a sorte de coisas, mas sua conclusão foi: “(…) vi que tudo o que as minhas mãos haviam feito, e o trabalho que eu me esforcei em realizar, compreendi que tudo era ilusão! Era como correr atrás do vento! ” (Eclesiastes 2:11 – BV).

Qual tem sido a tônica de sua vida? Onde foca seus maiores e melhores esforços? Depois de tudo o que tinha feito Salomão reconheceu que apenas correra atrás do vento. É de seu pai Davi o último conselho de hoje: “Entrega ao Senhor tudo o que fizeres. Confia nEle e Ele te ajudará em tudo”. (Salmo 37:5 – O Livro). Não corra atrás do vento, corra atrás do Eterno e Sua Justiça.

Gelson de Almeida Jr.Correr Atrás do Vento
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Os Fins Justificam os Meios

Esse paradigma, muito utilizado por N. Maquiavel em sua obra “O Príncipe”, foi utilizado por um conhecido cantor sertanejo, no último domingo (14/01) ao parar o carro às margens de uma rodovia, em Goiás, e pegar algumas espigas de milho de uma plantação. “Gente, eu num guentei não. Deus perdoa nóis (sic). Achei uma plantação de milho aqui, nóis vamo roubar uns milhos (sic)” diz ele, no vídeo postado em sua rede social. Após pegar várias espigas ele diz que não podia pegar muito, pois, sendo apenas para consumo, Deus perdoaria seu ato.

Longe de mim atacar ou acusar quem quer que seja, desejo apenas fazer uma reflexão sobre como procuramos justificar e desculpar atitudes erradas. Tudo começou com Eva, que pegou e provou do fruto da árvore da ciência do bem e do mal, justificando que queria ser igual a Deus. Para não perder a mulher Adão comeu do fruto, daí em diante o que se vê é toda a sorte de desculpas para justificar o erro.

O hino “Graça” https://www.youtube.com/watch?v=NT-WLZrGBK4 (Arautos do Rei) traz uma frase muito profunda: “ (…)pecado não se explica, pecado se paga(…)”. Enganam-se aqueles que pensam que podem agir de forma desordenada sem que isso lhes traga consequências, pois tudo o que semearmos colheremos (Gálatas 6:7). O pecado de Adão e Eva trouxe a morte a seu filho Abel e vários animais, que serviram de sacrifício, o pecado, suas consequências e as desculpas para ele, foram passando de geração em geração.

Felizmente a Graça divina está aí para nos livrar do peso e da punição eterna do pecado (Romanos 6:23), mas temos uma parte a fazer: “Busquem o Senhor enquanto podem achá-Lo. Peçam sua ajuda, enquanto Ele está perto. Os pecadores devem abandonar seus maus caminhos; devem deixar de lado seus maus pensamentos. Todos devem se voltar para o Senhor, arrependidos, e Ele mostrará a sua grande misericórdia. Voltem-se para o nosso Deus, pois Ele mostrará como é imenso o seu perdão” (Isaías 55:6-7 – BV).

Os fins não justificam os meios, por mais racionalizável que seja, pecado sempre será pecado. Arrependa-se, busque o Eterno e receba o seu perdão.

Gelson de Almeida Jr.Os Fins Justificam os Meios
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O mestre em seu ofício

“Deus me fez com um propósito, mas também me fez rápido. Quando eu corro, eu sinto Seu prazer”. A frase, que eu já citei em outra ocasião, é de Eric Liddell, um dos atletas britânicos que participaram dos primeiros jogos olímpicos da era moderna, cuja história foi contada no belo filme Carruagens de Fogo. Ele estava a ponto de embarcar como missionário mas decidiu adiar seu ministério para correr. Mas como Deus poderia ter prazer em alguém correr rápido?

