Publicações com Marco Aurélio Brasil

Fé x ciência

Um dia você abre o jornal na folha de ciência e fica impressionado com descobertas espetaculares. Ou sai daquela aula de química com a cabeça fervendo. Ou se maravilha com o programa sobre microbiologia do Discovery Channel. Depois você abre a sua Bíblia e lê o relato da Criação, vê como Deus criou tudo do nada em seis dias, a forma como Ele criou Adão e Eva. E você fica tentado a seguir o curso materialista de nosso século e apagar Deus do mapa de suas crenças.

Você quer manter sua fé, mas culpa a Deus por não ter feito a Bíblia tão carregada de informações científicas como as matérias da revista Science e por ter escolhido colocar ali uma historinha mais parecida com lendas. Forma-se na sua cabeça um falso conflito entre Ciência e Fé, como se fossem antagônicas só porque os grandes expoentes daquela negam esta.

Bem, vale lembrar que a Bíblia foi escrita para conduzir você à salvação. E, para ser salvo, para viver eternamente e poder aprofundar-se o quanto quiser na ciência, você não precisa ser um
cientista. Você só precisa crer. Se a Bíblia fosse um compêndio de ciência, para ingresso na eternidade seria feita uma prova de múltipla escolha, mas em lugar disso é feito uma única pergunta, com duas opções de resposta apenas: você aceita Jesus como seu Salvador pessoal? Sim ou não?

A Bíblia foi inspirada por Deus para que ela testifique da existência dEle e de Sua descomunal obra para nos tirar da enrascada em que nos enfiamos. Foi inspirada para que, pela influência dela, respondamos sim à pergunta que eu escrevi acima. E, para crer e dizer sim, precisamos, muito mais do que conhecer os detalhes do átomo, saber que o átomo foi criado do nada por um Ser
transcendente. Que para Sua criação Ele não utilizou nenhum material eterno como Ele. Que Sua criação foi pensada para nos levar a adorá-lO. Que Ele merece essa adoração.

Ele não deu ali informações a que poderíamos chegar pelo nosso próprio esforço intelectual. Deu apenas verdades inspiradas, vindas de uma realidade na qual não podemos penetrar por sermos
infinitamente menores do que ela. Deu verdades para podermos posicionar os pés bem acima das incertezas com ares definitivos da ciência desse século.

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O joio e o trigo

É impossível saber quem realmente está em comunhão com Deus, certo? Afinal, fé é uma coisa tão subjetiva…

Bem, lendo aqui Jeremias 22, vejo que ele foi comandado a ir até o rei e dizer: “Assim diz o Senhor, exercei o juízo e a justiça, e livrai o espoliado da mão do opressor. Não façais nenhum mal ou violência ao estrangeiro, nem ao órfão, nem à viúva; não derrameis sangue inocente neste lugar” (v. 3). Se o recado fosse recebido, haveria prosperidade e nunca faltaria um descendente de Davi no trono de Judá. Se, contudo, não fosse, as coisas seguiriam seu curso natural. Judá seria destruída e desolada. “E muitas nações passarão por esta cidade, e dirá cada um ao seu companheiro: Por que procedeu o Senhor assim com esta grande cidade? Então responderão: Porque deixaram o pacto do Senhor, seu Deus, e adoraram a outros deuses, e os serviram” (vs. 8 e 9).

Notou o paralelo entre “adorar outros deuses” e ser injusto e indiferente contra os párias? Jeremias não deveria clamar para que o rei e sua corte abandonassem outros deuses diretamente, mas para que eles exercessem os frutos de assim proceder. Adorar ao Deus de Israel significava exercer a justiça, lutar para que a justiça social fosse feita, demonstrar compaixão.

É possível a alguém lutar por justiça social e exercitar compaixão pelo órfão, a viúva, o miserável, o refugiado, o que sofre bullying, o odiado, e mesmo assim ser um hipócrita. É claro que sim. É possível alguém ser um adorador devoto do Deus Altíssimo e não ligar para aquelas coisas?

Não, meu amigo, não é possível.

