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Pão

Ele curava qualquer enfermidade com um simples toque, uma palavra Sua, ou mesmo um olhar, e falava coisas eternas com autoridade, diferentemente dos líderes espirituais da época. Sua fama corria rápido e o resultado era uma multidão ao Seu redor.

Em S. João 6 vemos um momento desses. Aquela enorme multidão, de mais de cinco mil homens, afora mulheres e crianças, em torno dEle o dia todo, sem arredar o pé. Acontecia então o que hoje mesmo acontece: quem vai a Jesus não quer saber de deixá-lO; quem se achega dEle sofre com a ideia de sair de Sua presença.

2Naquele momento aconteceu a multiplicação dos pães. Todos foram alimentados de forma miraculosa a partir de apenas cinco pães e dos peixinhos que um garoto havia levado e que Jesus, orando, começou a partir e partir e partir, sem a comida nunca acabar. Foi tanta comida que Jesus pediu que recolhessem o que sobrou e só a sobra encheu doze cestos.

O que temos então? Uma multidão que havia saído a ver um homem capaz de curar enfermidades, que falava com autoridade e agora percebiam que Ele era poderoso para resolver o problema da fome também! Os discípulos andando por entre a massa excitada foram contaminados pelo sentimento do povo: era mais do que hora de fazer Jesus rei.

Engraçado querer fazer o Rei se tornar rei. É que eles tinham essa visão tacanha de reinado, não entendiam que o reino de Jesus estava entre eles, e dizia respeito à eternidade e não a uma coroa de ouro mal fundido.

Jesus teve de obrigar Seus discípulos, os cabeças do “levante” às avessas, a entrar no barquinho e irem embora. Ele ficou atrás, dispersando a multidão, e, depois do último haver ido embora, pôs-Se a orar.

Imaginamos que os discípulos, frustrados com a atitude de Jesus, devem ter remado naquele fim de tarde se perguntando se Ele era mesmo o Messias. Se era, por que razão relutava em assumir a posição de chefe da rebelião contra Roma? Por que insistia naquele lenga-lenga de curar os pobres, alimentar os pobres, ensinar os pobres? Por que não partia logo pras cabeças?

Sua descrença chegou ao ponto de, já noite alta, ao verem Jesus andando sobre as águas pensaram que era um fantasma. Um fantasma! Uma crendice tola pegou aqueles que haviam pouco presenciaram um milagre fantástico.

Que paciência tinha Jesus! No dia seguinte, alguns que tinham comido do pão multiplicado o encontraram do outro lado do mar da Galileia e lhe perguntaram como Ele havia chegado ali. Jesus gostava de ir direto ao ponto e disse algo como: vocês estão me procurando não por causa do sinal, mas por causa do pão que comeram.

Eles não gostaram da resposta e mais à frente chegaram ao cúmulo de pedir um sinal dEle, mostrando que era mesmo o Messias.

Jesus faz então um longo discurso mostrando que Ele era o pão da vida, o pão que realmente sacia, que deveria ser degustado dia após dia para que tivessem paz, segurança e esperança para a vida eterna. Ele tentou mostrar que era isso o que realmente interessava, mas o público, sequioso de pão de verdade e de ver o sangue romano regando o solo da Palestina, odiou ouvir esse papo espiritualizado demais e deixou Jesus.

Em suma, o milagre que o povo havia interpretado como sendo a solução para o problema do plantar-cuidar-colher-debulhar-preparar-comer era, em verdade, uma lição de dependência espiritual dEle, Jesus, que lhes daria o que realmente importava. O que realmente importava.

Ellen White comentou: “Há uma lição para nós nestas palavras que Cristo proferiu após ter alimentado os cinco mil. Disse Ele: `Recolhei os pedaços que sobraram, para que nada se perca’. João 6:12. Essas palavras significavam mais do que o ato de os discípulos juntarem restos de pão dentro das cestas. Jesus queria dizer que eles deveriam atentar para Suas palavras, estudar as Escrituras e entesourar todo raio de luz. Em vez de buscar o conhecimento de algo que Deus não havia revelado, deviam cuidadosamente recolher o que Ele lhes dera.”

Aí eu penso: o que eu faço com o Pão da vida que recebo? Eu o distorço e amoldo a minhas ideias de reino? Eu descreio se na minha vida não acontece o que eu achava que seria melhor? Passo a acreditar em fantasmas? Ou pego um pouco do Pão, mastigo um pouco, e desperdiço todo o resto?

Você sabe o que eu quero dizer.

Marco Aurélio BrasilPão

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