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Julgamentos superficiais

Julgamentos superficiaisUma publicação na rede social mostra uma pessoa totalmente tatuada afirmando não entender, ainda que se vista adequadamente, por que não consegue empregos de direção apenas por ter optado em se tatuar. Compreendidas as razões de muitas empresas, mas, ao julgar alguém segundo o estereótipo, estamos diante de uma ideia classificatória preconcebida sobre ele, resultante de expectativa, hábitos de julgamento ou falsas generalizações.

Os inúmeros comentários na publicação são de opiniões no sentido de pena por aquela ser uma pessoa perdida, entre outros absurdos resultantes de julgamentos preconcebidos, realizados a partir do exterior tão somente. Engraçado é ler naquelas linhas as opiniões de cristãos de toda sorte que se esquecem de que grandes nomes bíblicos eram pessoas com pouca ou nenhuma classificação para as missões a que foram chamados por ninguém menos do que Aquele que conhece o coração das pessoas e não faz acepção das mesmas.

Eis o limite estabelecido no mundo dos homens e que não raro separa as pessoas pela cor da pele, pela música que ouvem, tatuagens que usem, religiões que professem, etc. Uma atitude proveniente de um tempo na sociedade em que os padrões externos foram estabelecidos e pouquíssimas eram as pessoas que se destoavam deles.

Se nos aprofundarmos um pouco mais nessa seara de juízos, pergunto quantas igrejas cristãs pelo mundo julgam e agridem pessoas por decisões que possam ter tomado no passado, condenando-as para sempre? Quantos de nós está disposto, por exemplo, a acolher nas igrejas, criminosos conhecidos que assassinaram seus pais na última década e se tornaram famosos na mídia policial? São comuns as situações de condenação eterna dessas pessoas por parte de nossos próprios irmãos de fé.

Incontáveis são os cristãos de diversas denominações que, por exemplo, fazem o pior juízo do povo judeu, tomando-os por sua postura política que aqui não vem ao caso, até por que não representa a opinião de todos eles. Tomam a parte pelo todo. Até hoje há quem afirme serem os judeus os algozes do Cristo. Absurdo maior, só mesmo pelo desconhecimento da fala do próprio filho de Deus.

Eu mesmo quando passei a frequentar os cultos na igreja adventista, ouvia amigos de outras denominações dizendo que eu estava entrando em uma seita. Um dia apresentei um livro a uma dessas pessoas e sem que ela soubesse que o autor é um adventista, pude ouvi-la afirmar que aquela era uma obra maravilhosa. Imagine sua surpresa quando eu lhe disse do autor e que aquela era também a linha de pensamento da igreja adventista.

Por que não ouvimos mais as pessoas, buscando conhecê-las melhor e às suas razões, acolhendo-as? Permaneça o amor fraternal, escreveu Paulo aos hebreus. Por ele, alguns, sem que soubessem, acolheram anjos.

Sadi – O Peregrino da Palavra

Sady FolchJulgamentos superficiais

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