Publicações com Serviço

Consoladores

Um dia você sofre. Já pensou nisso? A maioria esmagadora das pessoas lida com o sofrimento como se ele fosse um intruso, um corpo estranho no curso de suas vidas, que foram planejadas sem qualquer atenção ao dia em que elas sofrerão. O sofrimento é tratado como algo improvável quando não há nada mais certo: um dia você sofre. “No mundo tereis aflições”, diz Jesus e não há nessa frase
nenhum “talvez”.
Philip Yancey afirma que nas andanças por diversos países do mundo, notou uma tônica bastante diferente nas orações relacionadas ao sofrimento. Enquanto os cristãos de países ricos oram pedindo para que Deus afaste aquela provação, os irmãos de países sofridos pedem forças para lidar com ela.

Nós não vivemos em um país rico, mas absorvemos o estilo de vida deles, o tipo de preocupações, os objetos de desejo, e tudo isso nos molda a sua imagem e semelhança. Por outras palavras, estamos nos tornando despreparados absolutos para a dor, e, como ela é certa, quando chegar tem tudo para nos roubar o chão de sob os pés. Vamos nos confrontar com as velhas perguntas-armadilha: por que Deus permite que soframos? Por que Ele não intervém?

Quando somos crianças e estamos sofrendo, vem a mãe com o remédio na mão e tudo melhora. Se a dor é emocional, ela tem as palavras certas. Temos um tratamento pessoal, individualizado e extremamente eficaz para nossas mazelas e acabamos esperando isso de Deus quando crescemos e de repente o remédio ou as palavras de consolo não estão mais à mão ou não se mostram mais tão eficazes assim. Por que razão Deus não aparece, não diz o que temos de ouvir, e assim podemos continuar nossas vidas em paz? O quê O segura?

Paulo conhecia bem o sofrimento. Viveu todo tipo de privação, foi apedrejado e dado como morto, foi preso duas vezes em lúgubres prisões romanas, experimentou naufrágios, um problema crônico de visão e traição e abandono de companheiros. Em muitas de suas cartas compiladas na Bíblia ele suplica a presença de algum amigo para consolá-lo ou agradece a Deus pelo consolo enviado através de alguém. São dele estas palavras: “Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai de misericórdias e Deus de toda consolação! É ele que nos conforta em toda a nossa tribulação, para 
podermos consolar os que estiverem em qualquer angústia, com a consolação com que nós mesmos somos contemplados por Deus” (II Coríntios 1: 3 e 4).

Assim, Deus consola a alguns para que esses alguns consolem outros tantos. A nossa dor nem sempre vai ser resolvida para podermos continuar em nossa vida social com a máscara de alegria constante. Vai ser preciso abrir a guarda, mostrar-nos frágeis, contar a amigos os problemas que passamos, porque ali estará o consolo exato.

Deus arquitetou essa dinâmica porque sabe que é apenas através dessa ajuda mútua que crescemos, que aprendemos com os espinhos do caminho e que nos tornamos aptos a sermos multiplicadores do perdão, da misericórdia e do consolo que um dia recebemos dEle.

Marco Aurélio BrasilConsoladores
leia mais

Contra a correnteza

O iluminismo estabeleceu o imperativo de dissociar nossas ciências humanas da religião. O direito precisou abandonar o magistério do “direito natural” (a ideia de que existe uma norma absolutamente justa e que o papel do Direito é buscar alcançá-la), o que deu espaço para a chegada do positivismo. A moral deslocou-se da fé e foi estabelecida no solo muito mais instável do espírito evoluído da civilização ocidental. Não admira que a moral tenha mudado tanto nos últimos 200 anos.