LIDDELL_Eric_Henry_New_HeaderUm dos subprodutos do dualismo, que cava um poço profundo entre o sacro e o profano, é o sentimento de que a única coisa que pode dar prazer a Deus é alguém pregar com eloquência ou cantar lindamente numa igreja. Reduzimos toda a lista de dons espirituais de Paulo, uma lista meramente exemplificativa, aliás, a esses dois, porque são os únicos dons que conseguimos ver em ação no ambiente da igreja.
Em Êxodo 31:3 Deus afirma haver enchido de Seu Espírito uma pessoa específica. Para que? Pregar? Fazer milagres? Profetizar? Não: para desenhar e executar trabalhos em ouro, prata e bronze, para talhar e esculpir pedras, para entalhar madeira e executar todo tipo de obra artesanal (v. 4 e 5).
Você pode dizer: claro, nesse caso isso é um dom divino porque esse dom seria usado na construção do templo. Como se o Espírito de Deus atuasse desse jeito como uma exceção absoluta à regra de só tocar pessoas para pregar e cantar. Provérbios 8:31 diz que Deus se alegra com o mundo que criou e com a humanidade. Quando ela está pregando, unicamente? Acredito que não.
Você pode ficar chocado com o que vou dizer, mas adoro ver esses vídeos que as pessoas compartilham de mestres em seus ofícios porque vejo Deus neles. Tem o vendedor do algodão doce que esculpe coisas lindas com ele. Tem o cara que não se limita a abrir um coco, mas o entalha até ele ficar uma coisa linda e só então o serve. O último que vi é o cara que carrega o caminhão com botijões de gás usando só uma mão e jogando os botijões de longe até se encaixarem perfeitamente em seus lugares.
Um mestre em seu ofício é, pra mim, um lembrete do espírito criativo que herdamos dAquele de quem fomos criados à imagem e semelhança. Um mestre em seu ofício é um eco da excelência original em que fomos criados.
Se consigo abrir os meus olhos para ver o Espírito do Criador fora da igreja também (e eis que Ele se manifesta lá de muitas outras maneiras que não apenas no pregador e no cantor!), começo a divisar um Deus não encapsulado nos limites estritos daquilo a que chamo sagrado. E o sagrado desborda, como o leite fervendo. E a vida se torna sagrada. E um espírito de reverência, gratidão, alegria e solenidade me acompanha por onde vou (mesmo nos dias quando não é para a igreja que vou). E quando faço aquilo que faço muito bem e que se harmoniza com a Lei dEle, eu posso sentir o Seu prazer.
Marco Aurélio BrasilO mestre em seu ofício
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Uma Vida de Entrega

Falando acerca de Cristo, Napoleão afirmou: “Jesus Cristo foi mais que um homem. Alexandre, César, Carlos Magno, e eu mesmo, fundamos grandes impérios; porém, de que dependeu a fundação de nossos reinos? Da força. Só Jesus fundou o seu império sobre o amor e, até o dia de hoje, milhões estariam prontos a morrer por Ele”. Será que hoje em dia encontraríamos tanta gente disposta a dar sua vida por amor a Cristo?

Quando Cindy Lauper esteve no Brasil pela primeira vez usava um crucifixo pendurado numa das orelhas, indagada sobre isto, ela disse que o queria Cristo bem perto de seu ouvido para poder ouvir melhor Sua voz. Fique bem claro que não pretendo levantar nenhum questionamento ou discussão acerca do trabalho dela.

Anos atrás vi um jovem que vestia uma camiseta onde estava escrito na frente: “Carregar Jesus no peito é fácil” e na parte de trás da camiseta estava escrito: “Difícil é ter peito para andar com Jesus”.

Tanto a frase na camiseta quanto a atitude de Cindy Lauper são enigmáticas e profundas, mas faço uma pergunta: O quê, realmente, é dar a vida/entregar para Cristo? Como disse alguém: Carregar Jesus no peito é fácil, difícil é carregá-Lo no coração e seguir Seus ensinamentos”.

Quando decidiu nos salvar Cristo largou tudo o que possuía no Céu e veio para a Terra, mesmo sendo o Rei do universo, veio na forma de servo e, como tal, se humilhou até a morte na cruz (Filipenses 2:5-8). Isto sim é dar a vida por alguém, é se doar pelo outro. O Eterno não pede que você dê sua vida em favor dEle, Ele pede que você viva por Ele.

