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Burkas

Em 2002 os EUA enviaram tropas para o Afeganistão, na busca por Osama Bin Laden e então o mundo conheceu melhor o regime dos talebans, a forma mais radical de islamismo. A condição da mulher
talvez fosse o ponto mais chocante para os ocidentais. Elas são obrigadas a usar as pesadas burkas, mantas negras que só deixam os olhos aparecerem. Ficamos sabendo que uma mulher deixar entrever a ponta do nariz em público poderia ensejar linchamento. Mulheres que trabalham devem usar o computador de luvas e, como essa, milhões de outras regras que traduzem um mesmo sentimento: mulheres são objeto de tentação, instrumentos do demônio, portanto. Devem ficar ocultas.

Durante muito tempo, um sentimento parecido permeou a cristandade. Aqueles mais preocupados com sua salvação eterna desligavam-se da sociedade, iam para mosteiros no meio do nada ou buscavam a solidão de santuários esquecidos do resto do mundo (recomendo o belo filme Noites com Sol, dos irmãos Taviani, que conta uma história bem elucidativa a esse respeito). A ideia era que se eles se entregassem somente à oração e não pudessem ver as coisas que representam tentações para eles, deixariam de pecar e com isso seriam salvos.

Esse sentimento é muito raro entre nós hoje. Ninguém foge da tentação, mas não porque está preocupado com sua salvação eterna. É que os discursos libertários que tomaram força nos anos 60 do século passado nos ensinaram que tentação não se resiste. Temos que ceder a elas, temos que satisfazer nossos desejos, porque de outra forma não estamos vivendo.

A Bíblia me diz que de uma forma ou de outra estamos dizendo não a Deus. O asceta e o que cobre as mulheres de panos pretos estão esquecendo que nosso trabalho não é deixar de pecar, ou seja, não é abster-se de fazer o mal. Aliás, isso não adianta, Jesus deixou claro que precisamos mais que não fazer o mal, fazer o bem e para isso precisamos estar no meio das pessoas e também respeitar a liberdade delas, como Ele fez. Deixar de pecar é assunto para Deus, pois Ele é quem opera o querer e o efetuar. Nosso trabalho é permitir ser revestido de uma nova natureza, com uma nova disposição para agir como Cristo agiria nas situações em que nos encontrarmos. É isso o que o batismo simboliza.

E quem nega que exista pecado e acredita que não há como resistir à tentação está negligenciando o mesmo ponto, porque está dizendo que não existe um Deus, ou pelo menos que Ele não tem uma lei ou ainda ao menos que Ele não pode dar poder para fazer o bem.

Não devemos ficar contemplando a tentação mas também não devemos tentar criar um mundo onde ela não exista. Devemos focar os olhos em Cristo e deixar o resto com Ele.

Marco Aurélio BrasilBurkas

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