Assim, se não é possível garantir que alguém esteja em comunhão real com o Deus da Bíblia, dá pra dizer quem claramente não está. E é triste ver que nossas igrejas estão cheias deles.

“Pelos frutos os conhecereis”. Conheçamos nosso Deus enquanto é tempo. Ele nos transformará no tipo de pessoas para os quais nos comprou com o sangue de Jesus Cristo.

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Porque me ufano da cruz

Esta manhã um texto bem conhecido me deixou cismado: “Mas longe esteja de mim gloriar-me, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim e eu para o mundo” (Gal. 6:14). Foi remoendo essas palavras que fiz meu caminho matinal até o metrô. Eu tentava entender porque alguém diz que se gloria, que se ufana, num instrumento bárbaro de tortura. Ok, não é uma cruz qualquer, é a cruz aonde Jesus foi pregado, mas ainda assim por que razão a tortura específica de um inocente seria a fonte de glória?

O apóstolo poderia dizer que tem na cruz o símbolo de sua salvação, da redenção de Cristo em substituí-lo na morte, mas isso é diferente de dizer que se ele se pavoneia de algo, é da cruz. Por que razão a cruz seria uma fonte de glória??

Cheguei ao metrô, entrei o vagão e a muito custo consegui achar um espacinho para abrir o livro que eu levava. Poucos minutos depois eu lia: “Quando olhamos para a cruz, vemos a justiça, o amor, a sabedoria e o poder de Deus. Não é fácil determinar qual desses aspectos é mais brilhantemente revelado, se a justiça de Deus ao julgar o pecado, se o amor de Deus ao levar o castigo em nosso lugar, se a sabedoria de Deus em combinar com perfeição as duas coisas, ou se o poder de Deus em salvar aqueles que crêem” (John Stott, Cristianismo Autêntico, editora Vida, p. 75).

A idéia do famoso teólogo inglês pareceu suprir as lacunas de minhas cismas à perfeição. Afinal, eu posso, sim, me ufanar de haver sido justificado perante os olhos de outras pessoas. Eu posso também me gloriar do fato de ser muito amado; na verdade, as fotos de minha família aqui na minha mesa de trabalho são exatamente isso, o que dizer então da maior de todas expressões de amor feitas por Jesus na cruz em meu favor? Eu também posso me gloriar de haver sido beneficiado com justiça e com amor de forma tão sábia.

Mas de todos os aspectos que Stott vê na cruz, acredito que o poder é que fez Paulo escrever aquele texto. A explicação ele mesmo dá: a cruz o crucificou para o mundo e o mundo para ele. Ou seja, a cruz fez com que o mundo – aqui entendido como todos os apelos por condescendência, concupiscência, leniência, orgulho, auto-satisfação a qualquer custo, ou seja, o exato contrário do que pode ser chamado em melhor grau de amor, justiça e sabedoria! – perdesse completamente seu poder sedutor. O poder da cruz é maior do que o do mundo, porque a cruz anula o mundo. A cruz confere a Paulo o poder de não se sujeitar a tudo o que o mundo representa.

Esse poder está longe, muito longe de ser pequeno. Ele é sobrenatural, raro e de impacto inignorável, primeiramente para quem dele se aproveita, e em segundo lugar para quem rodeia essa pessoa. A cruz é fonte de poder. E, superada minha cisma matinal, vivo meus dias porvir me gloriando na cruz de Cristo, cujo poder sinto pulsar dentro de mim.

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Definições

Qual seria a definição mais completa de fé? Bem, considerando que somos “justificados, pois, mediante a fé” (Romanos 5:1), está aí uma pergunta importante. O que, exatamente, é aquilo que pode nos justificar, nos fazer “ficar justos” perante Deus? Esta semana tropecei em uma passagem que me fez questionar aquela clássica definição encontrada em Hebreus 11:1 (“fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que não se vêem”) como sendo a “definição definitiva” de fé.

A passagem a que estou me referindo está em Lucas 17:11-19. Narra a cura miraculosa por parte de Jesus de 10 leprosos. Apenas um deles voltou para agradecer Jesus. Note o que Jesus lhe diz: “Não foram limpos os dez? E os nove, onde estão? Não se achou quem voltasse para dar glória a Deus, senão este estrangeiro? Levanta-te e vai; a tua fé te salvou” (vs. 18 e 19).