Gilles Lipovetsky, em A sociedade pós-moral, observa que na virada do século XIX para o XX, embora se rejeitasse nos meios cultos qualquer ideia de um Deus que tenha uma lei moral, imperava o culto ao dever. Todo cidadão civilizado tinha deveres para com o próximo, para com a pátria. Uma vida de autosacrifício era requerida de todos. Mas isso durou apenas até meados dos anos 1970, quando a sociedade de hiperconsumo se instalou e, com ela, uma nova era de individualismo extremo. “A nova era individualista conseguiu a façanha de atrofiar nas consciências a alta consideração de que desfrutava o ideal altruísta, redimiu o egocentrismo e legitimou o direito de viver só pra si.””Ao mesmo tempo em que, de todos os lados, se ergue o clamor de angústia pela degenerescência moral, a época atual renegou a fé no imperativo de viver para o próximo, no ideal preponderante de lhe prestar serviço”. 

O autor francês enxerga nos Criança/Esperança e Teletons da vida uma confirmação disso. O ato de doar integra uma agenda radicalmente diferente da que vigorava na sociedade ainda profundamente influenciada pelo cristianismo.Hoje, é um sintoma de boa educação você respeitar o diferente, mas não se espera, ninguém cobra, que você se sacrifique por ele.

Enquanto isso, não muito longe dali, temos Cristo. Nadando vigorosamente na contracorrenteza. Nos chamando para fazer o mesmo. Como observou Ed René Kivitz, todo mundo que descobre que o pai é nosso, descobre na sequência que o pão também é nosso. E não guarda pra si, não come com a volúpia obesa da fartura sem propósito. Temos, portanto, amigos, a ênfase necessária em nossa pregação para este tempo em que vivemos!

O mundo hipermoderno caminha a passos largos para longe da ética de Jesus. Mais que nunca, este mundo precisa de alguns bons homens e mulheres dispostos a viver a Vida para que os que nos rodeiam sintam a nostalgia do Reino.

 

Marco Aurélio BrasilContra a correnteza
leia mais

Ele me Remiu

Keith L. Brooks (1888-1954) conta história de uma garota que estava no mercado de escravos para ser vendida. Chorava tanto que atraiu a atenção de um homem que estava na feira. Indagando o motivo do choro descobriu que fora criada com muito carinho por um proprietário bondoso e estava aterrorizada imaginando quem seria seu novo dono.

O homem indagou o preço e, mesmo achando um pouco alto, resolveu comprá-la. Logo após fechar o negócio dirigiu-se à garota e disse-lhe que estava livre, mas percebeu que o choro não cessara. Percebeu que ela não sabia o que era LIBERDADE, pacientemente explicou-lhe o que era liberdade. Quando acabou de explicar viu que a garota parara de chorar, mas sua reação foi impressionante. Disse ao homem: “Eu o seguirei. Eu o servirei a vida toda”. As pessoas que visitavam a casa daquele homem estranhavam o modo gentil e solícito como ela servia a todos, principalmente o dono da casa. Quando indagada a respeito ela respondia: “Ele me remiu”.

Como pecadores, ao mesmo tempo que temos uma sentença de morte sobre nossa cabeça temos a promessa da vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor, Salvador e Redentor (Romanos 6:23). Ele nos remiu e graças a isto estamos livres do cativeiro do pecado e de todas as suas mais funestas consequências. Nossa única resposta para tudo isto deveria ser a resposta do amor, isto é, o serviço amoroso e desinteressado por Ele e por todos os Seus filhos.

Deus amou o mundo de tal maneira que deu o melhor que tinha, deu o Seu Filho para morrer por nós afim de que tivéssemos direito à eternidade (João 3:16). Amor gera amor, qual é sua resposta a tão grandioso gesto de amor?

Gelson de Almeida Jr.Ele me Remiu
leia mais

Enquanto isso…

Só acho importante você saber que enquanto nós ficamos discutindo a rebimboca da parafuseta teológica, as pessoas da igreja adventista do bairro mais afetado pelo Carnaval de rua em São Paulo decidiu não fazer nenhum retiro espiritual, ao contrário, decidiram massivamente vestir um colete com uma declaração de amor ao bairro e, armados com esfregões, luvas e parrudos sacos de lixo, exaustivamente se aplicarem a limpar a vizinhança em todos os quatro dias do feriado, despertando a admiração e surpresa gerais e inspirando outros a fazerem o mesmo.

