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# Maturidade

Nestes mesmos dias de maio, há exato um ano, a OAB/SP realizava o primeiro congresso internacional sobre liberdade religiosa e contou com a participação de ninguém menos que Ganoupe Diop, diretor do Centro de Estudos Religiosos da Igreja Adventista, e representante da Comissão de Direitos Humanos da ONU. Nesta semana o evento se repetiu na casa dos advogados paulistas.

O tema, atualíssimo nestes tempos, destaca os direitos humanos e os fundamentais como a base para o encontro. Em nosso país, ainda que a Constituição Federal garanta direitos fundamentais como liberdade de expressão, de crença, de realização de culto entre outros, não há dúvida que as pessoas ainda precisam aprender a pensar sua convivência e em tudo que se refira ao respeito inviolável a eles, levando-se em conta os limites a que estejam sujeitos os direitos de cada um.

Perceba o exemplo do desrespeito social. Televisão ligada e quando menos se espera, a personagem da novela do horário nobre, de posse de uma serpente, assegura aos presentes não tenham medo do animal, pois, afinal, foi graças a ela que o casal no paraíso conheceu o sexo, do contrário estariam vivendo de tédio até os dias de hoje.

O exemplo, em si, por se tratar de Brasil, não relata a falta de liberdade religiosa, mas o desrespeito às crenças religiosas. No momento em que por um discurso, um texto ou um programa, o ateu ou o ímpio, como queira, ou mesmo um sacerdote desrespeite crença alheia, ele não se restringe a zombar tão somente dos conceitos morais e padrões éticos que, diga-se de passagem, são os responsáveis pelo tecido do respeito social que ele mesmo exige para si, mas, sobretudo atinge a relação existencial de religação do ser humano com o sagrado. E, por esse motivo, em especial pela seara cristã, saiba o homem do que diz a escritura: “Não se deixem enganar: de Deus não se zomba”.

Em se tratando de liberdade religiosa, o Brasil tem testemunhos ímpares. Não muito tempo atrás, sentenças judiciais determinaram a quantidade permitida de decibéis produzidos pelos cultos em áreas residenciais. A primeira reação foi achar que o vizinho ao templo ao não aceitar ouvir a pregação estaria revestido pelo espírito do mundo. Da mesma forma, é comum ouvir membros de diversas igrejas e crenças atribuindo uns aos outros ofensas sem fim. Ora, convenhamos, seja antes, o seu testemunho de amor, a sua oração, o poder maior de transformação para o homem que não conheça a Deus.

O país não sofre com restrições como em países muçulmanos que proíbem cultos cristãos, entre tanto outros exemplos, contudo, presenciamos como na última semana, um juiz de direito declarar em sua sentença que determinado culto não se trata de religião por não cumprir os requisitos básicos que a conceituem como tal. O absurdo foi tamanho que a reconsideração da decisão judicial veio a reboque. Caso o magistrado não o tivesse feito, certamente uma corte superior o teria.

A liberdade de se pregar o evangelho nas praças, de ver respeitada a guarda do sábado, enfim, é a mesma que garante alguém realizar suas procissões ou cumprir seus rituais religiosos. Somente o contesta quem não tenha o discernimento espiritual necessário para a convivência pacífica entre os povos. Ainda assim, julgá-los é uma tolice. Orar por eles é maturidade espiritual.

Um pastor ou quem louve ao Senhor com músicas, não visita outra denominação e chegando lá diz aos presentes que eles não obterão a salvação por não observarem determinado mandamento. Se a revelação das escrituras encontrou solo fértil em seu coração, excelente. Se as observações são díspares nas diversas denominações cristãs, apenas trate de constatar isso para si mesmo, e dentro de sua comunidade, se isso for produtivo a vocês.

Afinal, quem nunca ouviu um sacerdote afirmar que não se diz que apenas determinada denominação haverá de se salvar, sendo que é sabido em tantas outras conterem pessoas de fé inabalável, amor incondicional ao próximo, vida santificada e dependência total ao Eterno. A quem compete julgar é o Senhor, que o cumprirá na segunda volta de Cristo, conforme acreditamos.

Aquele que está maduro em sua fé, pela experiência real que tenha com o Eterno, seja dando graças em meio à tribulação, seja louvando a Deus por alguma alegria, enfim, mantendo viva a sua religação com Deus, esse não se abala com as escolhas alheias de adoração. Antes as respeita. Se quiserem lhe ouvir, ele falará de sua fé e revelará o caminho, a verdade e a vida.

O SENHOR sobre ti levante o seu rosto e te dê a paz.

Sadi – Um Peregrino da Palavra

Sady Folch# Maturidade

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