Veja, se fé é algo associado exclusivamente a coisas que estão no futuro, se ela se limita à convicção de algo que se espera que vá acontecer, como entender que Jesus tenha elogiado a fé de um homem que simplesmente voltou para agradecer e dar glória a Deus? Ele já tinha o milagre concretizado, não esperava nada mais, não precisava exercitar aquela habilidade de simplesmente crer, somente queria agradecer, e a isso Jesus chamou fé; fé capaz de salvar e não apenas curar.

Matutando nisso cheguei a uma conclusão e espero em Deus que ela esteja certa para que eu possa dividi-la com você: os grandes elementos de nossa relação com Deus não conseguem ser encapsulados plenamente nas palavras de nosso vocabulário humano. Um outro exemplo disso é dizer que a definição de pecado é “transgressão da lei” segundo I João 3:4, quando passagens como Mateus 5:21 a 32 e Romanos 14:23 mostram claramente que essa não é a verdade completa. Assim como pecado é mais que simplesmente a transgressão física de um mandamento, fé é mais do que simplesmente crer que existe algo que não se pode provar empiricamente. Ambos os conceitos estão aproximados, na verdade, embora como antíteses: pecado tem a ver com separação de Deus, quebra de um relacionamento com Ele, e fé tem a ver com o seu oposto, uma relação de confiança e de interatividade. Fé envolve a esperança no futuro, mas também gratidão pulsante pelo que se obtém de bom no presente através dessa relação.

Os grandes elementos de nossa relação com Deus, portanto, são setas que apontam para o fato de que isso – nossa relação com Deus – é o que há de mais importante. Nosso Deus é um Deus de relacionamentos, que ama ouvir o que temos a dizer, ama ver depositado a Seus pés nossas alegrias grandes e pequenas, nossas tristezas, nossas angústias, nossas dúvidas, nossas convicções – tantas vezes erradas – nossas perplexidades e nossas afeições. Não se trata, portanto, de fazer coisas para atrair Seu favor, mas de se relacionar com Ele plenamente.

Relacionar-se com o Deus que não podemos ver, exercitando esperança, confiança e gratidão é, portanto, fé. É o que nos faz ficar justos. É no que deveríamos investir.

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A imagem

No momento de tomar uma decisão moral (exemplos: de escolher que roupa vai usar, de decidir como vai aproveitar seu tempo no dia, de se divertir ou não fantasiando com aquela pessoa que não é seu cônjuge, de notar e tratar como um igual ou não alguém em uma posição humilde, etc), lembre do episódio de Jesus e os tributos. Perguntaram-Lhe se pagaria os impostos e então Ele pediu para alguém mostrar uma moeda. “De quem é a imagem que está aí?” “De César”, respoderam. “Então dêem a César o que o de César e a Deus o que é de Deus” (Mateus 22). O emprego da palavra imagem vai nos levar a outro texto célebre das Escrituras: “E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem” (Gên 1:26).

Como disse Lisa Harper esta semana aqui em São Paulo, se você furasse, derretesse ou martelasse a imagem de César nas moedas, iam interpretar isso como uma declaração de guerra ao imperador.

Portanto, meu amigo, na hora de tomar uma decisão moral, considere a quem você pertencesse e a quem o outro, o próximo, o que está no seu caminho, pertence também. Não declare guerra a Quem gravou Sua imagem sobre você e reclamou você como Seu das mãos do usurpador pagando o preço de Seu próprio sangue. Você é dEle (suas ideias de autonomia são o engano do usurpador). O outro é dEle (quem quer que seja o outro).

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O dia em que o ego foi inventado (e o dia em que ele pode ser esquecido)

A Bíblia diz que somos criados à imagem e semelhança de Deus. O que isso significa de fato tem sido objeto de muita especulação ao longo dos séculos. Sei que o relato dá conta de que as coisas que nossos primeiros pais fizeram logo após a criação foram cuidar da natureza (Gênesis 1:28) e um do outro (cap. 2:20 e 22). Talvez esse seja um indicativo do que significa ter sido criado à imagem e semelhança de Deus: o homem vivia para servir, prestar atenção, proteger e se relacionar com os outros, com seres e objetos alheios a si próprio.

