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Eu, ateu

Se o ateísmo é a negação de Deus, faz sentido dizer que nenhuma instituição humana promove mais o ateísmo do que a religião.

A religião que convence as pessoas de um deus não bíblico, um deus, por exemplo, com uma régua de perfeição e irado contra os que não atingiram a estatura exigida, está negando a Deus.

A religião que convence as pessoas da existência de um deus hedonista, que se alimenta do louvor de seus adoradores e não se importa com a teologia ou com a vida desses adoradores, está negando Deus. Mas a religião que prega um deus que exige uma teologia perfeita e se alegra nos dogmas faz o mesmo. Ou que prega um deus que gosta só dos que escolheram o conjunto certo de dogmas, que quer que esses iluminados vivam isolados, sem se contaminar com o mundo. Também.

A religião nega a Deus quando odeia o diferente, quando estabelece hierarquias calçadas no grau de santidade, quando vive para antagonizar e guerrear contra a carne e o sangue, em lugar de guerrear os principados e potestades.

A religião que prega um deus fraco, um deus impotente para transformar, para operar o querer e o efetuar, que prega um deus conformista, que prega a subsunção da religião aos novos valores da sociedade, a religião que se socorre mais da inteligência humana e menos da Palavra… está negando a Deus.

Ninguém promove mais a negação de Deus do que aqueles que falam em Seu nome. Que falam coisas que Ele jamais falou, que Ele jamais falaria, ou que enfatizam pontos distantes do coração do coração do evangelho.

Ateus, quero dizer que em certo ponto estou com vocês. Nesses deuses aí eu também não creio.

Deus que realmente existe, me socorra! Desvenda meus olhos para que eu O veja como de fato é, e viva de forma coerente com o Deus que eu conheço e adoro.

Marco Aurélio BrasilEu, ateu