Publicações com Discipulado

O Preço do Discipulado

Perguntado sobre o segredo do crescimento espiritual D. L Moody (1837-1899), célebre conferencista que levou aos pés de Cristo cerca de 500 mil pessoas, respondeu de modo bem simples: “Gaste 15 minutos por dia ‘falando com Deus’ em oração. Gaste 15 minutos por dia ‘ouvindo Deus falar a você’ por meio de Sua Palavra. Gaste 15 minutos por dia ‘falando a alguém acerca de Deus’ e você será um cristão em constante crescimento”.

O que não falta são pessoas dispostas a ser discípulos do Mestre dos Mestres e seguir Seus passos, mas, infelizmente, um grande número não está disposto a pagar o preço do Discipulado. Querem se tornar discípulos à sua própria maneira, se lhes fosse apresentada a “receita” acima provavelmente tirariam algum “ingrediente” da receita.

Cristo, a Palavra em pessoa que, no princípio de tudo, foi o Agente criador; que encarnou a forma humana e viveu entre nós (João 1:1-4, 10-12, 14), viveu uma vida de serviço, em momento algum, descuidou da comunhão com o Pai e, quando assaltado pelas mais terríveis tentações, se esquivou com um “Assim diz o Senhor”.  Muitos gostariam de ter o Seu poder, mas poucos estão dispostos a pagar o preço que Ele pagou, mesmo sendo Deus entre nós.

Quando Ele diz que, se quisermos ser Seus seguidores  devemos tomar nossa cruz e segui-Lo (Lucas 9:23) Ele não está a dizer que teremos que suportar algo, alguém ou uma situação em especial, mas está nos convidando a uma vida de entrega e dedicação aos princípios do Reino. É impossível ser um discípulo Seu, na verdadeira acepção do termo, se não estivermos dispostos a pagar o preço do discipulado.

Não existe fórmula mágica ou atalho a ser seguido para o Discipulado que não seja Comunhão, Oração e Testemunho. A pergunta feita a Isaías séculos atrás, “A quem eu enviarei?”, ecoa ainda hoje. Não permita que nada o impeça de cumprir seu papel de discípulo. Apenas responda ao Pai: “Vou eu, envia-me a mim”. Ele faz o convite, a entrega é decisão pessoal. Qual será sua resposta?

Gelson de Almeida Jr.O Preço do Discipulado
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Revolução

Se você não quer nenhuma mínima mudança em sua vida espiritual, se você quer só continuar fazendo mais do mesmo, tocando nesse ritmo aí, sem grandes crises ou confrontações, receio que não vá dar muita pelota para o que vou escrever, embora talvez você fosse o alvo preferencial destas linhas. Agora, se você sente que falta algo, se fica aquela sensação de que tem um quadro meio torto nessa parede, de que há algo mais por ser vivido no reino de Deus, então quero falar com você sobre a revolução.

Uma revolução está em curso. Melhor dizendo, muitas revoluções estão em curso. Só que pelo menos uma é boa.
Estou me referindo especificamente à revolução protagonizada pela visão que posso chamar genericamente de “discipulado”. A constatação de que Jesus Cristo nos chamou para sermos discípulos e de que a missão do discípulo é seguir os passos de Seu Mestre e cumprir a missão de fazer outros discípulos foi revolucionária em minha vida.
O discipulado provocou pelo menos quatro revoluções em mim, que vou tentar resumir ao máximo aqui:
1. Revolução na noção de evangelismo – se percebo que o método de disseminação do evangelho é relacional, como o relacionamento pessoal do Mestre com seus discípulos, começo a questionar a velha visão de evangelismo por profissionais, de apelo enquanto toca a música, de estudos bíblicos racionais dados à distância, sem envolvimento de quem está discipulando, de livros distribuídos por baixo da porta uma vez ao ano;
2. Revolução na noção do papel de cada um nisso tudo – o discipulado me lembra que a tarefa de fazer discípulos é de 100% da igreja, e não apenas de uns poucos vocacionados para a coisa. Todos os dons espirituais são dados com o mesmo objetivo, o de fazer discípulos. Não posso terceirizar a missão de me envolver com os perdidos, de me relacionar com eles e de apontar ao Salvador para eles;
3. Revolução na noção de sucesso evangelístico – os discípulos de Jesus foram batizados no começo do processo de discipulado. Três anos e meio caminhando com o Mestre dos mestres e eles ainda precisavam aprender coisas cruciais. A ideia de que o papel da igreja é batizar as pessoas e então relegá-las a sua própria sorte é anti-bíblico. A igreja foi comissionada a acompanhar essas pessoas para muito além do batismo, até a maturidade espiritual, quando elas estarão aptas a fazerem discípulos também;
4. Revolução no conceito de igreja – essa ordem de coisas me leva a repensar a forma como a igreja deve funcionar. Uma igreja centrada em programas, fechada em jargões herméticos, praticando uma música absolutamente incapaz de se comunicar com as pessoas em volta, que faz questão de usar uma roupa diferente da comunidade ao redor… essa igreja não está nem um pouco preocupada em cumprir a missão dada por Jesus de fazer discípulos. A igreja precisa ser o ambiente de celebração da salvação ao mesmo tempo que esteja aberta e receptiva a quem ainda não a integra.
Algumas revoluções são boas. E algumas são absolutamente necessárias. Viva a revolução!
Marco Aurélio BrasilRevolução
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Não basta dizer, tem que ser

