Últimas Publicações

# Semeando a Palavra

Atualmente o que mais se vê nas exposições midiáticas sobre o evangelho são pregações em nome da verdade, por pessoas que se dizem discípulos ou sacerdotes de Cristo, entretanto ofendendo-se uns aos outros, acusando-se mutuamente por aquilo que entendam serem distorções de interpretação (muitas delas evidentes), ou ainda tratando-se com tal indiferença ou hipocrisia que chega a ser triste, para não se dizer, trágico.

Isto sem citar as ocasiões em que, por supostas defesas do evangelho em face de valores do mundo secular que a ele se apresentem dissonantes, o fazem de maneira agressiva, comportamento este mais desarmônico ainda. O certo é que as escrituras têm sido expostas sem qualquer expressão de sua essência, qual seja amor a Deus e ao próximo, vivenciados mediante a mansidão do coração.

Quanto à diversidade de doutrinas, é sabido, perfeitamente, muitas foram criadas a partir de textos bíblicos retirados de seu contexto e, por atenderem a conveniências humanas, ainda que sejam frutos de enganos a que foram submetidos por não as colocarem à prova diante da Palavra, o certo é que voltar atrás se tornou complicado. Daí em diante a natureza humana, nada espiritual, se convence que o melhor a fazer é continuar, ainda que exponha o evangelho ao ridículo, em meio a brigas e discussões doutrinárias, resultando no afastamento de pessoas que poderiam conhecê-lo em uma experiência real com Deus.

Em determinada ocasião, Paulo ao se dirigir aos cristãos na cidade de Corinto, advertiu-lhes estarem ainda se comportando como crianças, devido a tanta divisão doutrinária a que deixaram submeter-se, sendo impossível dar-lhes alimento espiritual sólido, pois estavam totalmente limitados na compreensão da essência do evangelho. Diziam os coríntios: “Eu sigo a Paulo”; e o outro: “Eu sigo a Apolo”; como se isso fosse credencial para alguma certeza de melhor doutrina. Razão pela qual o apóstolo perguntou a eles quem era Paulo (ele mesmo) ou Apolo, senão cooperadores de Deus. E sentenciou: “Eu plantei, Apolo regou, mas Deus é quem dá o crescimento”.

Oras, se um ser humano que por ventura busque ter comunhão com Cristo e ainda ignore determinadas verdades, quem pode as revelar em caso de incompreensão total senão o espírito de Deus? Ainda que o homem possa fazê-lo mediante estudos comprometidos com a verdade, deve se dirigir com amor, paciência, alegria, paz e bondade, pois estes são frutos do espírito, jamais mediante a agressividade das imposições.

Outro aspecto desta “guerra santa” é a contraposição dos valores humanos aos do evangelho da forma como tem se dado em meio à mídia, nas casas legislativas, tornando-se um ringue aos pés dos opositores, em nada acrescentando ao conhecimento da palavra de Deus, ao contrário, tornando pessoas que não a conhecem, detentoras de um ódio injusto para com o evangelho.

É certo que Cristo afirmou que o mundo odiaria aos que amam e vivem pelo evangelho, contudo, isto se daria em face de um comportamento cristão condizente à sua essência, e não mediante um comportamento humano que procura falar em nome do evangelho. Quando contraposto, Jesus revelava a verdade com sabedoria e retirava-se. A ninguém impunha nada. Buscava alcançar os corações mediante o amor. Apenas aos sacerdotes fariseus, cheios de si que eram, os chamou de hipócritas, contrapondo-os à verdade, mas, neste caso porque aqueles se diziam servos de Deus, justificada assim, a dureza da fala de Cristo.

A semente do evangelho é plantada nos corações pela pregação, e quem a faz crescer no entendimento é Deus, e não o homem discípulo ou sacerdote, por meio de suas imposições doutrinárias e ofensas pessoais; a estes, no máximo, se couber-lhes acrescentar algo, o será pelo bom testemunho, tão somente.

Shabbat Shalom!

Sadi – Um Peregrino da Palavra

 

Sady Folch# Semeando a Palavra

Artigos Relacionados