O dia em que o ego foi inventado foi exatamente o dia em que Adão e Eva ponderaram a possibilidade de fazer alguma coisa qualquer que não aquilo que Deus havia orientado a fazer. No dia em que pecaram, “foram abertos os olhos de ambos, e conheceram que estavam nus; pelo que coseram folhas de figueira, e fizeram para si aventais” (cap. 3:7). A palavra “si” apareceu aí. Viu-se a cena até então inédita de Adão de um lado fazendo algo para si próprio e Eva de outro, costurando suas folhinhas também.

A maldição do pecado é tomarmos conta de nós mesmos. Antes, tínhamos um Criador cheio de amor e Todo Poderoso a quem terceirizávamos essa tarefa, mas agora assumimos o fardo e não costumamos largá-lo por nada neste mundo, ou pior: por nada do outro mundo. Do fato de estarmos ensimesmados, retorcidos sobre nossos próprios umbigos, escravizados pelos nossos próprios assuntos, monomaníacos pelas nossas próprias vestes de folhas de figueira advém a dor e a angústia, porque, afinal, fomos criados à imagem e semelhança de um Deus que vive pelos outros.

E penso nisso tudo ao cabo de uma semana especialmente cheia de compromissos e atividades, quando meu amo, o egoísmo, teve ocasião de sobra para estalar seu chicote, quando eu aparentemente não tive uma mínima nesga de tempo para parar e refletir um pouco no que realmente interessa. Aí eu olho para o relógio e sou lembrado do fato venturoso de que daqui a pouco será sábado.

O sábado é o momento em que posso esquecer do meu ego. Deus erigiu essa catedral no tempo para que eu entre nela e deixe do lado de fora tudo o que diz respeito a mim mesmo. Nela, eu só preciso me concentrar no Deus que me criou a Sua imagem e semelhança e nas pessoas que me rodeiam, onde também posso ver os vestígios dessa semelhança.

Jesus disse que o sábado foi criado para o homem. É que o homem precisa do sábado. Deus o criou pensando no homem, pensando em suprir suas necessidades mais profundas. Louvado seja!

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O país estava na expectativa sobre quem seria seu novo líder. Samuel havia concordado com a ideia super moderna de Israel ter um rei e todos queriam saber quem seria o escolhido. Ele acabou sendo “Saul, moço, e tão belo que entre os filhos de Israel não havia outro homem mais belo do que ele; desde os ombros para cima sobressaía a todo o povo” (1 Samuel 9:2). Saul teve algumas vitórias sobre os arqui-inimigos de Israel, os filisteus, mas a guerra estava muito longe de terminar. O tempo passou, Saul aferrou-se ao poder e cometeu lamentáveis erros. Era hora de ungir um outro rei. Para isso, Samuel foi conduzido por Deus à casa de Jessé, que tinha sete filhos. “E sucedeu que, entrando eles, viu a Eliabe, e disse: Certamente está perante o Senhor o seu ungido. Porém o Senhor disse a Samuel: Não atentes para a sua aparência, nem para a grandeza da sua estatura, porque o tenho rejeitado; porque o Senhor não vê como vê o homem, pois o homem vê o que está diante dos olhos, porém o Senhor olha para o coração” (1 Samuel 16:6,7).

Era natural que Samuel esperasse que a próxima escolha de Deus fosse na mesma linha da anterior. Natural, portanto, que o velho profeta se espantasse de Deus rejeitar cada um dos seis filhos mais velhas daquela casa e optasse pelo franzino caçula ainda cheirando a ovelhas. A razão para não repetir o mesmo modus operandi foi declarada por Deus: Ele não olha a aparência, Ele quer alguém segundo o seu coração.

