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Sob os holofotes

As bancas estão entupidas de publicações cujo único escopo é se ocupar da vida das “celebridades”. Se minhas leituras na sala de espera do dentista me ensinaram algo sobre essas revistas, é que costuma haver dois tipos básicos de matérias nelas: ensaios de fotos tiradas clandestinamente e capturando os tais famosos em situações prosaicas ou constrangedoras e matérias do tipo “fulano abre sua casa e diz que está vivendo a melhor fase de sua vida”, onde costumam desfilar bordões de auto-ajuda, lugares-comuns e o fotografado faz questão de parecer feliz, apaziguado e vitorioso. Muitas vezes o noticiário desmente tudo isso meses depois. Mas não importa. O que importa é parecer um vitorioso. E o padrão de “vitorioso” que o nosso tempo consagra é radicalmente oposto ao estampado no sermão do monte, com sua predileção pelos que choram, pelos que tem fome e sede de justiça, pelos apaziguadores, pelos mansos e pelos humildes. Não existem revistas para tratar das vidas desses.

Durante muito tempo a arte só se ocupou das celebridades, dos ricos e famosos. Não havia pinturas de gente humilde, apenas retratos de nobres e a literatura não tomava conhecimento das classes inferiores. Os sentimentos mais puros, as maiores virtudes, eram exclusividade dos vips. Nos raros momentos em que os protagonistas não eram da elite, como no arcadismo, as classes mais humildes eram retratadas de forma idealizada, maquiada. Portanto hoje é como sempre foi, o homem prefere se ocupar do que parece ser bom em detrimento do que é bom.

A Bíblia apresenta dois tipos de enfoque bastante didáticos. No Velho Testamento, quem predomina são os VIPs. Boa parte dos personagens ali é constituída de reis, generais, altos dignitários ou pessoas riquíssimas. A tônica do Velho Testamento, contudo, é de derrota. Dá para contar nos dedos os reis que acabam a história como legítimos vencedores, e isso porque o tipo de vitória que ele enfoca é segundo as lentes de Deus. No Novo Testamento, entretanto, a cena é dominada por pescadores incultos. O único nobre em posição destacada ali é Paulo, que, contudo, abriu mão das prerrogativas de seu alto nascimento e só então passa a ser protagonista nessa história. E, de novo porque a Bíblia apresenta a idéia divina de sucesso, essa gente humilde e pouco destacada é apresentada como triunfante, embora enfrentando mortes violentas na esmagadora maioria das vezes.

Deus quer deixar claro que as condições favoráveis deste mundo podem ser inimigas cruéis das condições favoráveis na eternidade e nos convida a enxergar as coisas como Ele enxerga. É preciso ter do colírio dEle para ver a beleza na humilde paz de uma família simples. É preciso ter da sabedoria dEle para reconhecer o caráter gigante do perseguido e humilhado que se mantém fiel e continua
sendo um multiplicador de amor. É preciso muito mais do que temos para enxergar as pessoas mais que meras cascas, mas o Senhor está dando, de graça, esse “muito mais”. Peça-o hoje.

Marco Aurélio BrasilSob os holofotes