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# Vida e Existência

Mateus 16Um rabino certa vez fora questionado por que Israel conseguira sobreviver desde o seu nascimento como nação, mantendo a identidade de seu povo, enquanto tantas outras, reconhecidamente mais fortes e mais ricas, já haviam perecido. A resposta foi surpreendente.

Disse ele que quando se tem vida e se está disposto a morrer por ela, há, portanto, um propósito. Uma vida sem existência, explicou, logo se extingue. As nações que desapareceram, disse ele, queriam apenas existir, e acumulando bens e riquezas se preocuparam apenas em conquistar para assim se manterem vivas. Acreditavam, inclusive, que assim seriam eternas.

Em seguida, ressaltou que o profeta Moisés havia aconselhado o povo que soubessem e se lembrassem para sempre de uma realidade. Que eles não se enganassem, pois não teriam uma boa existência, que seriam espalhados pelo mundo, sendo peregrinos em terras alheias. Também que seriam uma minoria entre as tantas nações e que nenhuma delas os teriam em simpatia, sendo por muitos, senão por todos, hostilizados. Mas que não se preocupassem com isso, bastando que ocupassem sua vida com o seu real propósito e assim a sua existência iria cuidar de si mesma.

Pois bem, mas, qual é esse propósito, perguntou o interlocutor ao rabino. Eis que então este lhe respondera: obedecer aos mandamentos, sobretudo ao caso em questão, ao quarto mandamento. O segredo estaria, destarte, em guardar o sábado, o dia de descanso determinado pelo Eterno.

Intrigado, o homem ainda questionara o rabino, querendo saber por que, afinal, seria uma boa ideia não fazer nada de produtivo nesse determinado dia, não bastasse a obediência ao mandamento.

O rabino lhe explicou que todos os trabalhos que o homem realiza, o faz para que sua existência seja boa. Assim o é em seis dias, quando constrói algo, quando produz seu alimento, quando repara sua roupa, quando arruma sua casa, tornando dessa forma sua vida mais confortável. No entanto, em um dia da semana haveria de deixar as preocupações para o mantimento de sua existência em paz, não se preocupando com ela.

Nesse dia, no sábado – que é shabbat em hebraico – deveria o homem se preocupar apenas em saber sobre o porquê de sua existência e não em como mantê-la. Concentraria em meditar em por que existe e para que, jamais em como existir. Segundo o rabino, esse propósito deu existência à vida do povo judeu, mantendo-o vivo, enquanto poderosas nações inteiras desapareceram.

Moral da história para meditarmos neste sábado: quando se vive a vida pelos propósitos de Deus, damos uma existência saudável a ela e sua permanência acontece naturalmente. Quando se pretende existir a qualquer custo, seguindo os padrões do mundo e deles tornando-se um escravo, certamente o desgaste seguido da extinção será o fim.

Quem mais poderia ter dito isso com tanta majestade, senão o Cristo quando afirmou que aquele que quiser salvar sua vida, esse a perderá, mas, aquele que a perder por amor a ele, que carrega em si o real propósito da vida com existência, esse a salvará. Pense nisso. Um feliz sábado é o que deseja a todos o peregrino da palavra.

Sadi Peregrino

Sady Folch# Vida e Existência

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