Certa feita Gustave Doré (1832-1883), pintor francês, desenhista e profícuo ilustrador de livros do século XIX, perdeu seu passaporte e precisava atravessar a fronteira. Identificou-se ao guarda e explicou sua situação. Por mais que dissesse quem era e pedisse para atravessar a fronteira, o homem negava sua passagem. Num dado momento o homem pediu-lhe que provasse ser realmente Doré. Ele pediu um papel e um lápis e fez um desenho do local e seus arredores. Boquiaberto o guarda disse-lhe que passasse. Só Doré conseguiria fazer aquilo.

Vez por outra somos colocados em situações onde nossa identidade como cristãos é questionada. Muitas vezes, por mais que digamos quem somos, ficamos descreditados. Mas existe um modo seguro e eficaz de comprovar quem realmente somos: a prova prática da fé que abraçamos. Não basta dizer que somos cristãos, precisamos mostrar que realmente o somos. Falando a um grupo de fariseus, Cristo disse que muitos o honravam com os lábios, mas o seu coração estava longe dEle (Mateus 15:8).

Abraham Lincoln disse que podemos enganar uma pessoa durante muito tempo, algumas por algum tempo, mas não podemos enganar todas o tempo todo. Acrescento ainda que não podemos enganar o Eterno nunca. São de Cristo as palavras: “Nem todo aquele que se refere a mim como Senhor entrará no Reino dos Céus. A questão decisiva é se a pessoa faz a vontade do meu Pai que está nos céus” (Mateus 7:21 – BV).

O que nos salva é a fé em Cristo Jesus o nosso Senhor e Salvador. Mas se esta fé for morta, isto é, sem obras que a comprovem e sem a transformação do caráter e do ser como um todo, nunca poderemos nos declarar cristãos, muito menos esperar entrar de posse da eternidade. Afinal, não basta dizer. Temos que ser cristãos.

Gelson de Almeida Jr.Não basta dizer, tem que ser
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Você tem esse dom

Quando Jesus ordena Sua igreja a ir e fazer discípulos, a ordem é dada a 100% da igreja, e não a uma elite dotada sobrenaturalmente de poderes para fazer discípulos. A compreensão de que essa tarefa é de uns e não de outros talvez seja impulsionada por um entendimento errado da questão dos dons espirituais.

Só Paulo fala dos dons espirituais. Em Romanos, em I Coríntios e em Efésios ele exemplifica que dons seriam esses enumerando-os em listas certamente apenas exemplificativas. Digo certamente porque as listas são diferentes. Romanos, fala em profecia, serviço, ensino, encorajamento, generosidade, liderança e misericórdia (12:6-8). I Coríntios fala em sabedoria, conhecimento, fé, cura, milagres, discernimento, línguas e de novo profecia (12:8-10), enquanto Efésios fala em apostolado, profecia (de novo), evangelismo, pastorado e mestrado (4:11).