Talvez se Deus houvesse escolhido o primeiro rei conforme esse critério os israelitas tivessem rejeitado o rei, como inclusive ensaiaram fazer com Saul. É como se Deus tivesse tomado o atalho comprido e colocado propositalmente no trono um líder longe do ideal para ensinar ao Seu povo uma dura – mas valiosa – lição: prosperaria o líder que fosse segundo o coração de Deus, e não o bonitão.

Davi se mostrou piedoso, misericordioso, preocupado com a unidade do reino, humilde e generoso. Mas foi preciso Saul para que as pessoas vissem o valor de tais virtudes.

Quem lê, entenda.

Marco Aurélio Brasil
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Fé x Ciência

Um dia você abre o jornal na folha de ciência e fica impressionado com descobertas espetaculares. Ou sai daquela aula de química com a cabeça fervendo. Ou se maravilha com o programa sobre microbiologia do Discovery Channel. Depois você abre a sua Bíblia e lê o relato da Criação, vê como Deus criou tudo do nada em seis dias, a forma como Ele criou Adão e Eva. E você fica tentado a seguir o curso materialista de nosso século e apagar Deus do mapa de suas crenças.

Você quer manter sua fé, mas culpa a Deus por não ter feito a Bíblia tão carregada de informações científicas como as matérias da revista Science e por ter escolhido colocar ali uma historinha mais parecida com lendas. Forma-se na sua cabeça um falso conflito entre Ciência e Fé, como se fossem antagônicas só porque os grandes expoentes daquela negam esta.

Bem, vale lembrar que a Bíblia foi escrita para conduzir você à salvação. E, para ser salvo, para viver eternamente e poder aprofundar-se o quanto quiser na ciência, você não precisa ser um
cientista. Você só precisa crer. Se a Bíblia fosse um compêndio de ciência, para ingresso na eternidade seria feita uma prova de múltipla escolha, mas em lugar disso é feito uma única pergunta, com duas opções de resposta apenas: você aceita Jesus como seu Salvador pessoal? Sim ou não?

A Bíblia foi inspirada por Deus para que ela testifique da existência dEle e de Sua descomunal obra para nos tirar da enrascada em que nos enfiamos. Foi inspirada para que, pela influência dela, respondamos sim à pergunta que eu escrevi acima. E, para crer e dizer sim, precisamos, muito mais do que conhecer os detalhes do átomo, saber que o átomo foi criado do nada por um Ser
transcendente. Que para Sua criação Ele não utilizou nenhum material eterno como Ele. Que Sua criação foi pensada para nos levar a adorá-lO. Que Ele merece essa adoração.

Ele não deu ali informações a que poderíamos chegar pelo nosso próprio esforço intelectual. Deu apenas verdades inspiradas, vindas de uma realidade na qual não podemos penetrar por sermos
infinitamente menores do que ela. Deu verdades para podermos posicionar os pés bem acima das incertezas com ares definitivos da ciência desse século.

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Quem poderá nos socorrer?

Não vivenciei as muitas experiências semelhantes anteriores, mas recordo vividamente a gigantesca esperança que foi depositada sobre Tancredo Neves. Depois a que foi jogada sobre Collor, FHC e Lula. Ficava essa expectativa crepitando no ar, de que agora as coisas iam encontrar o trilho que nos levaria a nossa vocação para constituir uma enorme Noruega dos trópicos, um país próspero, justo, seguro.

Se Moisés Naim está certo, qualquer tipo de esperança desse quilate está fadada a ser frustrada. Segundo ele, “o poder está em degradação. […] No século XXI, o poder é mais fácil de obter, mais difícil de utilizar e mais fácil de perder” (em “O fim do poder”, editora Leya). Por outras palavras, os chefes de Estado (assim como os presidentes de empresa, líderes de Sindicato, anciãos de igreja, etc) têm uma possibilidade real de fazer e acontecer cada vez mais limitada. O poder para impor a sua visão e controlar os acontecimentos é cada vez mais fraco. A informação abundante torna os liderados menos dóceis, mais complexos, com interesses cada vez mais difusos e agendas cada vez mais diversas.