Por que Ele fez a gente cuida

E que, enquanto nós ficamos planejando o casamento perfeito, com todos os detalhes para nossa satisfação e glória, alguns jovens decidiram inverter radicalmente a lógica das despedidas de solteiro clássicas, fazendo do seu dia mais especial uma oportunidade de serviço (no caso, contrataram duas prostitutas e as levaram a um local cheio de jovens animados que as sentaram junto a uma mesa lindamente preparada, serviram-lhes um jantar de gala e disseram que naquela noite elas não serviriam, mas seriam servidas, convidando-as a contar sua história, seus sonhos e frustrações e perguntando no que as poderiam ajudar verdadeiramente).

Gostaria que soubesse que enquanto a gente afia as lâminas do julgamento do nosso próximo, um grupo de jovens se reúne todo fim de tarde de sexta-feira em plena Avenida Paulista com cartazes onde se lê coisas como “quer um abraço?”, “quer desabafar?” e “posso orar com você?”, impactando dezenas de pessoas surpreendidas pela graça no meio do deserto de asfalto.
Que, enquanto bolamos estratégias para conseguir mais tempo para assistirmos mais séries, jovens batistas saem pelas ruas de São Paulo entrevistando moradores de rua e postando sua história e sua foto no Instagram, humanizando o que de outra forma veríamos apenas como a degradação humana sem rosto.
Só queria hoje que você soubesse, através desses parcos exemplos que me chegaram aos ouvidos recentemente, que o evangelho de Jesus Cristo está vivo e pulsando, e que algumas pessoas respiram o Reino já aqui e estão mais preocupadas em morrer do que em viver, para viver quando a grande maioria morrer (e para que essa grande maioria seja menor do que seria se eles permanecessem inertes e indiferentes à missão que Cristo nos confiou).
Marco Aurélio BrasilEnquanto isso…
leia mais

Uma palavra aos santos egoístas

É muito comum cristãos associarem a ideia de santificação a estilo de vida.

“No cerne de todas as teorias equivocadas sobre o viver santificado”, escreve George Knight (Eu costumava ser perfeito, Unaspress, p. 49), “está a banalização da santidade, em que a vida justa é pulverizada em inúmeros blocos manejáveis de comportamento… Ela … faz com que alguns itens, como a reforma de saúde e o vestuário, sejam o foco da discussão sobre a vida cristã. Esse tipo de ‘santificação’ tem um excelente pedigree histórico. Ele estava no centro do judaísmo farisaico”.

E se um santo for algo mais parecido com isso do que com um engravatado?

O erro crucial dessa teologia enviesada, que joga a santificação para o futuro e restringe a justificação ao passado, é que ela é uma visão essencialmente egoísta da salvação. Se a santificação é simplesmente uma forma de tornar você uma pessoa melhor, ela é um fenômeno bastante individualista, concorda?

Jesus não permite que pensemos assim.

Como observou John Stott, na narrativa da conversão de Saulo, o até então perseguidor da igreja passa a ser chamado de “discípulo” (Atos 9:26), denotando que ele tinha uma nova relação com Deus, de “irmão” (Atos9:17), mostrando que o encontro com Jesus o conduzira a uma nova relação com a igreja, e “testemunha” (22:15), denotando que sua relação com o mundo também havia sido transformada.

Em Atos 9:15 Deus fala a Ananias que Saulo era “um vaso escolhido”, ou seja, ele havia sido separado para uma obra especial, exatamente o que significa a palavra santo.

O que estou tentando dizer (não sei se estou conseguindo) é que a santificação não é uma coisa que acontece dentro de você e morre aí. Não é um poder para parar de comer entre as refeições, uma dotação espiritual para você não gostar mais de forró, uma unção para você parar de ver pornografia na internet.

Ao contrário: santificação é algo que acontece em você em relação aos outros. A santificação, que começa no momento de sua conversão e, se você permite, se estende por cada dia de sua vida, é um processo operado pelo Espírito que faz com que você olhe para o outro de um jeito radicalmente diferente e cada vez mais diferente. Faz com que você se relacione com o outro de um jeito radicalmente diferente. Faz com que você foque nos interesses e necessidades do outro de um jeito radicalmente diferente.

