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# Amor incomparável

nsCarlos Drummond de Andrade certa vez escreveu um poema que iniciava se perguntando: “o que pode uma criatura senão, entre criaturas, amar?” E já ao final ele afirmava: “Este o nosso destino: amor sem conta…”.

O que especialmente como homens nos faz atraídos pelo evangelho à primeira vista, senão o amor vivido, testemunhado e ensinado por Cristo? Esse amor desconhecido pelos homens, acompanhado de sabedoria e que tem em si a grandeza da simplicidade e a nobreza da doçura; e que é ao mesmo tempo forte,  rompendo as barreiras dos corações mais duros, cauterizados pela dor causada pelo mundo, não raro pelo vazio existencial que nunca soube responder a contento.

Amor. Eis o tema em que o Mestre se baseou para dizer qualquer coisa que tivesse ouvido do Pai; amor que o fazia obediente, amor que sabia de onde vinha e para onde ia. Diferente dos homens, que são levados de um lado a outro, sempre à procura de direção que satisfizessem as perguntas mais simples, contudo, sem jamais encontrar as respostas.

Eis a razão pela qual todo convertido ao amor de Cristo deve tomar ao amor por norte. Conforme disse Pedro ao Mestre: “para onde iríamos, se apenas tu tens palavra de vida eterna”. O que é esta palavra senão o amor com o qual o Pai nos amou, a tal ponto de entregar seu filho único e divino para viver em corpo de homem para sofrer, suportando o peso humano por inteiro e desta forma nos levar de volta ao Pai?

Nisto se manifestou o amor de Deus, disse João em sua primeira carta – O envio de Seu filho para que vivêssemos por ele.

O que é este amor, senão o amor que nos constrange e ao mesmo tempo nos preenche sobremaneira, fazendo-nos transbordar, e assim fazer brotar o sorriso no rosto, expressão da alma agradecida pelo que vem do Alto! Amor que nos faz desconhecer o temor. Amor que faz alguém perdoar até mesmo quem o ofende ou persegue! Isso o mundo jamais entenderá, e fica tão confuso que sua reação é zombar. Na verdade, sua zombaria é apenas o medo se manifestando em corações vazios.

Ah, o amor! Como viver sem ele? Impossível, pois quem ama é nascido de Deus e só amando se pode conhecer a Deus. Como poderá o irascível, o rigoroso, o inflexível, ainda que conhecedor de todas as letras da escritura, dizer que conhece a Deus se seu coração não estiver tomado por amor?

O amor transforma, sobretudo porque ele é fruto de ninguém menos que o Espírito. Ah! O que dizer senão o mesmo do que disse o Cristo – amar uns aos outros, sobretudo como Ele nos amou! – Há um conto cristão tradicional que diz o apóstolo João ao final de sua vida repetia apenas uma frase ao longo dos anos: Amai-vos uns aos outros…amai-vos uns aos outros…amai-vos…amai-vos…amai!

Que nossa semana, sobretudo nossa vida seja assim, construída a partir desse paradigma divino: Amar e viver o amor incomparável, pois ele é o próprio Deus.

Sadi Peregrino

Sady Folch# Amor incomparável

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