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# Escreva a sua história

pergaminhoNestes dias escrevi um texto meditando na palavra do Eterno e um amigo comentou seu desejo de ser um discípulo de Cristo que pudesse se expressar tal qual a meditação que estava diante dele, crendo ser ainda alguém limitado por não o fazer igualmente. Qual foi a minha resposta senão o que seria do discípulo se a conversão se medisse tão somente pelas frases que saiba formar.

É certo que as escrituras nos revelam o poder de Deus. Se a lemos atentamente, alcançamos conhecimento diferenciado do discurso pronunciado pelo mundo. Isso nos faz vivenciar um conforto como nada é capaz de oferecer, afinal, limitados em diversos sentidos que se perdem no também limitado regramento social, no momento em que nos deparamos com a força das escrituras, mudamos o discurso.

É bem verdade que nem todos a compreendem dessa forma, entregando suas vidas a outros caminhos, sejam eles espirituais ou simplesmente morais. Claro, há os que nem a isso se prestem, tornando-se pessoas que parecem viver para contrariar ou contestar escolhas alheias. A estes últimos, a misericórdia e o perdão, pois o desequilíbrio pode também se mover por belos discursos.

O fato é que não basta apenas conhecer o poder que há na palavra de Deus e os conceitos que o abalizam, apoderando-se dele para tornar o discurso forte e repleto de verdades que traduzam a conversão. Isso pode se transformar em instrumento para o ego. O testemunho de ações, sim, é o único caminho que pode comprovar a conversão, pois é pela exata compreensão da palavra que alcançamos rumo ao comportamento que importa.

A transformação entregue à condução do espírito santo é a única certeza que nos revela honestos no Caminho das escrituras. Pedro, por exemplo, vivenciou o dia a dia de Cristo e dizia amá-lo, defendendo-o o tempo todo, no entanto, suas palavras mais verdadeiras em determinado momento foram pronunciadas para negá-lo.

Somente quando ele se permitiu a transformação real é que obteve um discurso de fato consistente e alinhado à voz das escrituras. Vide suas cartas que o traduzem um discípulo diverso ao que em uma tarde negou ao Mestre. Diferentemente da transformação de apenas o discurso, pelo que o deseja forte, a conversão real testemunha a força do silêncio, da misericórdia, do perdão, do amor, do desapego, da anulação do ego.

Onde está a prática que nos conduz a parâmetros que nos equiparam perfeitamente a Cristo, como Paulo bem orientou deveríamos ser imitadores? O que importa se um ensina, se outro é profeta, ou o outro seja um líder se não for para a glória da obra a que dizemos estar sujeitos?

Importa que saibamos escrever testemunhos com perfeição por meio de ações alinhadas à essência da palavra, sobretudo cuidando o que vai ao coração e ao pensamento, pois a frase perfeita que nos interessa vivenciar um dia é aquela que discípulo algum, erudito ou não, é capaz de escrever a não ser por seu comportamento diante da obra: a que diz seu nome estar escrito no Livro da Vida.

Feliz sábado!

Sadi – Um Peregrino da Palavra

Sady Folch# Escreva a sua história

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