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Eternidade presente

“Há algo no olhar do homem que pertence à essência das coisas que não perecem”. Esta frase do “Abdias” de Cyro dos Anjos é, na verdade, apenas uma nova versão para Eclesiastes 3:11, que diz que Deus plantou no coração do homem “a ideia de eternidade”. Se tudo e todos morrem, se tudo se desfaz, se a entropia é a ordem do dia, de onde mais teria vindo esse anseio tão antinatural pela eternidade? Só ele explica meu dissabor ao olhar o espelho e detectar as marcas da decrepitude.

Eternidade é mesmo uma coisa intrigante. Por definição ela é mais do que a ausência de fim, é também a ausência de começo. A eternidade é todo-abrangente. Ela trata o tempo como uma criatura, como algo capaz de ser superado e subvertido.

Bem, ela é o meu destino. “E esta é a promessa que Ele nos fez: a vida eterna” (I Jo. 2:25). Mas é impossível tratar algo todo-abrangente como um destino a se alcançar. Se ela é apenas uma promessa a se cumprir no futuro, ela é algo que toma tudo o que foi também. Não, a eternidade já começou. Leio isso no comando do Mestre a orarmos “venha a nós o vosso reino” (Mat. 6:10). Isso significa dizer: que eu já viva aqui a eternidade, que eu seja já aqui um súdito na ordem perfeita do Céu, porque não faz sentido algum deixar para reconhecer o reino e a Quem ele pertence em algum momento no futuro. Não existe futuro. Na eternidade, tudo é agora e é agora que preciso vivê-la.

É que, para mergulhar de forma definitiva na Vida que Ele me comprou com Seu sangue, preciso dar as costas a meu fascínio pela morte. Preciso abdicar a tudo que não é reino, a tudo que o contradiz. Preciso ser coerente com quem se sabe herdeiro da eternidade.

Marco Aurélio BrasilEternidade presente

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