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Aperitivo da eternidade

Não conheço algo capaz de provocar uma sensação de plenitude e completude maior do que fazer a vontade de Deus. Você sente que está a serviço dEle, percebe que qualquer sacrifício que tenha feito (de tempo, de energia, de dinheiro, o que seja) foi gigantescamente compensado… Ainda assim, essa sensação costuma ser atropelada e soterrada pelas urgências do dia e pela vontade de sentir aquele tipo inferior de prazer. Nesses momentos, pode ser que Deus, que nos ama loucamente e que nos quer ver completos, tome certas medidas para nos trazer ao trilho certo.

O exemplo da igreja primitiva é bem ilustrativo. Antes de ascender, Jesus havia dito que eles deveriam ser testemunhas Suas “tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria, e até aos confins da terra” (Atos 1:8), mas eles deveriam permanecer em Jerusalém até serem revestidos de poder (Lucas 24:49). Eles obedeceram, permaneceram cerca de cinquenta dias “perserverando unânimes em oração” (Atos 1:14) e então a promessa se cumpriu, veio o Pentecostes, a conversão de milhares de pessoas e a inauguração de uma era de ouro, com a multiplicação dos conversos e um regime de fraternidade coletiva que o homem tentou reproduzir à força muitas outras vezes sem sucesso. Se Jesus com Seus milagres despertou o ódio da elite religiosa, imagine se o mesmo não ocorreria com esse ardor coletivo que estremeceu Jerusalém? E, no entanto, levou algum tempo até que a perseguição começasse.

É que, não fosse por ela, possivelmente os apóstolos teriam permanecido lá em Jerusalém para sempre, acomodados, refestelados, construindo igrejas com bancos confortáveis para verem Pedro pregar toda semana. Distantes da vontade de Deus e da missão que Ele havia dado. Segundo Ellen G. White, “a perseguição que sobreveio à igreja de Jerusalém resultou em grande impulso para a obra do evangelho… havia o perigo de que os discípulos ali se demorassem por muito tempo, despreocupados em relação à comissão que haviam recebido do Salvador de ir a todo o mundo”.

Uma perseguição pode ser boa? Um fracasso pode ser positivo? Uma crise pode ser edificante? Desde que nos traga ao trilho, certamente. A sensação de completude que daí decorre, amigo, é apenas um aperitivo da eternidade.

Marco Aurélio BrasilAperitivo da eternidade

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