imagem: Columbia Crown & Cross

Olhando essas listas, é fácil perceber algumas coisas: 1. O dom que os cristãos em geral afirmam frequentemente que não existe mais é o único que aparece nas três listas – profecia (especialmente interessante se lembrarmos que em I Coríntios 1:7 Paulo afirma que nenhum dom faltaria à igreja até a volta de Jesus); 2. Alguns dons que nós supervalorizamos em alguns meios, como o da música, não aparece em nenhuma dessas listas; 3. O exemplo máximo de todos os dons listados nas três listas, à exceção apenas do também supervalorizado dom de línguas, é o próprio Jesus Cristo.
O ministério de Jesus foi dedicado preponderantemente à formação de discípulos. Ele os tinha sempre perto de Si, Ele discutia com eles os acontecimentos do dia, Ele passava tempo explicando a eles Sua ética e teologia superiores. Ele faz isso em grande parte porque sabe que vai estar pouco tempo visível nesta Terra; logo vai estar no Céu desempenhando outra fase do processo de salvação do homem, mas ainda vai haver muita, muita gente, gente de toda nação, tribo, língua e povo para ser discipulada. Então Ele envia o Espírito e o Espírito divide os dons que Ele tinha todos entre cada membro da igreja, para que a igreja em ação seja a exata expressão do que Ele foi. E para que discípulos sejam feitos.
A doutrina dos dons espirituais nos ensina que todo cristão convertido tem pelo menos um dom espiritual. E o comando é para cada cristão convertido se engajar na tarefa de fazer discípulos. Mesmo ainda cheios de falhas. Mesmo com uma teologia míope. Mesmo sendo ainda quem somos e não quem haveremos de ser. Porque é discipulando que somos transformados no que haveremos de ser.
Como uma empresa que tem múltiplos departamentos fazendo coisas completamente diferentes mas com um fim comum, a igreja existe para fazer discípulos com suas múltiplas frentes de ação. E Jesus Cristo convida você hoje a se engajar nessa tarefa.
Marco Aurélio BrasilVocê tem esse dom
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Viva a Vida

“Viver é a coisa mais rara do mundo, já que a maioria das pessoas se limita a sobreviver” dizia Oscar Wilde com sua habitual espirituosidade. Eis aí uma grande verdade, embora o conceito que ele tinha de “viver” não tenha nada a ver com a ideia que eu faço do assunto.

Na verdade, não é apenas quanto ao que seja vida que os conceitos das pessoas diferem brutalmente. Poderia dizer o mesmo dum monte de coisas, como liberdade, por exemplo. Ora, a despeito de Jesus ser uma pessoa universalmente admirada, Seus conceitos a respeito dessas coisas não gozam de muita popularidade. Quer ver? Por mais que Ele diga: “conhecereis a verdade e a verdade vos libertará” (João 8:32), atrelando, pois, a ideia de liberdade ao conhecimento da verdade, o mundo idolatra a liberdade do “é proibido proibir”, do “faça o que tu queres pois é tudo da lei”, do “cada um cada um”. A despeito de a Bíblia afirmar que devemos proceder como quem será julgado pela “lei da liberdade”, qualquer lei nos cheira a cerceamento da dita cuja. E por mais que Jesus Cristo diga, continuando o texto supra citado “Eu sou o caminho, a verdade e a vida…, viver de fato para a esmagadora maioria das pessoas não envolve a pessoa dEle necessariamente, ou envolve mas muito distantemente, muito perifericamente. Viver seria sexo livre em profusão, ou dinheiro a rodo, ou poder, ou fama ou todas as alternativas ao mesmo tempo. Não Cristo, isso não. Isso não se parece com vida!

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Na contramão e sorrindo

Imagina só se o cidadão que pasta pra levar o pão nosso de cada dia pra mesa da família, espremido nos ônibus da vida, imagina só se esse cabra está, de fato, vivendo. Nunca! Impossível!

Como fez com o conceito de pecado (Mateus 5), contudo, Cristo mostra que vida e liberdade são coisas que se encontram muito abaixo da epiderme, atrás da testa, algo nada superficial mas interiorizado, não tão aparente. Logo, o cidadão mencionado acima pode muito bem ter vida, e vida em abundância e o observador desatento não o sabe!

Oras, cada um pensa conforme o que vê e ouve, conforme as experiências de vida que teve. Falta a algumas pessoas a evidência em contrário, a evidência de que vida pode ser algo diferente, porque os que conhecem a vida e a liberdade não se orgulham dela.

Jesus deu Sua última ordem aos que O seguem: “ide e pregai o evangelho“. Ele queria, portanto, que cada um de nós fosse, saísse do lugar. Não disse: convidem para que as pessoas venham à igreja ouvir o evangelho! É preciso a evidência pulsando ao lado de cada um para que ninguém tenha a desculpa de não saber o que realmente seja ter vida em abundância, o que realmente significa ser livre!

