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# Construções

derrubando muros e construindo pontesQuem nunca ouviu falar do Muro de Berlim? Conhecido também como o Muro da Vergonha, o termo refere-se às consequências pela decisão de sua construção. Como esse extinto marco de divisão, há mais seis iguais a ele espalhados pelo mundo. Todos com o objetivo de separar os homens.

A intolerância é a argamassa que assenta os seus tijolos, e foram levantados para separar regimes políticos, ideologias e crenças religiosas que não se toleram. Em comum a esse fato, milhares de muros são erguidos diariamente, possibilitando consequências que vão além de impedir acesso ao seu lado, mas imprimem também a cegueira, que não permite que se perceba as limitações pessoais que o muro proporciona a quem os levanta.

Quanto aos poucos muros físicos que ainda resistem, não convém analisar ou julgar o lado intolerante que tenha dado motivo à barreira. A história, em detalhes, responde e justifica a ambos os lados. Convém a nós, ávidos por um frescor de esperança, falarmos não de muros, mas de pontes.

Em Israel, entre Jerusalém, conhecida como a “cidade da paz”, e Jericó, a cidade amaldiçoada pelo profeta Josué, localiza-se um vale que por suas condições geográficas, na época de Cristo se tornou um local preferido de bandidos de toda a sorte. A travessia desse vale poderia significar perigo de vida, assim como ocorre na atualidade com os moradores de países que tentam atravessar os muros que os separam.

Há uma história milenar que ilustra como um indivíduo limitado por muros injustos pode transformá-los em pontes. Um homem, possivelmente judeu, é atacado por bandidos ao atravessar de Jerusalém a Jericó, e é deixado quase à morte naquele vale, sendo, contudo socorrido justamente por quem mais sofria restrições. Um samaritano.

Judeus odiavam os samaritanos por motivos raciais, pois estes eram judeus que se misturaram a outros povos pelo casamento, daí a razão da discriminação veemente que não lhes permitia nem mesmo participarem dos cultos no templo. A história conta que pelo caminho vinham também um sacerdote e depois um levita, notórios conhecedores da Torá, que passaram pelo homem, contudo sem o socorrer.

O samaritano, mesmo sendo alguém marcado pelas injustiças que os muros raciais o imprimiam, podendo assim reagir com rancor, não hesitou em ajudar o ferido. Ao invés de levantar mais muros que separam, construiu uma ponte naquele vale de morte, indo além de suas razões e convicções pessoais; moveu-se pela compreensão da fraqueza alheia que necessitava de sua ajuda.

Feliz Sábado.

Sadi – Um Peregrino da Palavra

Sady Folch# Construções

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