Segundo I Pedro 1:2, nós somos santificados para a obediência a Jesus. Logo, obediência e santificação não são a mesma coisa, a santificação ajuda no processo de obediência a Jesus, o mesmo que nos mandou amar, perdoar 490 vezes, oferecer a outra face, ir e fazer discípulos. Ah, sim, é dessa obediência que estamos falando primeiro.

A outra, aquelas regrinhas todas, elas no máximo ajudam a completar a tarefa principal.

Cresçamos todos na graça e no conhecimento de Cristo Jesus. Amém!

 

Marco Aurélio BrasilUma palavra aos santos egoístas
leia mais

O pior do homem, o melhor de Deus

Pouco tempo – talvez uma semana- depois do furacão Katrina arrasar New Orleans, em agosto de 2005, lembro de ter ficado profundamente impressionado com uma entrevista feita por telefone como uma brasileira moradora da cidade, exibida numa rádio daqui. Era difícil acreditar que as cenas que ela descrevia estavam tomando lugar dentro da maior potência mundial. Falava de hordas de bandidos que aproveitavam o caos instalado para invadir, roubar, estuprar e matar. Falava de estupros e violência dentro do ginásio onde os desabrigados estavam instalados. Falava do medo, da falta de tudo, da sensação de abandono.

Na época escrevi que basta uma situação limite como a do furacão para que a velha natureza consiga botar sua cabeça hedionda pelas frinchas da casca de civilidade que afetamos ter, como um alien só esperando a ocasião se mostrar.na6xta

De fato, o homem em seu pior é capaz das mais arrematadas barbaridades. Em nome de Deus ele pode pegar um caminhão e sair atropelando inocentes, pode se explodir com eles ou pode (como fez ao menos um importante pastor evangélico americano) ficar feliz com o atentado numa boate gay, afirmando que o atirador fazia o trabalho de Deus. Especialmente numa situação limite, quando as coisas faltam, você e eu temos essa besta querendo aparecer, e que dizer das tantas e tantas vezes que ela assume o controle sem nem notarmos, nos levando a cultivar hábitos destrutivos, nos convencendo a se conformar com o inconformável em nós?

Bem, Philip Yancey cita John Marks, produtor do prestigiado programa de TV americano Sixty Minutes, que escreveu um livro sobre uma pesquisa de dois anos que ele fez sobre os evangélicos. “A resposta da igreja ao furacão Katrina provocou para ele uma reviravolta e se tornou uma forte razão para crer. Uma igreja batista de Baton Rouge alimentou 16 mil pessoas por dia durante semanas; outra abrigou 700 que tiveram de deixar suas casas. Mais outra igreja funcionou como ponto de distribuição para 56 igrejas, e igrejas de estas vizinhos enviaram regularmente equipes de ajuda humanitária para a reconstrução de casas durante anos, muito tempo depois que a ajuda federal se havia esgotado.” O discurso evangélico enojava Marks, mas sua ação quando outros se omitiam ou, pior, pilhavam e saqueavam, falou mais alto que qualquer discurso.

Quando o homem tem a ocasião perfeita para mostrar seu pior, Deus tem a ocasião perfeita para mostrar o Seu melhor. E, por absurdo, escandaloso e contra producente como possa parecer, o melhor de Deus somos você e eu.

Não estou falando de New Orleans, Nice, Paris, Darfur, Somália ou Síria, mas de um certo país em crise da América do Sul. Estou falando de onde você está. Aí mesmo, amigo, você é o melhor de Deus. Ele livremente escolheu abster-Se de tomar a frente, respeitando nossa (da humanidade) escolha por mantê-lO longe, e abriu caminho para ser representado por criaturas minúsculas como nós aqui. Nós, os que temos aquele alien querendo assumir o controle todo tempo. Nós, que fomos salvos e redimidos, mergulhados nas águas e renascidos novas criaturas em Cristo.

Seja tudo que pode ser.