É preciso que você viva a liberdade e a vida aonde as pessoas que alimentam outras ideias a respeito dessas coisas estão. Quem jamais abriu a Bíblia precisa ler seus princípios fundamentais no seu sorriso, na sua prestatividade, no seu desprendimento, na sua não-cobiça, não-orgulho, não-egoísmo. Nas suas atitudes e nas suas omissões eles precisam ver Cristo, ver a sua vida como uma carta viva dEle, explicando as coisas, colocando os pingos nos is.

Se você se sente remando na contramão por ter um conceito diferente da maioria sobre vida, liberdade e outras coisas mais, pense que isso é uma responsabilidade que Cristo lhe confiou e alegre-se! Nas coisas de Deus, grandes responsabilidades representam concomitantemente grandes, enormes alegrias!

Se você se sente remando junto com a corrente, contudo, abra os olhos e procure uma dessas cartas vivas e permita que Cristo expresse Suas idéias. O resultado disso, amigo, há de ser certamente VIDA e LIBERDADE.

Marco Aurélio BrasilViva a Vida
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Ah, se todos fossem iguais a mim!

Ah, se todos fossem iguais a mim… o mundo não teria, provavelmente, qualquer dispositivo tecnológico, porque não teria matemáticos, físicos, engenheiros ou qualquer coisa aproximada. Não haveria médicos, enfermeiros nem dentistas. Não haveria bateristas e a quantidade de gêneros musicais no mundo seria radicalmente menor – pagode, sertanejo e axé teriam pouca probabilidade de existir. Não haveria velocistas e o futebol seria certamente algo bem desagradável de se ver. Os filmes provavelmente tivessem bons roteiros, mas teriam péssimos atores, iluminadores, maquiadores e absolutamente nenhum efeito especial.

Se todos fossem iguais a mim, o mundo seria melhor em alguns aspectos, mas terrivelmente chato e desagradável em muitos outros. O problema é que, em geral, eu quero que todos sejam iguais a mim. Aumento o volume do som para que os outros escutem a música que estou escutando, tento inocular nos outros o gosto pelos programas de TV de que gosto. Também ajo, muitas vezes, como se quisesse que todos tenham a minha religião – e, quando digo “minha”, me refiro à forma como eu a encaro e como eu a vivo.

Parece que não é um problema exclusivo meu. Até Paulo escorregou nessa tentação quando, perante o rei Agripa, disse: “Prouvera a Deus que, ou por pouco ou por muito, não somente tu, mas também todos quantos hoje me ouvem, se tornassem tais qual eu sou, menos estas cadeias” (Atos 26:29).
cropped-barbieQuerer fazer o outro se tornar um clone seu é ignorar a inestimável riqueza que há nele.

Mas então o que estou dizendo? Não deveríamos pregar? Não deveríamos tentar mudar o que está errado? Bem, isso seria contrariar a ordem expressa de Cristo: “Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo” (Mateus 28:29). O ponto é: devemos ir e fazer discípulos dEle, de Jesus, não nossos. Precisamos lutar para que os outros (e nós mesmos pra começar) sejamos iguais a Jesus, e não fazer discípulos a nossa própria imagem e semelhança.

Porque se todos forem iguais a Ele não haverá nada de chato, aborrecido ou desagradável. Seremos seres humanos plenos.

Marco Aurélio BrasilAh, se todos fossem iguais a mim!
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Multidão ou Discípulo

Vendo as multidões, Jesus subiu ao monte e se assentou. Seus discípulos aproximaram-se dele, e ele começou a ensiná-los, dizendo:” (Mateus 5:1 e 2).


 

Provavelmente você conhece o “sermão da montanha” (Mateus 5), proferido por Cristo no início de Seu ministério terrestre, considerado o maior e mais profundo conjunto de ensinamentos proferidos por Ele enquanto aqui esteve. Mateus afirma que  havia uma multidão, mas que o Mestre começou a falar assim que Seus discípulos se aproximaram dEle. Fica claro que os princípios expostos no sermão eram, a princípio, para os discípulos, não para a multidão. Por quê o sermão era para os discípulos e não para a multidão?

