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Tempos idos, tempos outros

1850É possível viver uma experiência real com Deus em um mundo tão diferente dos primeiros adventistas e demais denominações tradicionais? Certamente que sim, contudo com muito maior dificuldade, afinal, os valores estão cada dia mais relativizados, o amor tem esfriado a um nível inacreditável e mesmo as escrituras têm sofrido interpretações distorcidas a satisfazer os novos gostos.

Sempre houve no mundo toda a sorte de distorções, mas estamos vivendo tempos sem precedentes na história humana. A maneira como as experiências têm sido vividas em face do padrão bíblico é um exemplo desse retrato. A Segunda Carta de Pedro pronuncia palavras na direção da observação da purificação, da vocação e da eleição. Também adverte quanto aos desvios.

Homens sempre foram imperfeitos, contudo, tomando ainda de empréstimo o exemplo dos pioneiros adventistas e demais denominações tradicionais, os discípulos de Cristo reconheciam com muito mais naturalidade a necessidade de vivenciar a santificação, falando uns com os outros de seus problemas e a maneira como o Espírito Santo os conduzia na dependência e a obediência à palavra de Deus. Uma característica que de certa forma ainda perdura em algumas delas, entre as quais, a adventista do sétimo dia.

Na publicação da Review and Herald, de 23 de maio de 1865, Uriah Smith descreve uma reunião que acontecia aos sábados, chamada social, da seguinte forma: “Uma reunião caracterizada por testemunhos vivos que animavam a alma, por olhos radiantes, vozes de louvor, exortações sérias e comovedoras e frequentemente lágrimas; cenas nas quais a fé e o amor se acendiam novamente”.

O temor a Deus era uma realidade muito mais disseminada dentro das igrejas, norteando o proceder dos homens. Contudo, atualmente, o que vivemos é quase a extinção desses valores, tanto na sociedade, quanto em muitas denominações. O que nos ensina Paulo em sua Segunda Carta à Timóteo senão que nos últimos dias sobreviriam tempos penosos; onde os homens seriam amantes de si mesmos.

Seriam os tempos modernos com seus “confortos” e “seguranças”, toda a sua tecnologia e distrações, assim como as necessidades que a mídia nos diz termos para sermos alguém, o que nos fez perder o verdadeiro sentimento para o que de fato importa?

Sim, está muito mais difícil viver uma experiência real com Deus nos tempos atuais. Mesmo dentro das igrejas tradicionais alguma superficialidade impera, sobretudo porque importa apenas o dia de culto, este não se estendendo para o interior dos lares e dos discípulos. Hoje, igrejas repletas de shows, de altos salários a pastores, altos cachês a músicos famosos, templos suntuosos e custos altíssimos para a promoção dos cultos, leva-nos a vivermos uma situação em que não enxergamos mais a santidade. É como sair à noite em uma grande cidade. Já nem olhamos para o céu, pois não há mais estrelas para se ver. Saímos apenas para nos distrairmos.

Sadi – Um Peregrino da Palavra

Sady FolchTempos idos, tempos outros

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