Marco Aurélio BrasilO pior do homem, o melhor de Deus
leia mais

Guardadores de irmãos

Há na Bíblia uma série de perguntas intrigantes de Deus. Hoje eu estava lembrando não exatamente de uma dessas intrigantes perguntas de Deus, mas da emblemática resposta de um homem a uma dessas perguntas.

A pergunta era esta: Caim, cadê o teu irmão? Pergunta intrigante, sem dúvida alguma, já que Caim havia acabado de matar a Abel e Deus sabia muito bem disso. Deus, com essa pergunta, levou Caim a ser confrontado com toda a barbaridade de seu ato. Mas o que ele respondeu? Ele retornou outra pergunta: “Acaso sou eu guardador do meu irmão?”
compassionate-kids
Bela pergunta! Responda você: Caim era? Era guardador do irmão dele? Deveria saber onde Abel estava, o que fazia, se estava bem? Ele quis sair de fininho da sinuca em que o Senhor o havia posto, justificando sua “ignorância” a respeito do paradeiro do irmão com a desobrigação de cuidar dele e eu noto que o “por acaso eu sou guardador do meu irmão?” tem ecoado pelos séculos afora, repetido por mim mesmo e pelos meus semelhantes todo santo dia.

Responda você: você é o guardador do seu irmão?

Quando quis pintar-se a Si mesmo em tintas humanas, Jesus usou a imagem de um pai que todo dia passa horas perscrutando uma estrada deserta, a ver se seu filho volta. Ele é este, em contrapartida ao próprio filho, que despreza o convívio familiar e também ao outro filho, que menospreza o momento da recomposição do núcleo familiar. A despeito de haver dito que quem não largasse a família para segui-lO não seria digno de Seu reino (com isso querendo dizer que o Seu reino deveria ser prioridade absoluta), antes de expirar Ele se preocupa com o bem estar da própria mãe. Não perde tempo, em meio à profunda agonia de Sua paixão, fazendo um novo discurso, relembrando algo que houvesse dito ou apontando a profecias que em Si se cumpriam, mas faz questão de advertir a João que não esqueça de Maria.

Deus concedeu a cada um um tesouro fenomenal chamado família, algo a ser guardado, protegido, algo por que desvelar-se, mostrar o maior zelo possível, e no entanto damos de ombros e saímos com essa de “por acaso sou guardador do meu irmão?” Nós nos guardamos sob rótulos de atividades que cada um tem e ficamos sempre aquém disso. Na família nos moldes antigos, o pai é o provedor – e só – a mãe é a trabalhadora braçal – e só – o filho é o que tem que passar de ano e procurar não quebrar nada – e só. Entretanto, a família é o que temos de mais precioso e nos cabe preocupar-se substancialmente com o bem estar dos seus integrantes, algo que vá além do bem estar físico, que atinja o campo sentimental, emocional, social, buscando constantemente formas de ver os seus realizados, satisfeitos.

Digo isso porque essa velha instituição tem sido bombardeada de tudo que é lado. A mídia é a responsável pela artilharia pesada, que abre os maiores estragos, os rombos mais danosos. O corre-corre do dia-a-dia faz as vezes de infantaria, minando o que sobrou.

Houvesse genuíno interesse de parte a parte com o bem estar de todos, acho que não veríamos tanta aberração, tanta separação, tanto desinteresse, tanta solidão.

Marco Aurélio BrasilGuardadores de irmãos
leia mais

O Legado

Hudson TaylorAnos atrás, quando o comunismo dominava completamente as ações governamentais na China, as autoridades, incomodadas com o poder e a influência ainda exercidos por Hudson Taylor (1832-1905) encarregaram um dos escritores do partido a escrever uma biografia “oficial” do célebre missionário. O objetivo era claro e declarado, denegrir sua figura e desacreditá-lo diante do povo chinês, que ainda se lembrava muito bem das abnegadas atividades desse homem de Deus.

