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# Selados pelo Eterno

Aquele que leu o livro – Por quem os sinos dobram – de Ernest Hemingway, ou somente tenha assistido ao filme, testemunhou o relato apaixonado do autor ao construir personagens que traduzem a condição humana diante da guerra. O título do livro faz referência a um poema do pastor inglês, John Donne, que viveu no século XVI.

“Por quem os sinos dobram?” – é a pergunta na parte final do filme, extraída do poema que também fornece a resposta, dizendo: “Nenhum homem é uma ilha, sozinho em si mesmo; cada homem é parte do continente, parte do todo …a morte de qualquer homem me diminui, porque eu sou parte da humanidade; e por isso, nunca procure saber por quem os sinos dobram, eles dobram por ti”

O poeta renascentista, que também era um pastor, afirma com isso que todos somos ligados uns aos outros, e que a perda egoísta de um ser humano é a nossa própria morte. Assim, a cada vez que os sinos dobram, a humanidade perde uma vida, e com ela, a chance de uma linda história. Os sinos são os sinais dessa mortalidade, por isso dobram por cada um de nós.

O que dizer quando nos deparamos com tantas almas que se perdem nesta jornada repleta de teologias em nome do Messias, e que mais se parece com uma guerra, enquanto as submete àqueles que, ao se dizerem possuidores do selo do Rei, distorcem a Palavra, o sentido real da vinda de Cristo, o motivo das bênçãos do Eterno testemunhadas pelo Antigo Testamento, criando sofismas que aniquilam.

Qualquer pessoa pode ter conhecimento e passa-lo como se conhecedor da autoridade divina o fosse, contudo apenas aquele que tem o selo real, pode de fato fazê-lo. Suas obras o revelarão. Tome o exemplo de Pedro em suas cartas. É outro homem quando comparado ao Pedro que tenta dissuadir o Messias, ao momento em que este está relatando o que lhe aconteceria. Ali Pedro é repreendido por Cristo, e até ao momento da ressurreição do Mestre, ele ainda não havia se deixado quebrantar, permitido a necessária morte interna.

Após repreendê-lo, Yeshua conclui dizendo que se alguém quisesse ir com ele, renunciasse a si mesmo, tomando sua cruz e o seguindo, pois aquele que desejasse salvar a sua vida – e aqui entenda apenas pelo prazer de viver – por certo a iria perder, pois não amaram a verdade, e portanto, não entrariam no reino, pois na sua volta receberiam segundo as obras. (Mateus 16).

Quantos sinos têm dobrado por almas perdidas sem viver essa verdade? Muitos, por aqueles que ouvem as teologias espalhadas a critério dos interesses pessoais, e as aceitam por também atenderem aos seus próprios interesses. Assim, o rebanho acaba por seguir pelo que recebe e não pelo que precisa ser transformado. Cristo mesmo afirmou que muitos o seguiam apenas pelo que comeram e os saciou, e não pelo alimento espiritual que só ele poderia dar, pois, para tanto, havia sido selado pelo Pai (João 6).

Paulo, que tinha o selo de seu apostolado na conversão dos fiéis, afirmou que fomos selados com o Espírito Santo da promessa. Portanto, que o nosso testemunho de conversão esteja alinhado com as palavras de Yeshua, tornando-nos odres novos, recebendo assim o selo, pois, do contrário o vinho novo que é a Palavra do Eterno, não poderá se conservar em nós e logo arrebentará o odre, e assim, os sinos continuarão a dobrar.

Bendito seja o nome do Senhor

Sadi – Um Peregrino da Palavra

Sady Folch# Selados pelo Eterno

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