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Maquinalmente

No meio dos preparativos para o natal, a senhora recebe uma ligação da filha, do outro lado do país. “Mãe, o Caio tá me perguntando uma coisa que eu não sei responder. Ele me viu cortando aquelas duas tiras dos lados do peru antes de levar ao forno, como eu sempre vi você fazer, e perguntou por que eu faço isso. Por que eu faço isso?” Desconcertada, a mulher responde: “Caramba, essa dúvida nunca me ocorreu. Sua vó está aqui, vou perguntar a ela. Mãe, a Isabela tá preparando um peru e quer saber porque eu sempre corto dos lados. Eu aprendi isso contigo, mas pra que serve isso? Realça o sabor, assa melhor…?” A moça ouve a voz indistinguível da vó ao fundo e então a risada de sua mãe. “O que foi que ela disse, mãe?” “Ela explicou que só fazia isso porque o peru não cabia no forno dela, que era muito estreito!”

Essa história, que li em algum lugar, me lembra uma profecia registrada por Isaías descrevendo o destino triste da nação que deveria ser o Seu povo na terra. Eles seriam pilhados, derrotados e espalhados pelo mundo e a razão, basicamente, era esta: “Este povo se aproxima de mim e com a sua boca e com os seus lábios me honra, mas o seu coração está longe de mim, e o seu temor para comigo consiste só em mandamentos de homens, que maquinalmente aprendeu” (29:13).

Tudo o que a mulher que passou anos cortando os lados do peru, sem nunca refletir a razão de ser disso, perdeu, foi alguns gramas de peru. Seu equivalente religioso, contudo, perdeu muito mais. Uma religião de repetição irrefletida, de reprodução dos valores e costumes dos antepassados sem qualquer atenção ao propósito e sem qualquer busca honesta na Bíblia da confirmação daquilo, deságua em destruição. Estou convicto de que a religião é responsável pelo melhor que há no homem, mas há certos tipos de religião que trazem à tona o pior, também. E não estou pensando em radicais islâmicos terroristas. Não é para eles advertências como a de Isaías, ou como a de Jesus: “Há três anos venho procurar fruto nesta figueira e não acho; podes cortá-la; para que está ela ainda ocupando inutilmente a terra?” (Luc. 13:7)

Marco Aurélio BrasilMaquinalmente

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