Quanto mais pesquisava e escrevia o livro, mais o escritor se impressionava com a vida piedosa, o caráter, o trabalho e o exemplo deixados pelo homem, conhecido até hoje como o “pai das missões no interior da China” que, sentiu o chamado de Deus e, aos 24 anos iniciou seu ministério como missionário. Finalmente chegou o dia em que o escritor não resistiu mais, abandonou a tarefa recebida, renunciou ao ateísmo e tornou-se um cristão.

Em uma de suas frases mais conhecidas Taylor disse: “Deus me escolheu porque eu era bastante fraco. Deus não realiza Seus grandes trabalhos através de grandes equipes. Ele treina alguém até ser bem manso e humilde, para então usá-lo”. Durante 51 anos trabalhou e viveu para ver o evangelho de amor prosperar no interior do país. Sua vida terminou, mas o fruto do seu trabalho perdura até hoje.

Os livros de História apresentam grandes personalidades, pessoas cuja vida e o trabalho são estudados em salas de aula, mas que o exemplo deixado está muito longe de levar alguém à salvação. Taylor, como tantos outros que dedicaram a vida ao serviço do Mestre, não aparecem na maioria desses livros, mas, com certeza estão no Livro da Vida, aquele onde estão os nomes dos que foram fiéis ao Pai e herdarão a vida eterna.

Você já parou para pensar em qual será o seu legado? Hoje você tem a oportunidade de reescrever sua história de vida. Em oração vá ao Pai, pergunte-lhe qual é Sua vontade para você e siga-a o melhor que puder, seja o exemplo de vida e conduta que nosso mundo tanto necessita. Pode ser que seu legado não seja visto agora, mas a eternidade mostrará que valeu a pena viver por Cristo.

Gelson de Almeida Jr.O Legado
leia mais

# A Serviço da Obra

aQuem conhece a Deus sabe que Ele se preocupa com os mínimos detalhes, não permitindo que um fato sequer deixe de estar ligado ao contexto que Ele preparou para nossa existência. Cada qual de nós tem a própria história para viver de acordo com os sonhos que Ele sonhou para nós, de bem e não de mal, todos realizando a parte que lhe cabe em favor não apenas de um mundo melhor, mas como um corpo equilibrado que avança em direção ao reino.

O interessante nessa história é que cada um de nós, ainda que tenhamos dons e ocupações diferentes, somos igualmente importantes para o equilíbrio geral. Assim como o corpo tem tudo o que precisa para seguir pela existência, a humanidade é um corpo que deveria estar em harmonia para que houvesse equilíbrio entre os homens. Contudo, sabe-se bem, isso é impossível neste mundo de pecado que justifica as dores produzidas pelo egoísmo, pelo orgulho e pela vaidade. Todos compostos pela mentira.

No entanto, há um plano que determinou o caminho onde se deve construir em benefício dos que queiram viver a verdade, alcançando o equilíbrio da vida. A obra de Deus se encarregou do planejamento para essa edificação. A igreja é esse prédio. Nós somos esse prédio. A palavra do Eterno é a planta baixa que determina toda a construção; Ele é o arquiteto que a desenhou e elaborou os espaços a serem dispostos no tempo; O Messias é o engenheiro que se responsabilizou pelos cálculos e pela distribuição de cargas, determinando os materiais a serem empregados na obra; o Espírito Santo, por sua própria essência, é o material com que somos moldados para que a construção se erga.

Também somos os mestres de obra, os eletricistas, os pedreiros, seus ajudantes e os encarregados dos mais diversos trabalhos que se fazem necessários para que a obra siga o seu rumo conforme determinado.

Se ao recebermos os dons que devem ser empregados na obra, e por acaso, a exemplo de um mestre de obras, deixarmos de seguir as ordens do engenheiro, este que tem as plantas do arquiteto nas mãos, e agirmos conforme nossa própria interpretação, certamente a obra restará comprometida, sendo apenas questão de tempo o seu desmoronar.

