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Encruzilhadas

Lembro o dia em que estava a trabalho em uma cidade extremamente quente, com ainda duas ou três horas para meu voo de volta. O calor desaconselhava andar pela cidade, meu passatempo preferido quando estou em um lugar desconhecido, então o jeito foi zapear pela TV do hotel, que tinha poucos canais. Achei um filme de aventura, desses em que se gasta milhões de dólares e que eu não assistiria nem por decreto em condições normais, e fiquei ali assistindo. Depois de terminado, arrumando minhas coisas para sair, além de ter a sensação de perda total de tempo, fiquei me perguntando o quê no filme parecia tão deslocado. Claro, o roteiro era absurdo, cheio de furos, de personagens inúteis, mal dirigido, com um final bobo, mas havia alguma outra coisa. Ah, sim. Localizei a fonte de meu estranhamento: a heroína, nas piores situações, estava sempre com uma expressão de que sabia exatamente o que fazer. E sempre fazia a coisa certa, na hora certa, do jeito certo e sem desarrumar o cabelo. Impressionante.

Mais que todo o besteirol, é uma personagem assim que soa profundamente inverossímil. Não pelo cabelo, mas por ser senhora absoluta de todas as situações, mesmo as mais inusitadas. Porque
nós, seres humanos, não somos assim. Volta e meia nos vemos em impasses desconcertantes de dois tipos, basicamente. Podem ser encruzilhadas quanto a que caminho seguir na vida, grandes decisões que precisam ser tomadas e que, por desconhecermos o futuro ou o que envolve exatamente cada tomada de rumo, nos deixam angustiados. Podem, também, ser decisões que tenham repercussão
espiritual. Situações em que não conseguimos ter certeza de estar agindo certo.

Existem, de fato, ocasiões para as quais não fomos treinados. Por medo delas é que se perde tanto tempo discutindo em igrejas trivialidades. As pessoas querem um claro “isso pode” e “isso não
pode” na esperança de jamais se encontrarem no tal impasse moral. Participei um curto tempo de um grupo de discussão na internet que congregava pessoas de diversas confissões religiosas e me enfadei com uma discussão interminável sobre se as mulheres podiam cortar o cabelo e, se não, se podiam cortar ao menos as pontas. A coisa parecia ter reflexos morais sérios para os envolvidos na discussão.

Você pode não ter problema algum quanto a isso, mas chega um momento em que você realmente não sabe como proceder. Mostrar solidariedade a um amigo solitário indo a sua festa de aniversário apesar de ser no dia santo? Obedecer quando alguém lhe pede para dizer ao telefone que ele não está? Emprestar dinheiro? Sei lá, existem milhares de situações como esta.

E é por causa delas que Deus registra mais uma fantástica promessa em Sua palavra: “Os teus ouvidos ouvirão a voz do que está por detrás de ti, dizendo: Este é o caminho, andai nele” (Isa.30:21). Faça a prova. Na próxima encruzilhada da sua vida, feche os olhos e dedique-se a ouvir a voz de Deus.

Marco Aurélio BrasilEncruzilhadas

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