Uma análise atenta nos evangelhos mostra que sempre havia uma multidão perto do Mestre, inclusive em Seu julgamento, quando ela pediu Sua crucifixão. O termo multidão se aplica ao grande contingente de indivíduos que andava perto do Mestre, com pouco envolvimento em Seu trabalho e buscando, em sua grande maioria, as dádivas terrenas. Os que queriam aprender e tomar posse  do Reino a Bíblia chama de discípulos. Assim sendo fica mais fácil entender a razão de Mateus mostrar que os discípulos sentaram-se perto do Mestre, pois a multidão estava mais distante.

No final da adolescência e início da juventude assisti alguns jogos de futebol no estádio. Lembro-me que, na primeira vez, quando o jogo estava para acabar, olhei ao redor e vi aquela imensa massa de torcedores. Virei para meu amigo e falei de minha preocupação quanto à saída do estádio, disse-lhe que, pela quantidade de gente, enfrentaríamos muita confusão e demora para sair. Sem tirar os olhos do jogo ele apenas disse: “Não se preocupe, na hora da saída é só você ficar em pé que a multidão te leva para fora”. Multidão é isso, você faz parte dela, conhece pouco ou nada de quem está ao seu lado, não tem voz ativa nem vontade própria, sua vontade é a “vontade” da multidão.

Pertencer à multidão que está perto do Mestre é muito fácil, difícil é ser discípulo. Palavras chave para o discipulado são: paciência, envolvimento, desprendimento, dedicação, conhecimento, disposição, etc. Ser da multidão tem um custo muito pequeno, mas a recompensa é também pequena, quase nenhuma. Ser discípulo tem um alto custo, mas a recompensa é grande, é a vida eterna. Multidão ou discípulo, a escolha é sua.

Gelson de Almeida Jr.Multidão ou Discípulo
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Corpo a corpo

No capítulo 8 de Atos vemos Filipe sendo colocado pelo Espírito Santo no caminho de um alto funcionário etíope que lia a Bíblia e não entendia. Filipe explica para ele, conta sobre Jesus e o resultado é que aquele homem pede o batismo naquele mesmo momento. Em seguida acontece um curioso caso de teletransporte. Filipe some dali e vai aparecer em Azoto, longe dali.

Ok, temos uma força sobrenatural em ação aqui. O Espírito Santo diz onde Filipe deve estar e depois simplesmente o arrebata de um canto para o outro quando a missão está cumprida.

A pergunta é: por que razão essa força sobrenatural não simplesmente substitui Filipe? Por que um anjo não aparece ao eunuco como um dia apareceu a Paulo?

Paulo é a exceção. A regra é Filipe. A regra é o corpo a corpo. A regra é um ser humano testemunhando a outro ser humano. A regra, amigo, é o discipulado, em que um discípulo aprende o suficiente do Mestre para então fazer discípulos ele também. Vivendo perto.

O evangelho, quando ilustrado pelo impacto que ele teve na vida de quem o anuncia, tem uma força que da boca daquele anjo não teria.

O evangelho, quando corporificado na sua vida, terá um impacto que você nem imagina!

Marco Aurélio BrasilCorpo a corpo
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No meio deles

Cresci acreditando que a forma ideal de fazer alguém que não liga para religião se converter era convencê-la de alguma forma a aceitar estudar a Bíblia. Durante o processo da exposição sistemática das Escrituras o Espírito Santo atuaria e aí, pumba!: a racionalidade da pessoa a constrangeria à conversão.

conversando com carlos drumondTentei esse método muitas vezes, com baixíssimo êxito. Apesar de a culpa muito possivelmente ser minha e de minha inabilidade para fazer apelos incisivos, não posso deixar de notar a desconformidade desse método com o empregado pela pessoa a Quem eu digo seguir.
O evangelho de Lucas narra uns poucos eventos depois da crucificação. Primeiro vemos um Pedro “abalado e admirado” perante o túmulo vazio e na sequência vemos aqueles discípulos deprimidos voltando a Emaús acompanhados do próprio Jesus. Depois de reconhecê-lO, eles voltam aos tropeções, de noite mesmo, explodindo de alegria, até Jerusalém para compartilhar a notícia fantástica. No caminho até Emaús, “começando por Moisés e todos os profetas, explicou-lhes o que constava a respeito dele nas Escrituras” (v. 27).
Aqui temos a única passagem em que vemos Jesus fazendo uma exposição sistemática das Escrituras.
Aparentemente, Jesus aguardou até algo acontecer com Seus discípulos, algo que os fizesse ouvir com verdadeira sede de salvação. Até que isso acontecesse, Ele viveu com eles.
Eu sei, eu sei. Encontrar a pessoa algumas semanas para estudos bíblicos, fazer um apelo e então dizer “hasta la vista” e cada um segue seu caminho é mais confortável, não é? Precisar se envolver, acompanhar a pessoa até a maturidade, se doar… bem, isso é mais custoso.
O que você acha que Jesus quis dizer quando afirmou que se alguém quer segui-lo deve negar-se a si mesmo, tomar a sua cruz e andar no caminho que Ele caminhou? Certamente Ele não estava dizendo: venha comigo e vou te conduzir pelos caminhos mais confortáveis.
Viva no meio deles. Peça ao Espírito Santo para fazer você não deixar passar nenhuma oportunidade de mostrar-lhes que você é espiritual. Ame. Esta é a missão que Ele deu a você.
Marco Aurélio BrasilNo meio deles
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O teste do discipulado, questão 3