Não há ninguém melhor nessa história, com exceção do Arquiteto, do Engenheiro e da Fonte que fornece o material de qualidade para a edificação da obra. Eles são perfeitos. Eles trabalham desde o início dos tempos até os dias atuais para que a obra se projete na eternidade. Portanto, que neste sábado possamos meditar nas responsabilidades de tamanha obra, prestando nossa gratidão e adoração ao Eterno que a tudo planejou, confessando nossa obediência ao senhorio de Cristo que nos une em torno da obra, e também nos entregando em total atenção aos detalhes que nos fornece o Espírito Santo.

Bendito o que vem em nome do Eterno! Feliz sábado!

Sadi – Um peregrino da Palavra

Sady Folch# A Serviço da Obra
leia mais

O teste do discipulado, questão 3

Vamos ser bem honestos aqui: é possível que você esteja satisfeito com sua religião apenas para um belo dia descobrir que ela é mera casca, mera perfumaria, maquiagem. Você pode descobrir que não é um seguidor de Cristo como afirmou ser por anos a fio, mas apenas integrante de um clube religioso. Partilha algumas crenças, um estilo de vida, participa de alguns ritos… mas não se parece na essência com a Pessoa a Quem diz seguir.

Para fazer o teste do discipulado, para determinar se você está efetivamente seguindo a Pessoa e não o que as pessoas fizeram dEla, basta notar se hoje você é mais parecido com Ele no que Ele tem de essencial. Sugeri que esse teste começasse com a obediência. Você é hoje mais obediente à vontade de Deus do que era há algum tempo? Bem, Cristo foi “obediente até a morte”… A segunda pergunta é: você é hoje mais honestamente humilde do que era? A humildade de Jesus constrange você a ter uma noção menos inflamada de si próprio e de seus méritos pessoais?

Mas o mundo tem bastante gente obediente, pessoas que não “fazem nada errado”,teresa de calcuta e bastante gente naturalmente humilde. Tanto umas como outras podem não ter nada a ver com Jesus Cristo. É preciso continuar o teste.

Outro elemento radicalmente marcado na pessoa de Jesus que está estampada na Bíblia é sua propensão ao serviço. Nas palavras de Ellen White: “Volvendo-nos, porém, de todas as representações secundárias, contemplamos Deus em Cristo. Olhando para Jesus, vemos que a glória de nosso Deus é dar. ‘Nada faço de mim mesmo’, disse Cristo; ‘o Pai que vive, Me enviou, e Eu vivo pelo Pai’. ‘Eu não busco a minha glória’, mas a dAquele que Me enviou. Manifesta-se nestas palavras o grande princípio que é a lei da vida para o Universo. Todas as coisas Cristo recebeu de Deus, mas recebeu-as para dar” (DTN, p. 21).

Em diversos momentos nos evangelhos o dia-a-dia de Jesus é resumido com a fórmula “ensinava nas sinagogas, pregava às multidões, curava seus enfermos”. Embora cada uma dessas coisas possa ser realizada por motivos egoístas, o altruísmo de Cristo e Seu foco na solução dos problemas dos outros é evidente.

Viver para servir, contudo, não significa atender os desejos das pessoas, mas estar constantemente disposto a fazer o que for preciso para suprir suas necessidades. Jesus disse “não” para o sujeito que queria fazer dEle um juiz de uma questão civil e Se recusava a ser o que os outros quisessem que fosse. Ele não tinha medo de frustrar as expectativas dos outros, porque Seu alvo era dar o que as pessoas ao Seu redor efetivamente precisavam, e não o que achavam que precisavam.

Isso também não significa que Ele não cuidasse de Si próprio. Sabia que precisava retirar-se para a solidão para orar e meditar, mas o fazia porque sabia que a gente só pode dar daquilo que tem. Era preciso estar constantemente cheio do amor de Deus para ser o servidor que foi.

Obediência e humildade têm que ver com a negação do orgulho. Serviço tem que ver com a negação do egoísmo. Seguir a Cristo, contemplar Seu caráter dia a dia, produz uma aversão profunda a ambas as coisas.

Quem disse que seguir a Cristo seria banal? O caminho é muito alto, amigo. Alto e cheio de delícias.

Marco Aurélio BrasilO teste do discipulado, questão 3
leia mais