Teria você coragem de abrir mão de tudo em favor dEle? Experimente fazer esse tipo de entrega, o maio beneficiado será você mesmo.

Gelson de Almeida Jr.Uma Vida de Entrega
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Cansaço

Coisas que têm me deixado particularmente assustado ultimamente: o planeta Terra só foi ter um bilhão de pessoas pulando em cima dele lá por 1840d.C.. Ou seja, levou quase 6.000 anos para chegarmos ao primeiro bilhão. Já estamos no sexto, contudo, e entre o quinto e o sexto foram meros 12 anos. Evidentemente estamos vivendo uma explosão demográfica impressionante.

Se engrossarmos o caldo com a noção de que até há cem anos a população no Ocidente estava concentrada 80% no campo e só 20% nas cidades, mas que a proporção se inverteu completamente agora, constataremos que esse monte de gente está empilhada nas grandes cidades, com espaços reduzidos para tudo, cotoveladas, pisões, puxões, empurrões, odores fétidos, irritações e quejandos.

Se adicionarmos à receita a lei da demanda e da oferta, veremos que por estarmos no coração da explosão demográfica, há muito mais gente correndo atrás do pão de cada dia, que, por sua vez, está cada vez mais longe, a não ser que você chame comida congelada de pão-nosso. E se lembrarmos que o que o homem considera “pão nosso de cada dia” hoje é muito mais do que considerava há décadas, ou seja, que inventamos necessidades que não existiam e consumimos uma montanha de lixo inútil sem pestanejar, teremos uma ideia das razões pelas quais vivemos todos cansados e estressados a ponto de o coreano Byung-chul Han rotular nossa sociedade como “A sociedade do cansaço” (Editora Vozes).

Durante boa parte da história do homem, ele viveu cansado pela busca da salvação de sua alma. Essa foi a preocupação preponderante em eras e eras. “O que devo fazer para ser salvo?”, a pergunta que o jovem rico fez a Jesus, era mais repetida que o “de onde viemos e para onde vamos?” Não à toa as principais personagens de todas as sociedades eram aqueles que detinham a resposta a essa pergunta: os sacerdotes.

Agora, contudo, que vivemos a quilômetros da horta e do pomar mais próximos, que encontrar o básico e aquilo que nós consideramos ser básico – e que não é – custa muito esforço, requer atenção a uma infinidade de coisas acontecendo ao mesmo tempo, em velocidade frenética, agora que sobreviver requer uma longa caminhada para longe das coisas da alma e das preocupações com a eternidade, o cansaço é epidêmico e mil vezes mais venenoso, porque não tem o consolo da esperança que a preocupação com a eternidade dá. Fomos longe de Deus e estamos estafados – este poderia ser o resumo do raio-X do nosso século.

Mas olhem a resposta-convite que achei. “Pois assim diz o Senhor Deus, o Santo de Israel: Voltando e descansando, sereis salvos; no sossego e na confiança estará a vossa força” (Isaías 30:15). A salvação é uma volta e um descanso. Não precisamos de mais nada além disso.

Marco Aurélio BrasilCansaço
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Gratidão

“ Em tudo dai graças” I Tessalonicenses 5:18


Olhando o resumo do meu relatório semanal de alertas em um conhecido aplicativo para locomoção fiquei surpreso ao ver que meus alertas haviam auxiliado 3227 pessoas, mais surpreso ainda fiquei ao ver que 11 pessoas haviam agradecido.