Vamos ser bem honestos aqui: é possível que você esteja satisfeito com sua religião apenas para um belo dia descobrir que ela é mera casca, mera perfumaria, maquiagem. Você pode descobrir que não é um seguidor de Cristo como afirmou ser por anos a fio, mas apenas integrante de um clube religioso. Partilha algumas crenças, um estilo de vida, participa de alguns ritos… mas não se parece na essência com a Pessoa a Quem diz seguir.

Para fazer o teste do discipulado, para determinar se você está efetivamente seguindo a Pessoa e não o que as pessoas fizeram dEla, basta notar se hoje você é mais parecido com Ele no que Ele tem de essencial. Sugeri que esse teste começasse com a obediência. Você é hoje mais obediente à vontade de Deus do que era há algum tempo? Bem, Cristo foi “obediente até a morte”… A segunda pergunta é: você é hoje mais honestamente humilde do que era? A humildade de Jesus constrange você a ter uma noção menos inflamada de si próprio e de seus méritos pessoais?

Mas o mundo tem bastante gente obediente, pessoas que não “fazem nada errado”,teresa de calcuta e bastante gente naturalmente humilde. Tanto umas como outras podem não ter nada a ver com Jesus Cristo. É preciso continuar o teste.

Outro elemento radicalmente marcado na pessoa de Jesus que está estampada na Bíblia é sua propensão ao serviço. Nas palavras de Ellen White: “Volvendo-nos, porém, de todas as representações secundárias, contemplamos Deus em Cristo. Olhando para Jesus, vemos que a glória de nosso Deus é dar. ‘Nada faço de mim mesmo’, disse Cristo; ‘o Pai que vive, Me enviou, e Eu vivo pelo Pai’. ‘Eu não busco a minha glória’, mas a dAquele que Me enviou. Manifesta-se nestas palavras o grande princípio que é a lei da vida para o Universo. Todas as coisas Cristo recebeu de Deus, mas recebeu-as para dar” (DTN, p. 21).

Em diversos momentos nos evangelhos o dia-a-dia de Jesus é resumido com a fórmula “ensinava nas sinagogas, pregava às multidões, curava seus enfermos”. Embora cada uma dessas coisas possa ser realizada por motivos egoístas, o altruísmo de Cristo e Seu foco na solução dos problemas dos outros é evidente.

Viver para servir, contudo, não significa atender os desejos das pessoas, mas estar constantemente disposto a fazer o que for preciso para suprir suas necessidades. Jesus disse “não” para o sujeito que queria fazer dEle um juiz de uma questão civil e Se recusava a ser o que os outros quisessem que fosse. Ele não tinha medo de frustrar as expectativas dos outros, porque Seu alvo era dar o que as pessoas ao Seu redor efetivamente precisavam, e não o que achavam que precisavam.

Isso também não significa que Ele não cuidasse de Si próprio. Sabia que precisava retirar-se para a solidão para orar e meditar, mas o fazia porque sabia que a gente só pode dar daquilo que tem. Era preciso estar constantemente cheio do amor de Deus para ser o servidor que foi.

Obediência e humildade têm que ver com a negação do orgulho. Serviço tem que ver com a negação do egoísmo. Seguir a Cristo, contemplar Seu caráter dia a dia, produz uma aversão profunda a ambas as coisas.

Quem disse que seguir a Cristo seria banal? O caminho é muito alto, amigo. Alto e cheio de delícias.

Marco Aurélio BrasilO teste do discipulado, questão 3
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