Quando Davi escreveu as famosas palavras do Salmo 121, “elevo os olhos para os montes; de onde me virá o socorro?”, estava afirmando que não esperava salvação de onde as pessoas em geral costumavam esperar. Os altos dos montes eram os locais onde se sacrificava aos ídolos. Não. “O meu socorro vem do Senhor, que fez o céu e a terra. Ele não permitirá que os teus pés vacilem; não dormitará aquele que te guarda”.

Nada disso nos isenta do imperativo de lutar pelos caminhos que nos conduzam à justiça e à prosperidade, mas se a maioria parece ter uma outra visão a respeito de qual é esse caminho, não há razão para arrancar os cabelos. É, sem dúvida, mais difícil para os que não conhecem esse Deus ter esperança no futuro. Para nós, contudo, os que cremos, os que vemos nas profecias de Daniel um Deus sereno no comando dos destinos deste mundo que insiste em O rejeitar e expulsar, os que vemos no belo que ainda lateja ao nosso redor as Suas digitais e os ecos de Seu poder intacto e incrivelmente grande… bem, nós não precisamos olhar para os montes. Ou para as urnas. E podemos sorrir.

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Porque me ufano da cruz

Esta manhã um texto bem conhecido me deixou cismado: “Mas longe esteja de mim gloriar-me, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim e eu para o mundo” (Gal. 6:14). Foi remoendo essas palavras que fiz meu caminho matinal até o metrô. Eu tentava entender porque alguém diz que se gloria, que se ufana, num instrumento bárbaro de tortura. Ok, não é uma cruz qualquer, é a cruz onde Jesus foi pregado, mas ainda assim por que razão a tortura específica de um inocente seria a fonte de glória?

O apóstolo poderia dizer que tem na cruz o símbolo de sua salvação, da redenção de Cristo em substituí-lo na morte, mas isso é diferente de dizer que se ele se pavoneia de algo, é da cruz. Por que razão a cruz seria uma fonte de glória?

Cheguei ao metrô, entrei o vagão e a muito custo consegui achar um espacinho para abrir o livro que eu levava. Poucos minutos depois eu lia: “Quando olhamos para a cruz, vemos a justiça, o amor, a sabedoria e o poder de Deus. Não é fácil determinar qual desses aspectos é mais brilhantemente revelado, se a justiça de Deus ao julgar o pecado, se o amor de Deus ao levar o castigo em nosso lugar, se a sabedoria de Deus em combinar com perfeição as duas coisas, ou se o poder de Deus em salvar aqueles que crêem” (John Stott, Cristianismo Autêntico, editora Vida, p. 75).

A ideéia do famoso teólogo inglês pareceu suprir as lacunas de minhas cismas à perfeição. Afinal, eu posso, sim, me ufanar de haver sido justificado perante os olhos de outras pessoas. Eu posso também me gloriar do fato de ser muito amado; na verdade, as fotos de minha família aqui na minha mesa de trabalho são exatamente isso, o que dizer então da maior de todas expressões de amor feitas por Jesus na cruz em meu favor? Eu também posso me gloriar de haver sido beneficiado com justiça e com amor de forma tão sábia.

Mas de todos os aspectos que Stott vê na cruz, acredito que o poder é que fez Paulo escrever aquele texto. A explicação ele mesmo dá: a cruz o crucificou para o mundo e o mundo para ele. Ou seja, a cruz fez com que o mundo – aqui entendido como todos os apelos por condescendência, concupiscência, leniência, orgulho, auto-satisfação a qualquer custo, ou seja, o exato contrário do que pode ser chamado em melhor grau de amor, justiça e sabedoria! – perdesse completamente seu poder sedutor. O poder da cruz é maior do que o do mundo, porque a cruz anula o mundo. A cruz confere a Paulo o poder de não se sujeitar a tudo o que o mundo representa.

Esse poder está longe, muito longe de ser pequeno. Ele é sobrenatural, raro e de impacto inignorável, primeiramente para quem dele se aproveita, e em segundo lugar para quem rodeia essa pessoa. A cruz é fonte de poder. E, superada minha cisma matinal, vivo meus dias porvir me gloriando na cruz de Cristo, cujo poder sinto pulsar dentro de mim.

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