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O que Deus quer pra sua vida? (2a parte)

Na última terça-feira voicepassada falei da difícil tarefa de ouvir a voz de Deus em um mundo cada vez mais repleto de vozes, de conhecer a vontade dEle em meio à gigantesca cacofonia de vontades e caminhos a seguir. Citei alguns autores, como Morris Venden e seus oito passos, e F. B. Meyer, que falou do encontro de três fatores: os textos claros da Bíblia, as impressões gerais que ela provoca e as circunstâncias. Acho que isso tudo pode ter ajudado, mas a verdade é que não existe fórmula 100% concreta, objetiva e eficaz para conhecer a vontade de Deus. Nem poderia ser diferente, quando um dos elementos que mencionei é algo tão subjetivo quanto “as impressões gerais que a Bíblia provoca”.

Bem, não seria mesmo um textinho de três ou quatro parágrafos que colocaria um fim nessa conversa, mas minha intenção não é nem nunca foi ser definitivo sobre nada do que escrevo aqui. Ainda assim, podemos refletir um pouco para avançar em conhecimento e orar para que esse conhecimento se transforme em confiança, perseverança e esperança, aquelas coisinhas que nos estão prometidas na Bíblia.
Em Christilike, Bill Hull cita o sempre profundo Dallas Willard, que apresentou três características da voz de Deus. Quem sabe com elas nós não sejamos um pouco mais capazes de distinguir a voz dEle das outras todas?
A primeira característica é sua qualidade. Segundo Willard, a voz de Deus é sempre autoritária. Ela foi assim com Jonas, com Abraão, com Adão, com Caim, com Moisés e com Filipe. Por que será que justamente com você ela viria na forma de uma argumentação, como se Deus estivesse negociando com o seu subconsciente? A voz de Deus não fica pesando prós e contras, ela simplesmente ordena andar em uma direção.
O segundo elemento é o espírito da voz. A voz de Deus vem no espírito de Jesus, e o espírito de Jesus nunca vai menosprezar, diminuir ou ofender você. Você não presta, você não faz nada certo e você não tem jeito mesmo são frases tipicamente humanas. Jesus Cristo foi a perfeita expressão da voz de Deus. Autoridade, sim, mas com amor.
O terceiro elemento é o conteúdo da voz. A voz de Deus jamais contradiz os princípios gerais de Sua palavra. Ele não vai resolver suspender o princípio do amor incondicional e universal especificamente com você. Ele não vai querer que justamente com você o mandamento do perdão seja inaplicável ou que o princípio da mordomia, inclusive sobre sua saúde, ou ainda o princípio de evitar o jugo desigual simplesmente não façam efeito – e estes foram apenas alguns exemplos. Esqueça, essa voz não é de Deus. A voz de Deus também não vai desdizer a assertiva cristalinamente clara de que “no mundo tereis aflições”. Um quadro de felicidade utópica não poderia, portanto, estar sendo pintado por Deus ao apontar um caminho em sua vida.
Quando você reunir tudo isso num caldo só, vá em frente. Não permita que impressões, pensamentos ou medos repentinos tirem você do seu objetivo, eles não vêm de Deus, vêm do inimigo. Pise firme e regozije-se na certeza mais fantástica que pode haver: Deus tem um plano para você. Deus tem um sonho a seu respeito.
Marco Aurélio BrasilO que Deus quer pra sua vida? (2a parte)