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Realidade humana e religião

Realidade humana e religiãoHá um debate em vídeo em que um pastor, um chefe de uma comunidade católica, um ateu e uma agnóstica se reuniram em torno de um filósofo para falar sobre Deus. O tema, à primeira vista, parece tratar da crença ou não na existência do Criador. Contudo, o curso do debate clarifica outras reflexões, quais sejam a extensão da tolerância religiosa e a compreensão do homem quanto à sabedoria de Deus, oculta em mistério.

O ateu, ao se apresentar diz ao final que não crê em Deus afirmando simplesmente “não ter nada”, expressão em si que confesso, causou-me algum impacto. Perguntado se sempre foi ateu, ele responde que foi um “processo de crescimento”. Outra resposta no mínimo intrigante.

Indagados se toda religião é válida, se toda religião está certa, o chefe da comunidade católica responde que talvez não seja a questão do certo ou do errado se partirmos do ponto de vista da família humana. Entretanto, o filósofo ao lhe perguntar sobre a aceitação de um familiar decidir se casar em uma sinagoga, a resposta surge negativa, demonstrando haver uma tolerância nas escolhas de cultos alheios, contudo uma ausência de respeito no sentido de ter em consideração dentro de seu espaço.

Assim, seguimos “brincando de relativistas apenas para evitar as discussões”, reafirma o filósofo. Nesse momento o pastor opina sobre o assunto e diz não haver espaço para o relativismo, bastando-lhe dizer que não compreende um padre realizar cultos na Bahia em comunhão com pais de santo, afinal, as escrituras são claras ao demonstrar que nesse contexto há lógicas em choque. Conclui afirmando não haver o respeito no sentido de deferência à união de conceitos tão diversos.

A agnóstica, por sua vez, explica que sua crença passa por um método de vida pelo qual é através da meditação que ela alcança a possibilidade de se conhecer melhor e dessa forma se equilibrar, expandindo o resultado por suas ações, que acabam por beneficiar vidas em seu entorno.

Conscientes que somos de a realidade de Deus não se afetar pela sabedoria do mundo, sabemos que é preciso muito mais do que um debate como esse para compreender o que forma a mente de um homem crente ou não na existência divina, sobretudo porque cada um tem uma história particular que o conduz e a misericórdia de Deus está disposta a todos. Basta lembrar o que escreveu Paulo aos Romanos dizendo que aquilo que o povo judeu recebeu e buscou, não encontrou. Não que tenha caído, mas beneficiou o gentio ao ser enxertado na oliveira.

De outra feita, pela lavra de Paulo aos Coríntios, pergunto: quem conhece a mente do Senhor? Que a resposta seja direta. O espiritual discerne a tudo e a ele ninguém pode discernir, a não ser mediante a mente de Cristo, pois, como bem escreveu: “Ó profundidade da riqueza da sabedoria e do conhecimento de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e inescrutáveis os seus caminhos! Pois dEle, por Ele e para Ele são todas as coisas”. Amém!

Sadi – O Peregrino da Palavra

Sady FolchRealidade humana e religião

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