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Algumas coisas que os livros dos profetas me dizem

Para o leitor que está aprendendo a desbravar as páginas da Bíblia, existem alguns blocos de livros difíceis de se ler. Levítico, por exemplo, com toda aquela descrição do cerimonial do santuário israelita, ou as longas listas genealógicas de I Crônicas. A segunda metade do Velho Testamento, então, parece especialmente indevassável. É ali que estão alojados os chamados “profetas”, separados pelos estudiosos entre “grandes” (Isaías, Jeremias e Ezequiel) e “pequenos”(que reúne uma série de nomes esquisitos e livros minúsculos, como Habacuque, Naum, Obadias, Miqueias e aí por diante).

Nessas páginas há, contudo, textos lindíssimos. O que dizer deste, que encontro em Isaías 41:10: “não temas, porque eu sou contigo; não te assombres, porque eu sou teu Deus; eu te fortaleço e te ajudo, e te sustento com a destra da minha justiça”? Ou então “buscar-Me-eis e Me achareis, quando buscardes de todo o coração” (Jeremias 29:13)? E o que dizer de versículos como “eu, porém, confiarei no Senhor: esperarei no Deus da minha salvação. O meu Deus me ouvirá” (Miqueias 7:7), “o Senhor Deus é minha força, Ele… me fará andar sobre os meus lugares altos”(Habacuque 3:19), ou “o Senhor teu Deus está no meio de ti, poderoso para te salvar; ele se deleitará em ti com alegria; renovar-te-á no seu amor, regozijar-se-á em ti com júbilo” (Sofonias 3:17)?

Sem dúvida alguma, os profetas estão polvilhados de pérolas, conceitos teológicos importantes, promessas inefáveis e palavras que têm consolado a milhares ao longo dos séculos.

Entretanto, às vezes parece ser uma tarefa cansativa garimpar essas pérolas no terreno inóspito das advertências contra nações que talvez nem existam mais, das visões estranhas, do linguajar peculiar que ali se emprega. Mas podemos olhar o quadro como um todo, apurando os olhos para ver a imagem que forma.

Afastando um pouco os olhos para ver, percebo nos profetas um Deus debruçado sobre o mundo, aflito com os destinos das pessoas e nações. Um Deus que não se conforma em ver gente optando por morrer, e que por isso desperta profetas e faz apelos no linguajar mais eficiente para chamar a atenção e provocar reavaliações de valores.

Os livros dos profetas me dizem que Deus está preocupado e operante nas manobrações políticas das nações, bem como nas minhas escolhas pessoais e definições que tomo na vida. Me dizem que Ele poderia estar muito longe, ocupado com coisas infinitamente mais gratificantes, entretanto é por nós aqui que Ele chora, Se irrita, Se impacienta, e somos nós que, ao ouvirmos Sua voz, despertamos nEle os maiores sorrisos.

E Sua voz fala na nossa língua. Seria estranho ver Habacuque e Naum falando do jeito que eu falo. Quer dizer, isso seria estranho para o povo que precisava ouvir o que eles tinham a dizer e para essa gente o realmente eficaz era não um coro de anjos dizendo verdades com autoridade nem tampouco métodos avançados de comunicação, mas pessoas como essa mesma gente, entregue nas mãos de Deus, vivendo em conformidade com o que pregava e dizendo a verdade de um jeito que não haveria desculpa para mais tarde dizerem que não entenderam.

Os profetas me mostram um Deus pessoal. Você não faz ideia do quanto eu precisava disso para ser feliz! É por isso que hoje eu apuro meus ouvidos, porque pode ser que algum profeta esteja falando o que eu preciso ouvir. Sugiro que quem tem ouvidos para ouvir, ouça!

Semana que vem vamos ver mais de perto um dos livros dos profetas: Daniel.

Marco Aurélio BrasilAlgumas coisas que os livros dos profetas me dizem