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A resposta

Embora não precisem antagonizar-se, fato é que a fé e a razão parecem habitar universos diferentes, ou pelo menos partilhar de naturezas diferentes. A fé deu as cartas durante muito tempo. Aí, ali pelo Iluminismo, os caras olharam para trás e viram que o reinado da fé não tinha sido bom. A sociedade era dividida em estamentos estanques, no qual os menores deles oprimiam a imensa maioria dos estamentos inferiores, havia um monte de guerras, havia hipocrisia e todo tipo de abuso. Pegaram a fé, amassaram e jogaram no lixo. Era a época das luzes. Chega de obscurantismo. Agora a razão imperaria. Passados 300 anos, embora a razão não tenha reinado absoluta como a fé o fez, as pessoas olham pra trás e não gostam do que vêem. Há uma enorme insatisfação pelo fato de a razão não haver inaugurado o tempo de felicidade plena e abundante que prometeu. Falta o espiritual nesse mundo em que a matéria não satisfaz.

Ora todos têm aqueles momentos de epifania, de catarse, aqueles momentos em que a beleza extrema os atinge no peito e eles sentem que a razão não dá conta disso. Todos têm aqueles momentos em que sentem um mundo maior que eles pulsando dentro deles. Uma paisagem estonteante. O momento imediatamente anterior ao primeiro passo no salão em que acontecerá o seu casamento. O nascimento do filho. A paz inoculada na tormenta pela simples presença de amigos. O lembrete deixado pela morte repentina de alguém importante. E então as pessoas buscam o espiritual, mas de preferência sem Deus. Mindfullness, yoga, meditação, alguns tipos de terapias, a devoção a um artista, a relação de dependência com um coach, mil obsessões (com a saúde, com o dinheiro, com a política, etc). São tentativas de suprir o que a razão e a matéria sós, está provado, não podem fazer pela humanidade.

C. S. Lewis precisou lutar contra o seu confortável ateísmo para concluir que alguma coisa estava errada nisso tudo e aqui está sua conclusão: “Se eu encontro em mim um desejo que nenhuma experiência desse mundo possa satisfazer, a explicação mais provável é que eu fui feito para um outro mundo”. Feito à imagem e semelhança de Alguém maior. E então percebemos que o problema nunca foi a fé, mas a fé sem o seu autor e consumador. NEle e por Ele, tudo que é incompleto encontra a completude, tudo que é insatisfatório encontra a plena satisfação, tudo que é limitado encontra o que é eterno. O nome da resposta, senhores, segue sendo Jesus Cristo.

Marco Aurélio BrasilA resposta

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