Lembrei de um relato feito por Norman Vincent Peale (1898-1993) sobre um pastor que dirigia uma congregação à beira mar. Uma sexta feira naufragou uma embarcação com 11 pessoas a bordo e pediram-lhe que orasse. Dias depois ele colocou na igreja uma lista com o nome de nove marinheiros e, à frente de cada nome, escreveu: “Perdido no mar”. A notícia se espalhou e os marinheiros iam até a igreja perguntar como seu nome estava na lista de desaparecidos se estavam na cidade? Cada vez que era procurado por um dos homens ele tirava o nome da lista. Naquela noite, em seu sermão ele explicou a lista dizendo:

– Foi-me pedido que orasse pela segurança de onze pessoas no naufrágio de sexta feira. Apenas dois vieram pedir-me que desse graças por haverem voltado sãos e salvos. Presumi, naturalmente, que os outros nove haviam se afogado.

Como muitos de nós, estavam vivos, mas não mostraram gratidão. Robert Emmons, professor de Psicologia na Universidade da Califórnia, EUA, afirma que a prática de expressar gratidão melhora o humor, aumenta o otimismo, auxilia na duração e qualidade do sono, dá mais disposição para a prática de exercícios físicos, ajuda a equilibrar a pressão arterial e diminui os níveis de depressão e estresse. Podemos ainda acrescentar que, mostrar gratidão para com o Eterno, faz com que reconheçamos Sua importância em nossa vida e nossa total dependência de Suas bênçãos.

Você se considera uma pessoa grata? Não basta reconhecer o que recebemos é fundamental termos um espírito agradecido.

Gelson de Almeida Jr.Gratidão
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O preço

Para uma criança pobre pode ser motivo de perplexidade ver os brinquedos de uma criança rica. Brinquedos que a ela pareceriam o supra-sumo do gozo, que ela sonharia febrilmente em ter, estariam na casa da criança rica quebrados ou largados no ostracismo de alguma caixa empoeirada. Por que aquilo que é um tesouro para uns pode ser motivo de desprezo e descaso para outro?

Aquilo que se ganha com frequência e que cai no nosso colo sem esforço, tende a não valer muito para nós. E é assim que muitas vezes lidamos com a salvação em Jesus Cristo.

O próprio termo que designa a forma pela qual somos salvos insinua essa percepção: graça. Somos salvos pela graça, somos salvos de graça. Não existe nada que o Salvador espera que façamos antes de nos salvar, então a cruz está aí, como o destroço salvador de um naufrágio, só precisamos abraçar.

Só somos capazes de desprezar ou menosprezar a salvação porque escolhemos ignorá-la ou porque cultivamos essa ideia de graça barata, de algo que, de tão fácil, não tem grande valor, podemos dar a
atenção a isso mais tarde, vai estar sempre aí.

Acontece que a graça só é “barata” para quem recebe. Para Quem dá, ela custa tudo. Morris Venden, um entusiasta da graça e um dos expositores mais didáticos dela que eu conheço. Ele ilustra esse
ponto da seguinte forma: ele, um pastor, está trafegando por uma estrada em velocidade excessiva. É parado por um guarda, que aponta para seu erro. Ele tenta se explicar, fala do velório no qual precisa falar e para o qual está atrasado. O guarda compreende a situação, mas, ao invés de simplesmente deixar de multar o pastor, ele aplica a multa. Ele diz que a lei precisa ser respeitada e a lei exige que, ante uma tal infração, a pena seja cominada. Só que, por se compadecer da situação do pastor, ele mesmo leva a multa até a cidade e a paga.

A salvação não é um passar a mão na cabeça da criança bagunceira e dizer que está tudo bem. É um Deus que se doa e passa a sentir os espinhos e pregos em Sua própria pele, é o divino sentindo-se
desamparado, solitário, incompreendido e alquebrado, para que os desamparados, solitários, incompreendidos e alquebrados pudessem ter esperança e viver da forma como Ele idealizou para ser. A salvação tem um preço altíssimo. Desprezá-la é enfiar aqueles cravos um pouco mais fundo na agonia dEle.

Sempre que penso na enormidade da salvação, lembro de Paulo, que ao encontrar Jesus teve os olhos cobertos por um tipo de escamas. Conosco é o dia-a-dia e nossa propensão ao egoísmo mais extremo que nos tampa a vista. De quando em quando precisamos que as escamas caiam para que vejamos.

Marco Aurélio BrasilO preço
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