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Admirável mundo novo

Estamos em meio a uma revolução. Segundo alguns, uma revolução sem precedentes nos últimos 5.000 anos, desde que os sumérios inventaram a escrita e possivelmente sem precedentes pelos próximos 5.000 anos também.

Se tomarmos um homem médio da Europa feudal, as condições de vida da Europa em plena Revolução Industrial seriam absolutamente impensáveis. Qualquer sistema que fugisse à dinâmica vassalo/suserano, plebe/nobreza, fiel/clero, seria impossível de se prever. Muito menos um mundo dividido em comunismo e capitalismo.
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Você e eu crescemos em um mundo assim divido, e a verdade é que ele não se encontra mais assim. Que tipo de sistema governará o mundo daqui a alguns anos? É impossível dizer. A revolução digital é realmente impressionante, está transformando as relações humanas em todos os níveis. Em muito pouco tempo, os especialistas vaticinam, praticamente tudo será feito pela internet, praticamente todos terão sua assinatura digital, boa parte dos contatos pessoais será substituída por contatos virtuais, incluindo-se aí até mesmo coisas como audiências judiciais e cirurgias complexas. Hoje mesmo, alguém com um notebook mais possante pode, de seu escritório, valendo-se da tecnologia wireless vasculhar os computadores de todos os seus vizinhos, desde que conheça um ou dois truques. Os juristas quebram a cabeça para saber se suas leis cunhadas para o mundo presencial ainda têm validade no mundo virtual, especialistas em segurança andam com ar apavorado por aí, pais não sabem como regrar a utilização do computador pelos filhos… e a lista de perplexidades não tem fim.

Ora, as revoluções transformam as relações humanas em todos os níveis, isso é fato. Mas também é fato que há algo que elas não transformam. Estou falando do próprio homem. Este continua o mesmíssimo ao longo dos séculos. Continua absolutamente dependente de comida, de ar, de água, de sol. Continua essencialmente dependente de aceitação por uma coletividade, de um gesto de carinho, de um cafuné. Continua com muito medo, da morte, da vida, do futuro, dos outros. Continua sofrendo solidão, separação, impotência para mudar a realidade, fragilidade. Continua se iludindo, se enganando, se maltratando. Continua correndo atrás do que lhe agride, de satisfação de vontades controláveis, de pequenos prazeres cuja relação custo-benefício é escancaradamente desfavorável. Continua, sobretudo, carente de salvação.

Esteja o homem onde estiver, na linha do tempo: em algum momento antes de Cristo, na Europa selvagem dos primeiros anos depois dEle, durante a idade Média, durante a revolução industrial, no meio da guerra fria, agora, amanhã, depois, não importa; esteja onde estiver, o convite continua o mesmo, e igualmente eficaz: vinde a Mim vós, que estais cansados e oprimidos, e Eu vos aliviarei (Mateus 11:28).

Independentemente do mundo que venha por aí, a solução está em atender este convite.

Marco Aurélio BrasilAdmirável mundo novo

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