-

Entre os mortos

Lucas 8:1 diz que Jesus andava de cidade em cidade e de aldeia em aldeia. No mesmo capítulo vemos que chegou a vez de Gadara. O comitê de recepção da cidade para Jesus e seus discípulos foi um (ou dois, conforme Mateus) endemoninhado que vivia num estado deplorável. Nu, vivia no cemitério da cidade “clamando” por entre os túmulos e se ferindo.

Ao restituir aquele homem a uma condição de dignidade, Jesus ganhou a inimizade dos gadarenos. Eles sofreram um prejuízo econômico com a destruição de uma manada de porcos para onde os demônios que atormentavam aquele homem se transferiram; então, eles preferiram continuar com seus doentes e aflitos, mas com seus rebanhos intactos, a ter Jesus ali por mais tempo.

Na sequência acontece o único episódio de que me lembro em que Jesus diz “não” a alguém que quer segui-lO. Aquele homem, curado, restituído à razão e cheio de gratidão, quer continuar seguindo Jesus, mas Jesus ordena que continue ali. O nome disso é graça. Os gadarenos não queriam mais Jesus, mas Jesus continuava querendo os gadarenos. Ele deixou no meio deles um lembrete eloquente do que acontece quando Ele entra em um lugar: libertação e cura, coisas melhores do que porcos.

Com quem você seria capaz de se identificar nessa história? Com os criadores de porcos? Com os discípulos indignados com o tratamento que recebem dos gadarenos? Deixe-me dar uma outra sugestão: que tal o endemoninhado?

Quando estamos longe de Jesus também andamos nus, porque a nossa justiça própria é “como trapos de imundícia” (Isaías 64:6). Quando estamos longe de Jesus nós também andamos entre os mortos, preferimos estar com os mortos espirituais, aqueles que “têm fama de que vivem mas estão mortos” (Apocalipse 3:1). Para estes, Jesus diz “deixe que os mortos enterrem seus mortos” (Lucas 9:60). Quando estamos distantes dEle, nós nos ferimos sem perceber, nos machucamos, nos fustigamos, nos vilipendiamos e diminuímos a uma situação de degradação – e o triste disso é que muitas vezes em nossa ignorância e cegueira chegamos a nos orgulhar desse estado. Somos loucos, dementes, e não percebemos.

Talvez haja, perto de você, alguém que estava nessa situação mas não está mais. Saiba que ele é um lembrete de Jesus a respeito do tipo de sonho que tem a seu respeito. Saiba que ele é uma pergunta ambulante para você: “e aí? O que realmente vale a pena neste mundo? Seus porcos ou a presença de Jesus?”

Marco Aurélio BrasilEntre os mortos

Artigos Relacionados